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O praticante do Espiritismo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:23

Dona Margarida e seu Romualdo eram espíritas há muito tempo.

– Margarida, acho que não vou hoje ao centro.
– Deixa de preguiça, marido. Vá se arrumar. Daqui a pouco a Idalina estará passando por aqui para nos pegar de carro.
– Vamos de carro?
– Sim, vamos. A Idalina vai nos levar.
– Assim, então eu vou.
– Você está ficando preguiçoso, Romualdo.
– Não é nada disso, querida. Há dias que não tenho vontade de ir ao centro.
– Então, vamos combinar o seguinte: nesses dias eu irei só com a Idalina.
– Isso não!
– Por que não?

Aí a campainha toca e dona Margarida indo atender à porta, depara com Idalina.
– Olá, Idalina! Já íamos lá pra fora a fim de esperá-la.
– Decidi vir aqui para tomar água. Estou com muita sede.
– Então, vamos até a cozinha. Na cozinha, Idalina toma a água e as duas cochicham.
– Veja só, Idalina, o Romualdo não quer que eu vá ao centro sem ele.
– É amor, dona Margarida! É amor!
– Acho que é egoísmo. Se ele não quer ir, não me deveria impedir.
– Acho a ida ao centro importante tanto para ele quanto para a senhora.

E, aí, o seu Romualdo grita lá da sala.
– Que água mais demorada essa! O que é que vocês estão cochichando?

E as duas voltam para a sala.
– Que é isso, seu Romualdo? Não vou levar a dona Margarida pra mim não!
– Não vai mesmo não, porque ela é só minha.
– Então, vamos, senão chegaremos atrasados.
– Vocês se afligem muito por causa do centro!
– Você nem parece espírita, Romualdo!
– Sou espírita, mas não sou fanático

E os três chegam à casa espírita. Seu Romualdo se apressa e encontra com a Teresa no corredor.
– Como vai, seu Romualdo?
– Vou muito bem, Teresa.
– Gosto de vê-lo aqui no centro, amigo.
– E eu gosto muito de vir aqui, querida.
– O senhor não falta a nenhuma reunião.
– Não falto mesmo não! E dou passe há muitos anos.

Aí, dona Margarida chega junto dos dois.
– Olá, Teresa!
– Tudo bem com a senhora, dona Margarida?
– Tudo bem! O Romualdo é que, vez por outra, acha de não querer vir ao centro.
– O que é isso, Margarida?! Sempre venho com você! Pára de falar demais, mulher!
– Vamos mais depressa, Romualdo, que a sessão está quase começando.
– Vai à frente, que, antes, eu vou ao banheiro.
– Veja se não fica lá a vida toda!
– Que coisa é essa, Margarida?!
– Você, agora, pegou a mania de ir ao banheiro e ficar lá a vida toda. Quando chega no salão a palestra está quase na metade. Isso não está certo!
– Quer dizer que não se pode mais nem ir ao banheiro?!
– Pode e deve, mas não precisa ficar fazendo hora lá!
– Ele demora tanto assim no banheiro, dona Margarida?
– Você nem sabe, Teresa. O pior é que agora não quer me deixar vir ao centro quando ele não quer vir. – É amor, dona Margarida!
– É um amor muito egoísta.

E, assim, o casal vai tocando a vida. Um dia, seu Romualdo passa mal e o médico, Dr. Rubens, é chamado.
– E daí, Dr. Rubens, o que ele tem?
– Precisamos interná-lo, urgente, dona Margarida!
– Mas o que ele tem, Doutor?
– Ele enfartou, dona Margarida.

A coisa é séria! Romualdo vai para o CTI. Logo, chegam ao hospital Idalina, Teresa e outros amigos do centro espírita. E encontram com dona Margarida no saguão.
– Como está ele, dona Margarida?
– Idalina, o médico disse que é grave o estado dele.
– Vamos até aquele canto e vamos fazer uma prece em benefício dele – convoca Teresa, acertadamente, os companheiros à oração.

Passam-se duas semanas. Ele ainda no CTI. Os companheiros do centro dão todo apoio à dona Margarida.
– A senhora está cansada, dona Margarida. Vá dormir em casa esta noite, que ficarei aqui. Qualquer coisa eu telefono.
– Nada disso, Idalina! Essa é minha tarefa.
– Mas, seus amigos podem ajudar, não?
– Você, querida amiga, e o pessoal do centro têm feito muito por mim e por ele.

Neste instante, chega o médico com más notícias.
– Venha cá, dona Margarida! Me dá um abraço.
– Já sei, ele fez a passagem, Dr. Rubens?!
– Justamente! Seja forte, dona Margarida.
– Eu já estava prevendo. Dona Margarida recebe o carinho e o apoio dos companheiros da casa espírita.

Dois meses após a desencarnação de seu Romualdo ela começa a se sentir mal. E os médicos não resolvem. Na reunião de desobsessão da casa espírita, seu Romualdo é trazido pelos benfeitores espirituais.
– Não consigo viver longe da Margarida!
– Vamos juntos, meu amigo, recordar os ensinamentos do Consolador prometido por Jesus e que tanto nos esclarece e orienta nesses momentos de dificuldades – fala o doutrinador.
– Eu quero é ficar junto da minha Margarida!
– Mesmo sabendo que isso pode trazer prejuízo e dificuldade para ela, tanto quanto para você, meu irmão?

Não conseguindo maior êxito, da primeira vez, os espíritos benfeitores o retiram do contato com o médium. Ele será trazido outras vezes à sessão. Idalina e Teresa, que estiveram presentes à reunião, conversam.
– Não consigo entender essa situação, Idalina!
– Entender que situação, Teresa?
– Como pode o seu Romualdo, freqüentador antigo do centro, estar nessa situação, no mundo espiritual?
– Ora, Teresa! A freqüência a centro espírita não diz necessariamente da boa condição espiritual de ninguém. E, no caso, ele sempre foi muito apegado à dona Margarida.
– Vamos orar muito por ele, Idalina!
– Acredito que ele não vai demorar muito nessa situação, mesmo porque ele tem méritos que certamente o ajudarão.
– Assistindo a casos como esse, é que vejo a importância e a necessidade de vivenciarmos, no coração e na nossa relação com os outros, os ensinamentos doutrinários.
– Você falou bem, Teresa! Não basta agasalhar esses ensinamentos na cabeça. Se não descerem ao coração e não se tornarem atitudes, de nada valem.
– Em Espiritismo estamos sempre aprendendo!
– Que saibamos aproveitar essa lição, minha amiga.
– Agora é que estou entendendo, Idalina, o que quis dizer o expositor que falou na segunda-feira, quando se referiu à necessidade de termos consciência espírita, que resulta da vivência dos princípios espíritas, no dia-a-dia.

Tempos depois, Romualdo já estava bem. E o centro espírita continuava no trabalho de estudo, divulgação e prática do Espiritismo, esperando que os ensinamentos doutrinários pudessem estar sendo vivenciados, despertando consciências e modificando caracteres.


Boletim de Janeiro/2008
Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:13
 

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