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Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:20

No início do mês de dezembro, Mário e Arlete começam a tratar das comemorações do Natal.

- Este ano, Arlete, gostaria de decidir, logo, onde passaremos a noite de Natal.

– Mas, Mário! Já havíamos acertado isso, desde o ano passado. Este ano, passaremos a noite de Natal com a sua família. O rompimento do ano será na casa dos meus pais.

– Havia-me esquecido. Concordamos no revezamento a cada ano, para evitar contrariedades, não é isso, Arlete?!

– Isso mesmo! Foi a forma que encontramos para evitar os dissabores que já enfrentamos, provocados pelo ciúme das famílias.

– Uma das coisas que me entristece, nessa época, querida, é o fato de nossas famílias darem muita importância ao presente de Natal. E, em especial, meus pais que, muitas vezes, querem atrair os netos pelo valor dos presentes.

– Mas, Mário, esse é um dos problemas dessa ocasião. Os adultos acham que conseguem comprar o carinho das crianças com presentes. E, muitas vezes, acham que o valor do presente mede a extensão do amor que possam ter por elas.

– E, nesse caso, reconheço que a minha família exagera.

– Porém, querido, as crianças não se enganam. Elas não se enganam mesmo.

– Por que diz isso, Arlete?

- Nas vezes em que a ceia de Natal foi na casa de seus pais, quem mais conseguia atrair a atenção das crianças que lá estavam? Pense bem, querido.

- Certamente o tio Olavo, irmão de papai. Até eu, quando garoto, adorava estar junto dele, para ouvir suas histórias.

– Pois é, Mário! Ele é o único, da sua família, que não tem condições financeiras para presentear as pessoas, porém vive rodeado delas, em especial das crianças.

– São inesquecíveis as diversas festas, na minha infância, em que tio Olavo se tornava o centro das atenções. Criativo como ninguém, sempre arranjava uma nova brincadeira para entretenimento da garotada.

– Pela sua expressão, vê-se a importância de seu tio na sua infância.

– Ele, Arlete, foi, e ainda é, uma presença marcante em minha vida.

– E essa presença, marido, não tem a marca do material. Do dinheiro. Do interesse. Sua marca é o afeto, o carinho, a generosidade.

– Você está certa, querida. Eu amo esse meu tio.

– Dos brinquedos caros que você ganhou dos outros tios, e até de seus pais, é possível que tenha se esquecido.Porém, a afetividade do tio Olavo está indelevelmente registrada em você, na sua vida. Seu semblante muda, quando fala no assunto.

– Tio Olavo enriqueceu muito a minha infância. Numa festa de Natal ocorreu um caso muito interessante...

E Mário, sorrindo, continua:

– Diante dos brinquedos mais caros, que eu e meus primos havíamos ganho, preferimos nos divertir, a noite toda, com um arremedo de carro, improvisado por nós, com a ajuda do tio Olavo.

– E qual foi a reação do pessoal?

– Os outros parentes fizeram tudo para chamar a atenção das crianças para seus presentes caros. Nada conseguiram. Elas se entretiveram, toda a noite, com o improvisado brinquedo, fruto da criatividade do tio.

– Ele agora está velhinho. Mas não perdeu a graça e nem a criatividade. É um velhinho ágil, adorado pela criançada.

– Mas esse jeito afável, generoso mesmo, do tio, criou sempre muito ciúme na família.

– Não podia ser diferente, Mário.

– Por ele não ter os recursos financeiros dos seus irmãos era, e ainda é, muito criticado e discriminado.

– Mas, no meu entender, ele tem os mais apurados recursos de um ser humano: a generosidade, o afeto, o bem querer.

Nesse instante, chegam do colégio os filhos do casal, Rodrigo e Isabela.

– Pai! Mãe! Tô ferrado! Recuperação em matemática – assevera Rodrigo.

– Mas você sempre se saiu bem na matemática, filho. O que aconteceu?

