Página Inicial / Crônicas Espíritas / Perigo à vista
Perigo à vista PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:30

Nestor, o presidente da casa espírita, em reunião ordinária da diretoria, depois de resolvidos os assuntos rotineiros, levanta uma questão que o está preocupando:

- Meus amigos, gostaria de dividir com vocês um assunto que me está preocupando seriamente. E que, a meu ver, poderá, num futuro breve, trazer a divisão na nossa casa espírita.

- Que assunto é esse Nestor? - pergunta Irene, da divulgação.

- Preocupa-me a posição que vem assumindo o César em nossa instituição.

Sérgio, da tesouraria, se pronuncia:

- Já havia observado algo de estranho na relação dele com alguns companheiros.

- Mas, Sérgio, que comportamento é esse que você chama de estranho?

- Ele, sustentando um pretenso conhecimento doutrinário, vem formando um grupinho de discípulos na nossa casa.

- Mas, o César demonstra conhecer a doutrina - comenta Irene.

- Já percebi, Irene, que ele não conhece o Espiritismo tanto quanto quer fazer crer aos outros.

- Venho percebendo isso, também, Sérgio - confirma Nestor.

Sérgio realça: - Só que ele é envolvente, Nestor. Sabe como ganhar a confiança dos incautos.

E Nestor se dirige a Alberto:

- E você, Alberto, o que nos diz do assunto?

- Fico satisfeito que esse caso seja trazido hoje por você, Nestor.

- Por que diz isso, Alberto?

- Porque se você não o comentasse, eu o faria.

- Quer dizer que você também já percebeu o que vem acontecendo?

- Claro! E, com base em casos anteriores, pressinto problemas sérios a nossa frente.

- Sinceramente, não sei do que estão falando! - declara Irene, agora preocupada.

- Peço-lhe desculpas, Irene, mas me parece que você é uma das pessoas que está completamente dominada pela influência do César.

- Eu, Nestor?!

- Você mesma, minha irmã.

- Você está enganado, amigo. Sou muito fiel a esta casa.

- Mas, primeiramente, Irene, precisamos ser fiéis à Doutrina Espírita - enfatiza Alberto.

- Que não endossa nenhuma proposta de culto à personalidade - acrescenta Sérgio.

- O que se percebe é que há um grupinho, na casa, que idolatra o César - diz Alberto.

Irene, insatisfeita com a posição dos companheiros, interroga:

- Mostrem-me, então, o erro que venho cometendo.

Sérgio se adianta: - Já assisti, Irene, em algumas oportunidades, você concordando com ele em assuntos que não compõem o contexto doutrinário espírita.

- Tem-se a impressão que algumas pessoas temem contestar o César - adita Alberto.

- Pensando bem, acho que não contesto as propostas dele porque ele se impõe como profundo conhecedor da doutrina e, como eu não conheço tanto, acabo aceitando o que ele diz - declara Irene, um tanto constrangida.

Nestor intervém:

- Primeiro, Irene, venho percebendo que ele não conhece a doutrina tanto como propala. - Se ele conhecesse realmente, não estaria introduzindo a cizânia em nosso meio, como vem fazendo, para se pôr em evidência - observa Alberto.

- E com ares de superioridade espiritual - registra Sérgio.

Alberto o acompanha:

- Superioridade esta que ele tenta compor com palavras adocicadas e xaroposas.

- E há outra questão: Irene, você está aprendendo a doutrina e não deve temer quem conhece mais do que você - alerta Nestor.

- Mas, o César, às vezes, mostra-se impetuoso nas suas proposições, Nestor, fazendo-me temerosa em contrariá-lo.

- E, aí, você se submete ao seu domínio, Irene - fala Alberto.

Nestor assevera:

- Esse tipo de postura não deve continuar na nossa casa espírita.

- Eu também acho - concorda Sérgio.

- Como disse, no início, gostaria que vocês me ajudassem a encontrar a solução para o caso.

- Traga expositores de fora, Nestor, que possam divulgar o Espiritismo com seriedade e compromisso com a base doutrinária - opina Alberto.

Sérgio propõe:

- Outra boa medida seria realizar seminários que pudessem tocar na relação dos companheiros com a Doutrina, com os próprios companheiros e com a casa espírita.

- Não podemos demorar muito em apresentar uma reação ao comportamento do César, para não criar escola no centro - adverte Alberto.

