CARTA
AO EDITOR
E REPÓRTER HÉLIO GOMES, DA REVISTA ISTOÉ |
Como leitor da Revista ISTOÉ, sugiro que consultem a Federação
Espírita Brasileira quando utilizarem expressões que
levem os leitores a se remeterem ao Espiritismo, quando na realidade
dizem respeito a outros cultos e seitas religiosas.
Faço tal sugestão em função da excelente
e esclarecedora matéria A ENCRUZILHADA DO DAIME, publicada
na edição de 10 de fevereiro de 2010, de autoria de
Hélio Gomes, mas que comete lamentável equívoco
ao final da página 73, ao informar que, dentre as 100 organizações
cadastradas para usar o chá de ayahuasca, segundo o CONAD – Conselho
Nacional Anti-Drogas, estão relacionados CENTROS ESPÍRITAS!?!?!?!?!
Vejamos na integra o texto equivocado:
“(...) Trata-se de centros espíritas,
cultos universalistas e terreiros de umbanda, entre outros
surgidos de dissidências das seitas originais ou que
simplesmente incorporaram o uso da ayahuasca em seus ritos” (o
grifo é da revista). |
Vale esclarecer, inicialmente, que o Espírita (neologismo
criado por Allan Kardec) é o seguidor do Espiritismo, doutrina
por ele codificada que NÃO ADOTA RITUAIS DE ESPÉCIE
ALGUMA, NEM BEBIDAS ALUCINÓGENAS, conforme Diretriz Doutrinária
do CEERJ – Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro
(abaixo), porque considera que o verdadeiro culto é o realizado
interiormente.
A ligação entre o médium e os Espíritos
desencarnados nas reuniões dos Centros Espíritas que
se orientam pelas obras codificadas por Allan Kardec, se verifica
por meio da prece, e jamais pelo uso de substâncias alucinógenas.
Prova disso é o fato de constatarmos que, quando Chico Xavier
ia psicografar, ele apenas se recolhia intimamente pela oração,
para entrar em transe mediúnico e sintonizar-se com os Benfeitores
Espirituais.
Por outro lado, o Espiritismo não tem vínculo com os
cultos fetichistas, não sendo resultante de qualquer forma
de sincretismo religioso, tendo sido inicialmente difundido na França
por Allan Kardec, a partir da publicação de O Livro
dos Espíritos, em Paris, no ano de 1857.
Como não são Centros Espíritas que se cadastram
no CONAD, esse órgão governamental deveria exigir dessas
instituições que fazem uso da ayahuasca para os seus
rituais, e que se autoproclamam de Centros Espíritas, um atestado
fornecido pelas Federações Espíritas Estaduais
coordenadas pelo Conselho Federativo Nacional da Federação
Espírita Brasileira, após sindicância, verificando
se elas preenchem os requisitos de um Centro Espírita estruturado
nos postulados segundo as obras codificadas por Allan Kardec. Caso
não preenchessem esses requisitos, o CONAD classificaria essas
instituições que se autoproclamam de Espíritas,
sem o serem, de ORGANIZAÇÕES ESPIRITUALISTAS.
Certo de estar colaborando para que esta renomada REVISTA informe
com precisão os fatos para seus leitores, agradeço
a atenção dispensada e coloco-me a sua inteira disposição,
para qualquer esclarecimento posterior.
Atenciosamente,
Gerson Simões Monteiro
Economista, Professor, Escritor Espírita e
Colunista do Jornal Extra (Rio de Janeiro)
Trechos da DIRETRIZ DOUTRINÁRIA do
Conselho Estadual Espírita de Unificação do
Movimento Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEEU)
O Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos ou ainda Doutrina
Espírita é o conjunto dos ensinamentos ministrados
pelos Espíritos Superiores a Allan Kardec, com bases científicas,
de conotações filosóficas e de conseqüências
religiosas, ético-morais e comportamentais.
O vocábulo ESPIRITISMO, neologismo criado por Allan Kardec,
compreende esses ensinamentos, que constituem as Obras Básicas
da Codificação Kardequiana: "O Livro dos Espíritos" (18
de abril de 1857), Õ Livro dos Médiuns" (1861), "O
Evangelho segundo o Espiritismo" (1864), "O Céu
e o Inferno" (1865), "A Gênese" (1868), e ainda: "O
que é o Espiritismo" (1859 ), "Viagem Espírita
em 1862", os 12 volumes da "Revista Espírita" (1858
a 1869) e "Obras Póstumas"(1890), sendo os adeptos
do Espiritismo, denominados ESPÍRITAS ou ESPIRITISTAS.
