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Prioridades na Casa Espírita PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:32

A diretoria do centro espírita designou uma comissão para organizar a programação das atividades para o ano seguinte. Composta de Isabel, Gustavo e Irene, a comissão inicia a primeira reunião para discussão do assunto. Gustavo, então, propõe:

– Bem, meus amigos! Para facilitar o nosso trabalho, primeiramente julgo que devemos listar os eventos a serem realizados.

– Boa idéia, Gustavo – concorda Isabel.

– A propósito, Isabel, você trouxe cópia da programação deste ano, conforme combinamos ontem?

– Ontem mesmo, apanhei na secretaria o original e tirei três xerox. Aqui estão, uma para cada um. Já devolvi o original à secretaria.

– Acho que devemos começar o trabalho pelos eventos realizados aos domingos – afirma Irene.

– Isso mesmo, Irene – enfatiza Gustavo. São os que criam mais divergências. Neste ano, houve mês em que tivemos eventos todos os domingos. O pessoal não ficou satisfeito.

– Estou de acordo, companheiros – observa Isabel.

– E, nesse caso, não devemos nos esquecer dos compromissos familiares e sociais dos companheiros da casa espírita.

– Concordo, Gustavo – assevera Irene. Esse negócio de programar atividades, para todos os domingos, cria dificuldades para a maioria.

– Como disse o Gustavo, Irene, não nos esqueçamos de que os espíritas têm também compromissos familiares e sociais.

– Então, vejamos! Do programa deste ano, para os domingos, constam seminários, capacitação para trabalhadores de diversas áreas e também para dirigentes.

– E, ainda, almoços e chá beneficente – lembra Isabel.

– São diversos eventos destinados aos domingos.

– Isso é verdade, Irene. No ano passado, o presidente teve dificuldades para fechar a programação desses eventos – recorda Isabel.

– Essa é uma das razões por quê a diretoria resolveu criar essa comissão – fala Irene.

– E, por isso, temos em nossas mãos uma responsabilidade muito grande – assevera Gustavo.

– Precisamos evitar os desgastes no relacionamento entre os companheiros do centro, como ocorrido no ano passado, quando da programação das atividades deste ano.

– Desse desgaste, Irene, até hoje, o ambiente do centro se ressente. Aí, Gustavo fala o que pensa do acontecido na programação anterior.

– Uma das dificuldades surgidas é nossa velha companheira: ainda não aprendemos a discutir idéias.

– Também é comum confundirmos a discussão de idéias com a discussão de pessoas. Daí, surgem as maiores desavenças – alega Irene.

– O personalismo ainda fala muito alto em nós. Precisamos estar atentos para não deixar que ele perturbe o ambiente da nossa casa espírita – diz Isabel.

– Com base na programação deste ano, feita no ano passado, vamos começar o trabalho. Quais os melhores meses para realizarmos os almoços?

– Gustavo! Acho que, primeiro, devemos distribuir os seminários e os treinamentos.

– Concordo com a Irene, querido Gustavo. As atividades culturais e de aprimoramento dos trabalhadores do centro devem ter prioridade.

– Mas, companheiras, as atividades para arrecadação de recursos e de confraternização também são importantes.

– Importantes são, meu amigo! Acredito que ninguém tiraria a importância delas.

– Ainda bem que você pensa assim, Irene.

– Porém, Gustavo, devemos considerar que a atividade fim de uma casa espírita diz respeito ao estudo, à divulgação e à prática do Espiritismo.

E Isabel estende o comentário de Irene:

– Os eventos para arrecadação de recursos e confraternização, meu querido, numa casa espírita, não podem ser mais importantes que as atividades doutrinárias, culturais ou de aprimoramento dos trabalhadores.

– Aí é que a coisa pega. Sem dinheiro, não poderemos realizar nada na casa espírita. Aliás, ela nem existiria.

– Mas, Gustavo, Irene tem razão. Apesar da importância da parte financeira, entendo que nenhuma outra atividade pode inibir a divulgação e a prática do Espiritismo, no centro.

– Gente! Precisamos estar atentos no sentido de não privilegiarmos propostas que possam nos distrair da finalidade essencial da casa espírita.

E Irene continua suas observações:

– E tem mais! A prática tem mostrado que as atividades assistenciais e de arrecadação de recursos, quando não orientadas pelos princípios espíritas, resultam num ônus moral muito grande para o ambiente do centro.

– E para que possamos orientá-las nesse sentido, Gustavo, como fala a Irene, precisamos conhecer o Espiritismo. Daí, a necessidade de privilegiarmos o estudo e a divulgação da Doutrina.

