Página Inicial / Crônicas Espíritas / Ti-ti-ti no centro espírita
Ti-ti-ti no centro espírita PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:37

A reunião pública ainda não se iniciara. O serviço de atendimento fraterno estava em curso. Isabel e Alice, trabalhadoras da casa espírita, conversam.
–Alice, você reparou que o seu Feliciano saiu do centro com lágrimas a lhe correrem pelas faces?
– Não podia deixar de ver, Isabel. Ele deve estar com grande problema.
– Mas, eu soube que ele não chegou a passar pelo atendimento
fraterno.
– Como assim, Isabel?
– Falaram-me que o responsável pelo plantão de hoje não quis atendê-lo.
– Que é isso, amiga?! Isso não está certo.
– Foi o que fiquei sabendo.
Nisto, chega junto delas Olga, a responsável pelas reuniões públicas.
– Olga, a Isabel está narrando-me um fato desagradável, que acho indevido para ocorrer numa casa espírita.
– Do que se trata, Alice?
– Você conhece o seu Feliciano?
– Claro! Antigo freqüentador de nossa casa.
– Ele saiu do centro com lágrimas nos olhos. E a Isabel acaba de me contar que não permitiram que ele passasse pelo atendimento fraterno.
– Não é possível!
– É, Olga, eu soube que o responsável pelo plantão de hoje não quis atendê-lo, apesar de ele estar necessitado.
– Vimos ele sair da nossa casa bastante entristecido.
Olga deixa as duas companheiras e sai à procura do Diretor responsável pelo atendimento fraterno, o irmão Jonas.
– Jonas, por que não permitiram que o seu Feliciano passasse pelo atendimento fraterno?
– Não sei nada sobre o assunto, Olga. Como ficou sabendo disso?
– A Isabel e a Alice viram-no sair da nossa casa com lágrimas nos olhos.
– Até aí, Olga, nada demais!
– O problema, Jonas, é que a Isabel soube que o responsável pelo plantão de hoje não permitiu que ele fosse atendido.
– Acho muito difícil que isso tenha ocorrido. O Tadeu, hoje responsável pelo plantão, é pessoa séria. Conheço-o há anos e acho pouco provável que isto tenha ocorrido dessa forma.
– É muito triste, Jonas, ver a nossa casa espírita não cumprindo com o seu papel de assistir aos necessitados.
– Você procurou, antes de vir a mim, saber com o Tadeu o que acontecera?
– Não, eu não o procurei.
– Pois fez mal. Não devemos concluir sobre determinados fatos que se nos chegam, sem antes dar oportunidade a que os acusados possam se explicar.
– Você está certo, Jonas!
– Vou apurar o ocorrido e depois voltamos ao assunto.
Mais tarde, Jonas procura Olga.
– Olga, como eu previa, a versão que lhe foi passada sobre o caso do seu Feliciano não é verdadeira.
– Como ficou sabendo?
– Procurei não só o Tadeu, como também o Ernesto, que faz parte da equipe do atendimento fraterno de hoje.
– E o que eles lhe disseram?
– Os dois me falaram que o seu Feliciano foi atendido sim.
– Pôxa, pelo visto, entrei bem nessa, Jonas!
– O Tadeu, inclusive, disse-me que ele chegou chorando, passou todo o atendimento fraterno chorando e saiu da casa chorando, confirmando em parte o que lhe foi passado.
– Esse fato mostra que não podemos tirar conclusões apressadas sobre determinado fato. Precisamos ouvir as partes envolvidas.
– Seria lastimável, Olga, se essa versão inverídica fosse divulgada no centro. O Tadeu seria crucificado.
– Vou tentar barrar essa informação equivocada.
No dia seguinte, Flávio, participante da equipe do atendimento fraterno, procura Jonas.
– Jonas, você precisa tomar providências, porque estão ocorrendo desmandos na equipe de atendimento fraterno do nosso centro.
– Se é o caso do seu Feliciano, já tomei conhecimento, Flávio.
– Então, você ficou sabendo que o Tadeu impediu, de forma autoritária, o Ernesto de atender ao seu Feliciano?
– Essa já é a segunda versão que escuto do caso. Como ficou sabendo disso?
– A dona Esmeralda foi quem me contou, inclusive fazendo-me ver o Tadeu como pessoa arrogante.
– Êta pessoal difícil! – exclama Jonas.
– Mas, Jonas, o Tadeu não tem autoridade para impedir que o Ernesto atendesse ao seu Feliciano.
– Realmente, tanto ele não tem autoridade para esse tipo de atitude, como ele não a adotou.
– Como assim, Jonas?
– No dia da reunião, em que o seu Feliciano esteve aqui, tomei conhecimento de uma primeira versão.
– Qual foi?
– A de que o Tadeu não quis atender ao seu Feliciano e, por isso, ele saíra do centro com lágrimas nos olhos.
– E você tomou alguma providência?
– Fiz o que sempre me mandou a consciência espírita, que venho adquirindo pelo estudo e pela prática do Espiritismo.
– Afinal o que fez?
– Procurei o Tadeu para que ele me esclarecesse o que havia ocorrido. Ele ainda chamou o testemunho do Ernesto, para me passar os fatos como realmente aconteceram.
– Então ... ?!
– As duas versões que foram divulgadas são inverídicas.
– Fiz, então, mau juízo do Tadeu!
– Pois é, meu caro Flávio, não devemos assumir fatos sem que permitamos aos envolvidos falarem sobre o assunto.
– Mas, esse negócio de espalhar este tipo de boato na casa espírita é uma coisa maldosa. Precisamos evitar isso.
– Nós é que permitimos isso, Flávio, à medida que, de forma irresponsável, repassamos informações que não tenham sido checadas.
– É, amigo, você tem razão. E, se estivesse eu no lugar do Tadeu?
– Pois essa é a pergunta que sempre devemo-nos fazer.
– E, afinal, o que você fez diante dessa situação desagradável e que compromete o ambiente de uma casa espírita?
– Ainda não fiz, por falta de oportunidade. Mas, no final da semana reunirei todo o pessoal envolvido no assunto, inclusive você.
– Mas, isso pode criar um confronto entre os participantes da reunião.
– Que nada! Não pretendo senão pedir ao Tadeu e ao Ernesto que contem aos presentes os fatos como realmente aconteceram. Aí, cada um terá oportunidade de avaliar o perigo de se repassar informações que não sejam verdadeiras, desfigurando a ambiência espiritual do centro e, é claro, assumindo responsabilidade por isso.
E o pessoal do centro espírita continuou sua trajetória de aprendizado e realizações no bem.

Boletim de Abril/2008

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 14:59
 

Reflexões Espiritistas

 
 

Pesquisar no Site

Educação Espírita

Educação Espírita Para a Família

CONHEÇA O NOSSO TRABALHO

SEMEANDO IDÉIAS

 
Leia aqui 
 
 

Movimento Espírita

 

Grupo Espírita Redenção - Andaraí - Rio de Janeiro, Powered by Joomla!