Página Inicial / Crônicas Espíritas / Retalhos de uma conversa
Retalhos de uma conversa PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:35

Idalina e Geraldo visitam Orlando e Vilma. Os dois casais, espíritas convictos, se dão muito bem. Orlando com a palavra.

- Gostamos muito de receber os amigos em nossa casa!

E continua:

- Encontros como este, com pessoas com as quais nos afinamos, nos enriquecem muito, pois conversamos sobre assuntos variados e, até mesmo, sobre Espiritismo. Mesmo porque, papo de espírita sempre acaba em Espiritismo.

Sua esposa esclarece:

- A propósito de conversa de espírita cair sempre nesse lugar comum, tenho um colega de trabalho, que afirma não gostar de papo com espíritas. Alega que nós só sabemos falar de Espiritismo.

A esposa de Orlando, então, assevera:

- Eis um bom assunto para nossa reflexão, Idalina.

Geraldo se pronuncia:

- Se só falamos de Espiritismo, acabaremos alienados quanto aos diversos temas importantes que envolvem a humanidade.

Aí, Vilma, propõe:

- Estamos vivendo uma fase nebulosa na política nacional. Vocês não acham que nós, espíritas, deveríamos nos preocupar com o tema?

- No nosso meio, Vilma, o tema política é tabu - afirma Geraldo.

Orlando concorda:

- É isso mesmo! Há companheiros que fogem do assunto, como se ele fosse uma coisa demoníaca. Apesar da lucidez da doutrina, o nosso meio ainda se mostra refratário a essa discussão. Não é isso, Geraldo?!

- Talvez os nossos companheiros nunca tenham lido o texto denominado "As Aristocracias", contido em "Obras Póstumas", em que Kardec faz uma análise histórica do poder político no mundo.

- Acho esse texto de Kardec genial. Fala até no processo utilizado pela classe dominante, de manter a classe dominada na ignorância, para melhor subjugá-la - esclarece Orlando.

Diante disso, Vilma observa:

- Certa feita, um companheiro, dirigente, depois de falar sobre sua repulsa ao assunto, assegurou veemente, diante de um grande número de pessoas presentes a um evento espírita, que ele jamais votaria em espírita.

- Eu estava presente - confirma Geraldo. Foi demais!

E Orlando intervém:

- Essa posição é cômoda! Ora, se o espírita realmente dispõe de uma proposta ético-moral consistente, por que não levá-la, em termos de atitude, para as diversas atividades humanas, inclusive a política?

- Aliás, - observa Vilma - Kardec, no capítulo Método, de O Livro dos Médiuns, item 18, afirma: "O Espiritismo, já o dissemos, se relaciona com todos os problemas da Humanidade".

- E, por isso, Vilma, entendemos que certas posturas alienadas demonstram o desconhecimento das obras de Kardec, por parte de nossa coletividade - diz Geraldo, com a concordância de Orlando.

- A comunidade espírita ainda prefere obras mediúnicas romanceadas e, devemos a isso, o conhecimento superficial que ela detém da doutrina propriamente dita. Idalina, atenta, questiona:

- Mas, vocês acham, então, que se deve falar de política no centro espírita?

Vilma, interessada na discussão, opina:

- Concordo que não se fale em política partidária nas casas espíritas, isto traria conflitos indesejáveis, pela paixão com que muitos lidam com o assunto. Porém, política tem um significado mais amplo. A meu ver, diz respeito à influência que uma pessoa, ou um grupo, ou uma instituição exerce sobre o meio em que atua.

E Vilma tenta explicar seu pensamento:

- Por exemplo, o nosso centro espírita tem uma política própria no que tange à divulgação do Espiritismo que, de certa forma, se diferencia da política adotada por algumas outras instituições.

- O que não quer dizer que um seja melhor que o outro - observa Orlando.

- É isso mesmo! Assim como cada um de nós tem uma política própria de atuação junto aos que convivem conosco - afirma Vilma.

Geraldo aproveita o momento e fala sobre eleição:

- Eu acho que devemos propor, para nossa coletividade, uma discussão sobre a responsabilidade do voto.

- Estou totalmente de acordo - afirma Orlando. Afinal, se alguns dizem que a política é um mar de lama, pergunto eu: o que nós, espíritas, estamos fazendo para drenar essa lama?

Idalina busca acompanhar o pensamento dos amigos:

- E não podemos esquecer que o nosso meio já ofereceu, ao nosso país, alguns políticos importantes: Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Cairbar Schutel, Freitas Nobre, Rafael Américo Ranieri, Telêmaco Maia e outros mais.

Idalina prossegue:

- Se não colaboramos com o aprimoramento do projeto político, em desenvolvimento no Brasil, não podemos reclamar dos resultados nefastos gerados pela má administração pública, nos seus diversos aspectos.

- E, ainda, Idalina - fala Vilma - não teremos, moralmente falando, o direito de usufruir das conquistas realizadas pelos outros, no futuro, sem a nossa contribuição.

- Temos que votar com consciência! - exclama Geraldo, enfático. Em termos de religião temos nossa ideologia, a espírita. Em política também devemos buscar uma ideologia que atenda ao nosso modo de entender a vida, em especial como espíritas que somos.

Orlando, de posse da Revista Espírita do ano de 1868, de Allan Kardec, editada pela EDICEL, chama a atenção dos amigos:

- Ouçam, meus amigos, Kardec falando sobre fidelidade partidária, na Revista Espírita de dezembro de 1868. Diz ele: "Ora, os homens podem envolver-se, por interesse num partido, sem ter fé nesse partido, e a prova é que o deixam sem escrúpulo, quando encontram seu interesse alhures, ao passo que aquele que o abraça por convicção é inabalável; persiste à custa dos maiores sacrifícios ..."

E continua Orlando:

- Ainda diz Kardec: "Contudo, se a renúncia a uma opinião, motivada pelo interesse, é um ato de desprezível covardia, é, ao contrário, respeitável, quando fruto do reconhecimento do erro em que se estava; é, então, um ato de abnegação e de razão".

- Genial o pensamento do codificador. Esse Allan Kardec aí pouquíssimos conhecem, em nosso meio - afirma Vilma.

- Se a Revista Espírita tivesse sido melhor divulgada, possivelmente não teríamos uma coletividade espírita tão divorciada da realidade - afirma Geraldo.

- Sem dúvida alguma, Geraldo!

- Concordo plenamente! - exclama Idalina.

E a conversa entre os dois casais continuou esclarecedora, motivando a reflexão dos quatro nas discussões de assuntos de interesse do cidadão espírita.

Boletim de Agosto/2005

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:05
 

Reflexões Espiritistas

 
 

Pesquisar no Site

Educação Espírita

Educação Espírita Para a Família

CONHEÇA O NOSSO TRABALHO

SEMEANDO IDÉIAS

 
Leia aqui 
 
 

Movimento Espírita

 

Grupo Espírita Redenção - Andaraí - Rio de Janeiro, Powered by Joomla!