O Espiritismo tem por postulados básicos: 1) a certeza da
existência de Deus, na visão cósmica de que Deus é: "Inteligência
Suprema, Causa Primária de Todas as Coisas" e o Pai,
que Jesus, nos ensina, o reverenciando; 2) a Imortalidade da Alma:
que se expressa na pré-existência, existência
e sobrevivência dos espíritos; 3) na Evolução
do Espírito através da reencamação; e
4) na Comunicabilidade dos Espíritos com os Homens utilizando
a Mediunidade.
A Doutrina dos Espíritos tem por principio fundamental o respeito
a todas as crenças, sem, no entanto, ter vínculo com
cultos materiais ou exteriores, de origem nativa ou primitiva de
quaisquer continentes, fetichismo, crenças, seitas, magismos,
orientalismos, misticismos, rituais que resultem de quaisquer formas
de sincretismo religioso.
O Espiritismo não é responsável pelo uso indevido
da mediunidade para fins ilícitos e comerciais, uma vez que
tem como norma, para todas as suas atividades, o "DAI DE GRAÇA
O QUE DE GRAÇA RECEBESTES", recomendado por Jesus, objetando
quaisquer formas de profissionalismo espírita.
Só há um Espiritismo, o que foi codificado por Allan
Kardec, não existindo, portanto, diferentes ramificações
ou categorias, como "alto" ou "baixo" Espiritismo, "Espiritismo
de Mesa", "Linha Branca", "Espiritismo Elevado", "Espiritismo
Kardecista", "Kardecismo", "Espíritas
Kardecistas", "Kardecistas" ou outras desse gênero.
O CONSELHO ESTADUAL ESPÍRITA DE UNIFICAÇÃO DO
MOVIMENTO ESPÍRITA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, CEEU, interpretando
os postulados básicos da Doutrina dos Espíritos - para
a qual o verdadeiro culto é o interior - esclarece que no
Espiritismo não se adota a prática de atos, uso de
objetos e cultos exteriores, tais como:
| |
• Exorcismos;
• Sacrifícios de animais e muito
menos de seres humanos;
• Rituais de iniciação
de qualquer espécie ou natureza;
• Promessas, despachos, riscaduras de
cruzes, pontos ou hábitos materiais oriundos de quaisquer
concepções religiosas ou filosóficas;
• Rituais e encenações
extravagantes de modo a impressionar o público.
• Talismãs, amuletos, orações
miraculosas, bentinhos, escapulários, breves ou quaisquer
objetos semelhantes;
• Confecções de horóscopos,
exercícios de cartomancia e astrologia, jogo de búzios
ou práticas similares;
• Administrações de sacramentos
como batizados e casamentos, concessões de indulgências,
sessões fúnebres ou reuniões especiais
para preces particulares, seja a encarnados ou desencarnados;
• Pagamentos e ou contribuições
de quaisquer naturezas por benefícios prestados;
• Atendimentos de interesses materiais
para "abrir caminhos";
• Danças, procissões e
atos análogos;
• Hinos ou cantos em línguas
mortas ou exóticas;
• Paramentos, uniformes ou roupas especiais;
• Altares, imagens, andores, ou objetos
materiais;
• Incenso, mirra, fumo, velas, substâncias
ou bebidas alucinógenas;
• Terapias alternativas ou convencionais,
desde que descaracterizem o aspecto doutrinário das
atividades dos Centros Espíritas, posto que os Centros
Espíritas são os locais de divulgação
e prática do Espiritismo, do Conhecimento Espírita,
da Cultura Espírita e da Terapia Espírita, consagrada
pelo Estudo Doutrinário, pelo Atendimento Fraterno Através
do Diálogo, do Passe Espírita, da Água
Fluidificada, da Prece e das Atividades de Desobsessão. |
O CEEU (Conselho Estadual Espírita de Unificação
do Movimento Espírita do Estado do Rio de Janeiro), por fim,
só reconhece como legítimos Centros Espíritas
as Instituições que vivenciam a Doutrina Espírita
tal como está claramente definido nesta Diretriz.
APROVADA PELO CONSELHO ESTADUAL ESPÍRITA DE UNIFICAÇÃO
DO MOVIMENTO ESPÍRITA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (30/05/2004)
|
|
|
|