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Um Natal diferente PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:42

Por ocasião do Natal, Alexandre adoecera e fora internado num hospital especializado em doenças cardíacas. No quarto, sua esposa, Irene, comentava:

- Sinto-me inquieta! Você bem sabe, Alexandre, que não é do meu feitio assistir o Natal passar, sem realizar algo que me alegre o coração! Considerando nossa estada aqui, estou arquitetando um plano, que poderá dar certo!

- Confio na sua criatividade, meu bem! E Irene expõe sua intenção inicial:

- Hoje, véspera do Natal, aproveitarei para tentar conhecer os vizinhos de quarto deste andar! . Depois você saberá mais do meu plano.

Sai, então Irene, para o cumprimento de seu intento. Tentaria reunir os acompanhantes dos enfermos, para uma prece coletiva. Encontra o primeiro.

- Bom dia! Chamo-me Irene! É a acompanhante do 203?

- Sim, sou! Meu nome é Fátima. Minha filha de oito anos foi acidentada.

- Fátima! Já que é véspera de Natal, poderíamos hoje, às oito da noite, reunirmo-nos nesse sagüão para orarmos juntos, independentemente de crença religiosa. O "Pai Nosso" é uma prece universal. Que acha?

- Ótima idéia! Às oito da noite estarei aqui! Poderei ausentar-me do quarto, pois minha filha está em franca recuperação.

Irene, no corredor do hospital, se apresenta a outro vizinho de quarto.

- Olá! Meu nome é Irene! Faz companhia no quarto 205?

- Tenho minha mulher enferma há algum tempo! Chamo-me Sérgio!

- Estou arregimentando os acompanhantes para uma prece de Natal, hoje às oito da noite, aqui neste mesmo recinto!

- Acredito na força da oração, apesar de não seguir nenhuma religião em particular! Conte comigo!

E Irene continua seu trabalho. Aborda, agora, Helena.

- Vejo-a sempre entrando no quarto 207! É a acompanhante?

- Sou, sim! - Estou tentando reunir os acompanhantes que possam e queiram estar conosco, às oito da noite, aqui nesse espaço, para orarmos, pelo Natal!

Sua interlocutora, educadamente, ressalva:

- Agradeço sua atenção, mas não acredito em Deus! Não consigo acreditar em algo que cria o sofrimento e a dor, em nome da bonda-de e da justiça!

- O entendimento desse assunto, deman-da tempo! Se desejar, outra hora poderemos voltar ao tema. Seria enriquecedor para ambas! Esqueci-me de me apresentar: sou Irene, acompanhante do 201!

- Sou Helena! Tenho pressa, no momento! Depois, é possível que voltemos a nos falar!

Irene volta ao quarto. E diz ao marido:

- Estou conquistando, entre os acompanhantes dos quartos deste andar, adeptos para uma prece às oito da noite. Eis o meu plano!

- Quantos já aceitaram participar? - pergunta Alexandre.

- Os acompanhantes do 203 e do 205 confirmaram presença! Vou ao quarto 209, pois ainda não encontrei o acompanhante no corredor!

E Irene vai ao encontro de nova conquista para a prece. Bate levemente à porta do quarto 209. Adentra o recinto, após escutar uma voz, autorizando sua entrada. Depara com uma senhora de certa idade, sentada numa poltrona, ao lado do filho acamado.

- Com licença! Chamo-me Irene e estou com meu marido no quarto 201!

- Seja bem-vinda! Adelaide é o meu nome!

Irene, agora mais próxima, nota a fisionomia abatida da senhora que a recebe comentando:

- Tenho meu filho doente, há alguns meses! Ele só tem a mim e eu a ele. Apesar da idade, não tendo parentes, nem condições de pagar trabalho de enfermagem, preciso, eu mesma, prestar-lhe assistência 24 horas!

E Irene explica a Adelaide o motivo de sua presença. Nesse instante, o filho chama pela mãe:

- Mãe! Mãe! Tenho sede! Acho-me febril! Chame a enfermeira!

Enquanto a enfermeira, atende a seu filho, Adelaide fala com Irene:

- Com você vê, Irene, não posso me afastar daqui um só instante. Gostaria de estar presente à oração, no entanto, não posso deixar o meu Rubens, sozinho!

- E se viéssemos fazer a prece aqui, junto dele?

- Para nós, seria uma caridade! - exclama Adelaide.

- Verei o que posso fazer!

Após contatar os demais, fica acertado o novo local da prece de Natal - no quarto 209. Às oito da noite, lá estavam Fátima, Sérgio e Irene, no quarto com Rubens e dona Adelaide. Após Sérgio ter lido passagem evangélica consolado-ra e Irene ter proferido confortadora prece em louvor a Jesus e em benefício dos enfermos ali internados, Fátima propõe:

- Enquanto era lido o expressivo texto do Evangelho, surgiu-me uma idéia: poderíamos, dentro das possibilidades de cada um, fazer um mutirão para ajudar dona Adelaide a cuidar do filho!

Irene, prontamente, concorda:

- Boa idéia! Qualquer tempo disponível, será de grande utilidade! O que acha Sérgio?

- Seria um grande treino da solidariedade proposta por Jesus! Participarei do mutirão. Po-deremos contar também com meus dois filhos, que gostam muito deste tipo de cooperação.

A generosidade daqueles corações comoveu dona Adelaide. Ao sair do quarto 209, Irene encontra Helena, que pergunta:

- Não fizeram a prece? - Fizemos sim! Só que, dada a situação de dona Adelaide e de seu filho, foi feita no quarto deles!

E Irene narra a história de dona Adelaide e fala sobre o mutirão que será realizado.

- Desse trabalho, eu também quero participar! - declara Helena, entusiasmada. Aliás, gostaria de conversar melhor com você, Irene! Cativou-me sua flexibilidade em dizer que uma nossa conversa sobre Deus, poderia enriquecer a ambas. Mas, o principal, no momento, é ajudar dona Adelaide a cuidar do filho.

Passava pouco das 22 horas. Irene, de re-torno ao quarto, observa, pela janela, o clima de festa nos edifícios vizinhos ao hospital. E comenta com Alexandre:

- Natal de verdadeiras alegrias cristãs, estou tendo oportunidade de vivenciar! A prece no quarto 209, o mutirão da solidariedade com a presença também de Helena, que se diz atéia. Garanto-lhe, Alexandre, que Jesus, através de seus Mensageiros esteve presente!

- Certamente, Irene. Não se esqueça que são dele essas palavras: onde dois ou mais es-tiverem reunidos em meu nome, ali estarei! Irene, finalmente, questiona:

- Será que naqueles apartamentos enfeitados e em clima festivo, Jesus está sendo lembrado? Ou será que é dia somente do consumis-mo e ostentação estimulados pelo Papai Noel?

- Boa pergunta, Irene! Boa pergunta! Vamos, agora, meu bem, nós dois, louvarmos a Jesus, a nosso modo, com nossa prece!

Terminada a oração, o clima era de festa; possivelmente, bem diferente daquela que se realizava lá fora. Havia paz, fé e alegria genuína nos corações de Irene e Alexandre.

Boletim de Julho/2001

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:01
 

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