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Quem não precisa de ajuda? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:34

Terminada a reunião no centro espírita, seus participantes já se dispersavam, quando Gilda se dirige a Roberto.
– Roberto! Preciso falar com você.
– Olá, Gilda! O que deseja?
– É sobre o presidente do nosso centro espírita.
– O que está acontecendo com o Ronaldo?
– Acho que ele não está bem.
– Interessante! Durante a reunião o Ronaldo pareceu-me cansado, até meio entristecido.
– Vamos procurá-lo, para saber se ele precisa de ajuda.
– Que é isso, Gilda?!
– Ora, Roberto, vamos conversar com ele e, se for o caso, oferecer-lhe o nosso apoio.
– Mas, Gilda, ele é o presidente da nossa casa espírita!
– Nem por isso, amigo, ele deixa de ser gente, como nós. Sofre como nós e, também, tem problemas como nós.
– Mas, normalmente, Gilda, os líderes espíritas não gostam de se declararem necessitados.
– Com base em que você faz essa afirmação?
– Em experiências vividas em outras instituições de que participei.
Aí, Roberto aproveita para exemplificar.
– Certa feita, fiquei sabendo, por fonte idônea, que o dirigente da casa que eu frequentava estava passando por momentos de dor e dificuldade.
– E o que você fez, Roberto?
– Procurei-o, para levar-lhe meu abraço, meu apoio, como nos ensina o Evangelho.
– E qual foi a reação dele?
– Primeiramente, Gilda, ele me disse estar muito bem, o que me surpreendeu, pois sabia de sua verdadeira situação.
– E depois, o que aconteceu?
– Falei que, mesmo assim, iria orar por ele, pois a direção de uma casa espírita era um trabalho exaustivo e desgastante.
– E daí?
– E daí, Gilda, que ele me disse estar sob os cuidados de seus protetores espirituais.
– Mas isso ocorre com todos nós!
– Claro! Mas ele falou de um jeito como se tivesse dispensando minhas orações.
Nesse instante, Irene se aproxima dos dois.
– Vocês não acham que o Ronaldo está meio apagado?
– Estamos justamente conversando sobre isso, Irene – observa Gilda.
– Mas, fiquemos tranquilos, seja o que for ele supera! – afiançou Irene.
– Como assim, Irene?
– Ora, Gilda, ele tem condição espiritual para superar as adversidades.
– Você acha mesmo?!
– Sim, acho! Veremos que logo, logo, ele estará bem.
Ocasião em que Roberto intervém.
– Ele pode até ter condição espiritual melhor que a nossa, Irene, porém não deixa de ser um espírito reencarnado na Terra, para resolver alguns problemas do passado e continuar progredindo.
– E isso, de alguma forma, gera algum tipo de sofrimento, não é mesmo, Roberto?
– Certamente!
– É primeira vez que vejo o Ronaldo tão abatido. Penso que ele não é dos que recusam ajuda. Já o vi pedindo que orassem por ele. Vamos falar com ele – decide Gilda.
Os três, então, se encaminham em direção a Ronaldo que os recebe com um franco sorriso.
– Olá, companheiros! Aproveitaram bem o estudo da noite?
– Gostei muito! A expositora, a meu ver, foi muito clara, muito objetiva. Ajudou-me muito na compreensão do tema, dada a facilidade que tem de ordenar suas ideias – explica Roberto.
– Ronaldo! O problema é que estamos preocupados com você. Achamos que você não está bem – enfatiza Gilda.
Ronaldo, surpreso, apontando para algumas cadeiras vazias, à distância, faz um convite aos companheiros.
– Bom! Sentemos ali, à parte, para melhor conversarmos.
E Roberto vai direto ao assunto.
– Você está bem, companheiro?
– Que bom saber do interesse de vocês sobre o meu estado de ânimo!
– Você foi sempre alegre, comunicativo. No entanto, temos observado forte tensão no seu semblante – afirma Gilda.
– Entenda, amigo, que não estamos querendo nos intrometer na sua vida. Apenas desejamos, se possível, ser úteis – esclarece Roberto.
– Há anos não chegam junto de mim para saber como estou sentindo-me. Acho que os companheiros pensam que nós, dirigentes, estamos imunes às dificuldades humanas.
E Ronaldo continua.
– Muitas vezes, estamos muito necessitados de apoio, de compreensão. Não somos perfeitos, por isso, em algumas oportunidades, assumimos atitudes equivocadas, que nos machucam depois.
– Se pudermos ajudar de alguma forma, estamos aqui – propõe Gilda.
– Estou passando dificuldades com o filho mais novo, que sempre foi objeto de preocupação, não só minha como de Matilde.
– Se o casal necessitar, estamos prontos a colaborar – volta a propor Gilda.
– Sou-lhes grato pela atenção para comigo.
– Pelo seu abatimento, poderíamos dar-lhe um passe, Ronaldo.
– Mas, a hora do passe já terminou, Roberto – alega Irene.
– E daí, Irene?!
– É questão de disciplina. Além disso, o Ronaldo não precisa do nosso passe, pois ele é o presidente da nossa casa espírita!
– Não é bem assim, Irene! – fala Ronaldo.
– Como é, então, Ronaldo?
– Por que razão eu não precisaria de um passe, já que, como vocês, sofro problemas físicos, emocionais e espirituais?
– É o que eu acho – ressaltou Gilda.
– Hoje, realmente, estou necessitado de um passe!
E Ronaldo ainda se explica.
– Não tomei o passe no horário estipulado, porque estava ocupado, atendendo alguém que está sofrendo mais que eu.
– Aqui, pode-se dar passe fora do horário habitual?
– Nada impede, Irene, em determinadas situações, que socorramos, através do passe, alguém que esteja seriamente necessitada.
E Ronaldo pergunta, enfático:
– E qual de vocês me dará o passe de que tanto necessito? Decidam entre os três.
E os três se entreolharam, sorriram e se sentiram em clima de verdadeira solidariedade, companheirismo, que dispensa autoitarismo e idolatria. E, enquanto Roberto dava o passe em Ronaldo, Gilda e Irene oravam contritas.

Boletim de Fevereiro/2010

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:06
 

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