O Projeto
Família surgiu a partir da orientação
recebida do dirigente espiritual do Grupo Espírita Redenção,
que norteou os princípios básicos do trabalho que possibilitaria
o resgate da dignidade de nossos irmãos.
A partir dessa orientação desenvolveram-se as premissas
que direcionaram as atividades do projeto cujo objetivo geral é a
implementação de uma assistência social mais
efetiva às famílias carentes, cadastradas pelo G.E.Redenção,
ajudando-as no seu crescimento material, moral e espiritual.
A simples distribuição periódica de uma sacola
de alimentos, complementada de uma ou outra ajuda isolada e não
coordenada, com vistas a suprir uma necessidade momentânea,
já não nos bastava. Percebemos que a segunda geração
de uma mesma família já era nossa assistida, carregando
inclusive as mesmas dificuldades, carências e limitações
de seus antecessores.
O despertar dessa realidade
nos levou a questionamentos: "afinal
o que fizemos ao longo desses anos? Exercemos a fraternidade ou fomos
coniventes com o estado de estagnação do nosso irmão?" Talvez
as duas hipóteses estejam certas. O que fizemos para promover
o crescimento daquele que é ajudado? A busca de respostas
para essas questões passaram a se constituir no ponto central
de nossas reflexões sobre o trabalho de ajuda ao próximo.
Através do Espírito Nathanael, responsável
pela nossa Casa, tivemos a orientação para que os trabalhos
de assitência tivessem como foco principal "a família".
Que todas as nossas ações tivessem como escopo o desenvolvimento
da consciência de cidadania, como também o crescimento,
não só material mas, principalmente, espiritual e moral
de todos os integrantes de um mesmo lar.
O "Projeto Família" surgido desde então
(meados do ano 2000), tem como premissa básica e diferencial
a mudança de posicionamento no atendimento ao necessitado,
integrando ações e tendo como objetivo principal o
resgate da dignidade e da auto-estima do companheiro beneficiado.
O que era até então um movimento de mão única,
baseado no automatismo de dar e na passividade do receber, assumia
o caráter de mão dupla, com direitos e deveres de ambas
as partes (Grupo e assistido) tornando nosso compromentimento muito
mais intenso e profícuo.
Construir um banheiro
num barraco, não significa apenas melhorar
as condições de higiene e asseio para os moradores
daquela habitação, mas é também e, principalmente,
mostrar-lhes o sentido de privacidade e de respeito à intimidade
de cada um, pois, não raras vezes, as ações
pertinentes àquele recinto são, por falta de opção,
obrigatoriamente compartilhadas com todos os membros da família.
Prover um companheiro
com uma peça de vestuário deixa
de ser apenas um gesto automático de suprir sua carência,
mas passa a ser, também, um incentivo ao seu despertar para
a necessidade de se sentir, na aparência, em condições
de igualdade nos ambientes em que está presente.
Providenciar a prótese dentária para uma senhora,
ou qualquer um dos integrantes de uma família, antes de ser
apenas uma ação de recomposição estética
ou profilática é, acima de tudo, o resgatar de sua
auto-estima, dando-lhe alegria e prazer, devolvendo-lhe a confiança.
Regularizar a documentação de um companheiro, além
do simples cumprimento de uma exigência legal, é desenvolver
nele as noções básicas de cidadania, com direitos
e deveres perante à comunidade, como qualquer cidadão
de bem.
A necessidade de uma crença religiosa, bem como a obrigatoriedade
da freqüência às reuniões, formam a base
do trabalho contínuo de formação dos valores
morais, éticos e de amor ao próximo, instrumentalizando
e dando lastro ao caminhar do companheiro com vistas ao seu crescimento
espiritual.
Assim é o "Projeto Família", muitas são
as ações, mas cada uma delas integra uma proposta maior
de crescimento e de resgate da dignidade do ser humano que a integra.
O Mundo é de "expiação e provas",
através do "Projeto Família" tentamos despertar
no assistido o interesse pelo seu progresso, considerando a condição
de igualdade de competição e necessidade de sobrevivência
numa sociedade tão desigual.
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