– É onda dele, mãe. Ele passou direto. Eu, sim, fiquei em recuperação em química.

- O que aconteceu, filha? É a primeira vez que fica em recuperação.

– Preocupei-me muito com o português e descuidei-me da química. Já estou me programando para o estudo da matéria.

- Se quiser, poderei te dar uma ajuda, Isabela – fala Rodrigo.

– Posso chamar a Vanessa, Rodrigo? Ela também ficou em recuperação em química.

- Desde que, depois do estudo, eu possa levá-la em casa, tudo bem!

– Tá muito bobo, Rodrigo. Afinal, posso chamá-la?

- Você acha, mana, que eu poderia me negar a prestar ajuda a um dos mais belos protótipos da raça negra, dentre tantos que eu conheço?

– Ela é bonita, Rodrigo? – pergunta Mário.

– Não é só bonita, pai. É inteligente, graciosa, educada... Me casaria com ela hoje.

– Iria sustentá-la como, Rodrigo?

– Pôxa, mãe! Não precisava me trazer pra real, tão rápido. Estava num belo sonho. Mas, brincadeiras à parte, Vanessa é uma mina e tanto.

– É minha melhor amiga, no colégio. É leal. Mas sofre muito com a discriminação disfarçada, que há no nosso país.

– Esse negócio de discriminação racial é difícil de entender – declara Rodrigo.

– Você e Isabela, Rodrigo, tiveram uma educação em que eu e sua mãe procuramos realçar e sedimentar valores que contrapõem à discriminação, nos seus diversos aspectos.

Na semana seguinte, lá estavam, Rodrigo, Isabela e Vanessa estudando química. No intervalo para o lanche, Mário e Arlete ficam apreciando a conversa dos três.

– Vanessa, vamos passar a noite de Natal com a família do meu pai. Eu e Rodrigo gostamos muito da festa de lá.

- Meu pai tem um tio, que já está velhinho, mas todos nós gostamos de estar com ele. Faz brincadeiras que nos divertem muito. Enquanto o pessoal fica assistindo, na televisão, os tradicionais e cansativos programas da ocasião, ele se diverte com os jovens e com a garotada.

– Ele é um barato, amiga. É a pessoa mais fofa da família de meu pai. Os outros têm muito dinheiro, mas ele não. Não sei se ele tivesse o dinheiro dos outros, se seria o mesmo que é, Isabela!

– Acho que sim, Rodrigo. Veja o caso do tio Roberto, irmão da mamãe. Tem dinheiro, porém ele e a família são muito simples. Buscam conviver com pessoas de bem, e não somente com as de boa situação financeira.

– Não quer passar o Natal conosco, Vanessa? Será um prazer para nós.

– Muito amável seu convite, Rodrigo. Mas, não posso aceitar. Em minha casa, valorizamos muito esta data como uma festa da família.

– Nós também a valorizamos, por isso o convite, Vanessa – esclarece Rodrigo.

– Sinto muito não poder aceitar seu convite, Rodrigo. Gostaria de conhecer o seu tio Olavo. Deve ser uma pessoa e tanto.

– Certamente você ainda terá oportunidade de conhecêlo, amiga.

– Pode deixar, Vanessa, que a oportunidade para você conhecer o tio Olavo eu mesmo crio e faço questão de apresentálo a você – enfatiza Rodrigo.

– Rodrigo, sua conversa já está comprida demais. Voltemos ao estudo – retruca Isabela.

– É Natal, maninha! É Natal!

Os pais dos meninos retornam à conversa:

– Reparou, Mário, como o tio Olavo teve realce e importância na conversa deles?

- Reparei sim, Arlete. Não falaram nas iguarias e nos presentes das festas de Natal de que participaram. Deram realce à simplicidade e à bondade do nosso bom velhinho Olavo, seguidor convicto das palavras de Jesus, que também foi simples e bondoso.


Boletim de Dezembro/2006
Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:14
 

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