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Um médium diplomado PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:40

Trabalhadores do Bem, quando adentra a casa espírita um senhor que ela não vira, ali, antes. Ela, então, o aborda:

– Boa tarde, meu senhor!

– Boa tarde, moça!

– Parece-me que é primeira vez que vem ao nosso Grupo. Estou certa?!

– Está sim! Telefonei para cá e a moça que me atendeu disse-me que o assunto do meu interesse só poderia ser tratado pessoalmente. Por isso, aqui estou.

– Qual o seu nome, meu irmão?

– Afrânio Rodrigues Sampaio! – respondeu, enfático, o visitante.

– O meu é Hilda, seu Afrânio. E qual é o assunto que o aflige?!

– É sobre trabalho mediúnico. Preciso trabalhar na mediunidade.

– Ah, sim! Esse assunto realmente deve sempre ser tratado pessoalmente.

– A Judith, que me atendeu ao telefone, esclareceu-me que deveria procurar a pessoa responsável pela área doutrinária e mediúnica do centro.

– Essa é a norma em nossa casa espírita. Encaminharei o amigo para conversar com o Sílvio, que atende a essa área em nosso Grupo.

E Hilda acompanha o senhor e o apresenta ao Sílvio.

– Sílvio! Este é o seu Afrânio. Ele quer falar sobre trabalho mediúnico.

– Muito prazer, irmão Afrânio!

– Antes que iniciem a conversa, já me despeço. Se, depois de conversar com o Sílvio, precisar de mais alguma informação, seu Afrânio, é só me procurar na recepção.

– Pois não! E obrigado pela atenção.

– Bem, amigo! Vamos direto ao assunto. O que deseja de nós?

– Telefonei pra cá e a Judith não pôde me esclarecer sobre os trabalhos mediúnicos da casa. Disse-me que só pessoalmente eu obteria as informações que desejo.

– Essa é a norma do nosso centro. Como, atualmente, estou na coordenação da área doutrinária e mediúnica da casa, podemos, então, tratar do assunto do seu interesse.

- É, meu caro! Estou procurando um centro para praticar a mediunidade. E gostaria de saber como é o trabalho aqui, para que eu possa me candidatar.

– No nosso Grupo, companheiro, o estudo precede à prática mediúnica.

– Isso é muito bom, Sílvio. Posso chamá-lo de Sílvio?

– É claro que pode. Fique à vontade, meu irmão.

– Nessa questão do estudo não tenho nenhuma preocupação.

– Conhece bem a Doutrina Espírita?

– Tanto que tenho até diploma de médium pronto.

– Diploma de médium pronto, Afrânio?! O que significa isso?

– Desenvolvi a psicografia e a psicofonia em organização espírita. E, por isso, fui diplomado como médium pronto ao trabalho nessas duas modalidades de intercâmbio com os espíritos.

– Mas, quer dizer que já estão diplomando médiuns?! Muito estranha essa prática!

– Pelo diploma, sou considerado apto aos trabalhos mediúnicos da psicografia e da psicofonia.

– Mas, o irmão chegou a trabalhar mediunicamente na instituição que o diplomou?

– Não! Não há vaga na casa. Por isso, estou à procura de um centro para colocar em prática meus dons mediúnicos, lá desenvolvidos.

– Sinceramente, meu irmão, estou surpreso com esse caso da diplomação de médium. Conheço não só a obra kardequiana, como boa parte das clássicas, e, também, um bom número das obras subsidiárias da Doutrina, e, em nenhuma delas me lembro ter lido sobre essa questão.

– Para comprovar o que digo, trouxe o diploma. Olha aqui! E Sílvio, após apreciar atentamente o impresso, observa:

– Meu caro irmão, lamento dizer-lhe que, apesar do que está escrito aqui nesse impresso, o diploma como médium desenvolvido não tem validade em nossa casa de trabalho espírita.

– Mas, como, Sílvio?! Fui diplomado numa casa espírita!

– Aqui, amigo, estudamos, divulgamos e praticamos o Espiritismo, de conformidade com os ensinamentos das obras de Allan Kardec, como base indispensável.

– Só estudam Kardec?!

– É claro que não! Aqueles que conhecem a base da Doutrina Espírita passam ao estudo de outras obras que lhe seguem o rumo, de vários autores, encarnados e desencarnados.