– Pois, do contrário, o interesse puramente imediatista, em voga na sociedade, acabará por ser visto como natural também na casa espírita – avalia Irene.

– Não entendi essa questão do ônus moral de que você, Irene, falou antes.

– No passado, o resultado financeiro, de algumas atividades, por melhor que tenham sido em termos materiais, a meu ver, não compensaram.

– Como assim, minha irmã?

– Acompanhou o resultado financeiro um ônus moral, que só o tempo foi capaz de absorver.

– Ainda não estou entendendo esse tipo de situação, Irene.

– Nessa época você não estava no centro, Gustavo – lembra Isabel.

– Junto com o dinheiro, amigo, vinha também um caldo de desavenças e desentendimentos preocupantes, surgidos entre os que trabalhavam nessas atividades. Formavam-se verdadeiros nós no relacionamento do pessoal da casa. Era terrível!

– Era muito ruim mesmo, amigo! E, como diz a Irene, comprometia o ambiente do centro. E só o tempo era capaz de amenizar essas desavenças.

– Mas hoje não é assim!

– Essa situação difícil, querido amigo, somente começou a se modificar quando, na casa, se priorizou o estudo e os treinamentos para os trabalhadores – enfatiza Isabel.

– Outra coisa que trouxe grandes benefícios para o centro, Isabel, foi a instituição de avaliação das diversas atividades.

– Isso mesmo, Irene, o trabalho, a partir daí, tomou qualidade e direcionamento espírita. E Isabel dá novo rumo à discussão:

– Acho, amigos, que devemos conversar com os diretores, no sentido de que se promova uma campanha para envolver todo o pessoal do centro no projeto cultural e doutrinário da casa.

– O projeto da nossa casa, nesse sentido, é muito interessante – adita Gustavo.

– Esse engajamento, de que fala a Isabel, é imprescindível para que um centro possa se conduzir bem na divulgação e na prática do Espiritismo.

– Essa campanha deve ser muito bem pensada – conclui Gustavo.

– Acho que não dá certo esse negócio de juntar o pessoal para falar do que está certo e do que está errado. Vale para uns e não para todos – opina Irene.

– E o que você sugere, Gustavo, para incentivar o engajamento do pessoal às atividades culturais e doutrinárias, que devem ser prioritárias no grupo espírita? – pergunta Isabel.

– O corpo-a-corpo, Isabel!

– Como, Gustavo? – indaga Irene.

– As pessoas, convencidas da importância dessa proposta, devem fazer um trabalho junto aos componentes do centro, no sentido de convencê-los também. É um trabalho de convencimento e não de imposição.

A proposta agrada a Isabel.

– Boa idéia, Gustavo! Poderemos propô-la à diretoria.

– É um trabalho que dá resultados positivos, porém a médio e longo prazo. E Irene conta uma experiência esclarecedora:

– Outro dia, fui assistir, numa casa espírita, a um painel muito bem conduzido. Produto de boa qualidade. O salão estava cheio. Ouvi, porém, o presidente reclamando que o pessoal da casa não prestigiava os eventos culturais do próprio centro. A maioria que lá estava, como eu, era de outras instituições espíritas.

– É, realmente, uma situação, no mínimo, estranha! – exclama Isabel.

– Muito estranho, mesmo – concorda Gustavo. A casa espírita propõe um trabalho cultural e doutrinário relevante e seus próprios componentes não se beneficiam dele!

– É de se lastimar que os próprios integrantes do centro não prestigiem um evento cultural da envergadura do que tive oportunidade de participar.

– Estão vendo, companheiras?! Não é um problema só nosso.

– O envolvimento com a doutrina, o interesse no seu aprendizado e na prática de seus princípios, ainda, para muitos, são coisas de somenos importância – assim entende Irene.

– O que é lamentável, Irene!

– Gustavo e Irene, penso que a prática do formalismo religioso ainda está muito arraigada em nós.

– Volto a insistir na questão do corpo-acorpo!

E Gustavo continua:

– Aqueles convencidos da importância do envolvimento com o programa proposto, serão capazes de convencer outros, no corpo-a-corpo. Não com imposições e discursos vazios, porém ajudando os outros a avaliarem a questão com discernimento e oportunidade.

– Se há consenso entre nós – fala Isabel – então, levemos essa proposta à diretoria. Agora, porém, continuemos o trabalho.

E o trabalho continuou, com discussões objetivas e conscientes por parte da comissão encarregada de promovê-lo.

Boletim de Setembro/2007

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:08
 

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