- As idéias de vocês são boas, mas acho que devemos ir mais além.

- Depois dessas medidas, Nestor, se não houver despertamento dos envolvidos, a solução é chamar o César para uma conversa séria.

- Já sabendo, de antemão, que ele não aceitará ser advertido, pois se julga um exemplo a ser seguido - fala Alberto.

- É isso mesmo! - exclama Sérgio, e conclui: É um risco que teremos que correr.

- Será que não deveríamos chamá-lo logo, para uma conversa?!

- Ele poderia alegar perseguição, Nestor - adverte Sérgio.

Alberto complementa:

- E, também, ele poderá nos acusar de estar com ciúmes da sua relação com as pessoas do centro.

Irene, tímida, exclama:

- Fico sem saber o que fazer!

- Por que, Irene?

- Ele é insistente, Nestor! Telefona-me quase todos os dias para comentar sobre pessoas e coisas do centro.

- Quando digo que o telefone, para a nossa casa espírita, funciona como instrumento de divisão não é à toa - assevera Nestor.

- Por que ele não apresenta suas divergências às claras?! - questiona Alberto.

- E ante pessoas que possam contestá-las? - acrescenta Sérgio.

- É essa a marca da má influência que o envolve - conclui Nestor.

Alberto, então, sinaliza:

- Já assisti algumas casas espíritas entrarem em sérias dificuldades, por intrigas e mal entendidos, surgidos em telefonemas comprometidos com a leviandade.

E Irene, temerosa, se compromete com os companheiros:

- Não posso me modificar de pronto, numa reação que não componha o meu modo de ser, porém, não mais permitirei que ele faça críticas de pessoas ausentes.

- Isso já é uma boa reação, minha irmã - fala Alberto, tentando animá-la.

- Já é hora de encerrarmos a reunião. Hoje mesmo procurarei contatar com os companheiros de fora, para palestras e seminários.

Tempos depois, a diretoria reunida, Nestor volta ao assunto:

- Que acham do resultado das palestras e do seminário realizados com pessoal de fora?

- A repercussão foi muito boa entre os companheiros do centro - entende Alberto.

- O pessoal da casa foi levado a pensar seriamente em sua atuação no centro, para que não fique dependente de pessoas e, até mesmo, da instituição - diz Sérgio.

- E você, Irene, está conseguindo desatrelar-se do comando do César?

- Graças a Deus, Alberto!

- Preocupava-me com você, Irene! Você estava, ingenuamente, deixando-se dominar.

- Depois daquela reunião em que o caso César foi tratado, pensei melhor no assunto e reconheci que vocês estavam com a razão.

Alberto insiste: - Então você está livre, Irene?!

- Quando não mais permiti que ele criticasse pessoas ausentes, ele foi se afastando e, hoje, nosso relacionamento é cordial, porém, sem maiores intimidades. Ele largou do meu pé.

Nestor, satisfeito, observa: - Percebo que alguns dos que lhe faziam a corte já estão pedindo novos seminários e outros palestrantes de fora, pois lhes trouxeram muito esclarecimento.

- É aquela questão: santo de casa não faz milagres! - lembra Sérgio.

- E como vocês estão vendo a atuação do César?

- Vejo-o um tanto arredio, Nestor, e até mesmo assustado.

- Acho que é hora de tentarmos ajudá-lo. Pretendo conversar com ele, no sentido de integrá-lo no movimento de progresso que o centro vem assumindo.

- Oremos para que você tenha êxito na conversa, Nestor - diz Irene.

- Não acredita, Irene, que ele possa rever sua posição?

- Pelo que conheço dele, acho que não aceitará muito bem a conversa.

E não aceitou mesmo. Por mais educado e fraterno que Nestor procurasse se mostrar, não conseguiu conquistar o César, cujo orgulho, disfarçado de humildade, não lhe permitiu ceder à argumentação lógica e afetiva do presidente do centro. Meses depois, César se afastava definitivamente do centro.

Boletim de Março/2005

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:11
 

Reflexões Espiritistas

 
 

Pesquisar no Site

Educação Espírita

Educação Espírita Para a Família

CONHEÇA O NOSSO TRABALHO

SEMEANDO IDÉIAS

 
Leia aqui 
 
 

Movimento Espírita

 

Grupo Espírita Redenção - Andaraí - Rio de Janeiro, Powered by Joomla!