– E como poderia fazer para trabalhar mediunicamente nesse Grupo?

– Primeiramente, o amigo deveria entrar para o primeiro módulo do Estudo Sistemático da Doutrina Espírita, identificado pela sigla ESDE. Esse primeiro estágio é chamado ambientação.

– Mas, terei que começar novamente o estudo do Espiritismo?!

– Esse módulo é indispensável para que o amigo avalie, e nós também, quanto à sua integração no programa espírita desenvolvido por nossa casa.

– E se for positiva essa avaliação?

– Nesse caso, ou o irmão continua na seqüência natural do estudo e passa ao módulo 2, ou, se tiver conhecimento espírita concreto, poderá ser-lhe facultado o ingresso num módulo mais adiantado.

– Mas a participação no primeiro estágio é obrigatória?!

– Diria imprescindível!

– Mesmo com o estudo que já realizei sobre Espiritismo, teria de me integrar nesse primeiro módulo?

– Correto! A participação no módulo da ambientação, como já disse, é indispensável. É nesse estágio que o interessado tem oportunidade de observar e avaliar seu entrosamento com a proposição doutrinária e mediúnica do nosso centro.

E Sílvio ainda acrescenta:

– É nesse estágio, também, que o pessoal da casa tem oportunidade de observar e avaliar o engajamento do novato à proposta espírita aqui desenvolvida.

– E quando teria acesso ao trabalho mediúnico?

– Comprovada sua identificação com o nosso Grupo, e, estando o companheiro compromissado com o estudo sistemático, seu nome seria indicado, por um dos coordenadores do ESDE, para fazer o ingresso em equipe de estudo e prática da mediunidade. – Isso, pelo visto, demandaria muito tempo?!

– Sem dúvidas! Aqui procuramos não atropelar o desenvolvimento natural do conhecimento e da prática do Espiritismo.

– E quando terminaria a parte referente ao estudo da doutrina?

– Pelo sistema aqui proposto, o médium, para participar de trabalho mediúnico, necessitará estar sempre vinculado a um grupo de estudo.

– Então, o médium, nessa casa, não pára de estudar!

– Não pára não. Todos os que aqui trabalham na área mediúnica estão vinculados ao ESDE.

– Quer dizer que o diploma que conquistei não tem validade alguma, aqui, nesse centro?

– Não tem não, meu irmão. Lamento dizer-lhe isto.

– E você conhece alguma instituição que poderia levá-lo em conta?

– Não tenho conhecimento, companheiro, de nenhuma instituição que se ocupe desse tipo de situação. É a primeira vez que ouço falar de diplomação de médium.

– Estou decepcionado! Achei que esse diploma abriria as portas do trabalho mediúnico em qualquer centro espírita.

– Se o amigo desejar, poderá procurar orientação, para o seu caso, junto à organização federativa espírita estadual. Passo-lhe, já, o seu endereço.

– Quer dizer que, aqui, nada feito?!

– Entenda bem, meu irmão. Não estamos fechando-lhe as portas da nossa casa. Porém, temos uma disciplina e um ritmo de estudo e prática do Espiritismo que não se coadunam com o seu interesse mais imediato.

– Este centro fica perto da minha residência. Ficaria muito cômodo trabalhar aqui.

– Sugiro, Afrânio, que venha conhecer mais de perto as atividades de nossa casa. Assim, poderá avaliar melhor a proposta espírita aqui desenvolvida.

– Apesar de não atender ao meu desejo imediato de trabalho mediúnico, gostei da forma como fui aqui recebido. Em especial, da sua transparência.Virei conhecer o trabalho de vocês.

Afrânio sai do centro um tanto decepcionado.

Sílvio, logo após, encontra Jonas, o presidente do centro.

– Jonas, tive, em mãos, um diploma de médium pronto, que atesta que determinado companheiro está apto ao trabalho da psicografia e da psicofonia.

– Já tinham-me falado disso, Sílvio. Pensei que fosse brincadeira.

– Não é não, meu amigo. É verdade!

– É decepcionante esse tipo de prática em nosso meio.

E os dois ficaram ali conversando sobre as práticas equivocadas que se estabeleceram no meio espírita e que contradizem a lucidez da doutrina. E são muitas essas práticas!

Boletim de Outubro/2006

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:07
 

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