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Posturas e Posturas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:31

Ao término da reunião do Estudo Sistemático na casa espírita, Laura, Helena, Ernesto e Tadeu saem juntos, entretidos num papo interessante.
– Ora, Ernesto, hoje você estava inquieto no estudo!
– Inquieto como, Laura?
– Durante o estudo você conversou várias vezes, à parte, com a Helena.
– Mas, Laura, eu e o Ernesto conversamos baixinho – fala Helena.
– Eu e Helena conversamos sobre o assunto que estava sendo discutido.
– Desculpem-me os amigos, mas não acho isso correto. Conversa paralela só atrapalha o bom andamento do estudo.
– Ora, Laura, a nossa conversa foi em tom muito baixo!
Tadeu, então, intervém.
– Conversaram tão baixinho, que todos ouvimos.
– No estudo sistemático, qualquer conversa paralela, por mais baixa que seja, perturba o ambiente.
– Laura tem razão! E se a conversa era sobre o assunto em pauta, por que não colocaram o grupo a par do que conversavam?
– O certo, Tadeu, é que conversa paralela incomoda os que estão participando da discussão do assunto, como também aqueles que estão acompanhando o raciocínio em desenvolvimento.
– Certo, Laura! Sinceramente, amigos, acho que esse tipo de comportamento representa descortesia para com o coordenador do grupo e desrespeito para com os demais companheiros, interessados no estudo.
Helena, aproveitando a oportunidade, levanta outra questão.
– Mas, Laura, você também não deixa ninguém falar!
– É isso aí! Se deixar, você monopoliza a palavra, Laura – arremata Ernesto.
– E aí, surgem as conversas paralelas, como foi o caso de hoje, ente mim e o Ernesto.
– Isso, a meu ver, não está certo! Devemos compreender que outros companheiros podem também querer perguntar e enriquecer o estudo – argumenta Ernesto.
– Mas, Ernesto, quando o Júlio coordena o estudo, todos têm direito de se pronunciar – alega Helena.
– Isso mesmo, Helena! Educadamente, o Júlio corta todo aquele que pretenda o monopólio da palavra.
– Fico constrangida quando Ricardo está na coordenação. Apesar das interferências dele, você, Laura, insiste em monopolizar a palavra.
– E já está ficando sem sentido essa sua postura, Laura.
– E todos já comentam! – observa Tadeu.
– O maior problema – adverte Helena – não são os comentários dos outros, e sim o desvirtuamento do propósito da formação de um grupo de estudo.
– Que é a discussão dos temas doutrinários, com a participação de todos os presentes, conforme propõe Kardec em O Livro dos Médiuns, item 347 – fala Ernesto.
Tadeu, então, levanta um caso interessante.
– Outro dia, sobre esse mesmo assunto, aconteceu um caso hilário numa reunião pública de nossa casa espírita.
– O caso do expositor convidado?
– Esse mesmo, Ernesto.
– Comente o caso, Tadeu, pois alguns dos presentes podem não ter conhecimento do ocorrido.
– Comentemos, então: era a primeira vez que o expositor falava em nosso centro.
– Aliás, ele fez uma excelente palestra! – exclama Ernesto.
– Correto. Falava ele com muita propriedade e desenvoltura.
– E daí, Tadeu?! – Helena mostra-se ansiosa.
– Apesar da eloquência do palestrante, Helena, duas companheiras do nosso próprio centro não paravam de cochichar.
– E ele chamou a atenção delas?
– De certa forma sim, Helena!
– E o que ele fez?
– Parou a palestra e, em se dirigindo a elas, perguntou se não gostariam de falar em voz alta, pois pelo interesse com que conversavam baixinho, deveriam estar falando sobre o tema e, dessa forma, poderiam enriquecer o estudo que ele estava desenvolvendo.
– E daí? Elas disseram alguma coisa? – intervém Laura.
– Nadinha! Daí em diante foi-nos possível ouvir a exposição sem a interferência incômoda do sussurro das duas.
E Helena recorda-se de outro caso muito comentado no centro.
– Lembro-me de um caso que suscitou muitos comentários, ocorrido também aqui mesmo em nossa casa espírita.
– Não o conheço – assevera Ernesto.
– Deve ser aquele caso do debate sobre violência, Ernesto. Não é, Helena?
– Esse mesmo, Laura. O debate em que duas senhoras não paravam de falar, incomodando os que estavam a seu lado.
– E o que aconteceu, Helena? – agora é Tadeu que se mostra ansioso.
– Após a exposição dos dois debatedores, foi aberto a perguntas e proposições, por escrito.
– E aí veio – fala Laura – a pergunta bomba, não foi isso, Helena?
– Isso mesmo. Foi perguntado se constituía violência as pessoas ficarem conversando durante o debate, atrapalhando aqueles que queriam ouvir e participar.
– O que responderam os debatedores?
– Os dois concordaram, Tadeu, que era violência sim, pois outras pessoas estavam sendo agredidas pela conversa paralela e indevida.
– Para alguns de nós ainda é muito vaga e imprecisa a noção de grupo, de equipe, de conjunto – comenta Ernesto.
– Você está certo, Ernesto, ainda não nos comportamos visando ao bem-estar da coletividade.
– É isso mesmo, Laura! O respeito ao direito do outro ainda não se estabeleceu em nossa vivência diária, infelizmente.
Laura aproveita o momento para salientar uma outra questão.
– Há um comportamento indevido que venho observando em nosso meio.
– Do que se trata, Laura? – quer saber Tadeu.
– Está se tornando hábito, em nossa coletividade, a marcação de lugar em palestras muito concorridas.
– Tenho observado isso também, Laura – concorda Tadeu.
– As pessoas que chegam mais tarde para os debates e conferências têm seus lugares reservados, por amigos e parentes, que se dizem espíritas.
– E essas reservas – esclarece Tadeu – estão nos lugares mais bem localizados.
– Enquanto as que chegam mais cedo, Tadeu, ficam impossibilitadas de verem atendidos seus anseios de um bom lugar, a que deveriam fazer jus, pois se esforçaram para chegar mais cedo – comenta Laura.
– Acho que devemos debater, em nossa comunidade espírita, sobre essas posturas indevidas, como alerta para os demais companheiros – propõe Helena.
– É o que estamos fazendo e que pretendemos continuar realizando, Helena, pelo menos na nossa casa espírita – afirma Ernesto.
– Claro, Ernesto! – exclama Helena.
Os companheiros estão certos, afinal, alertar não ofende, não é mesmo? Principalmente quando se visa ao bem-estar da casa espírita?!

Boletim de Março/2010

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:08
 

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