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O equívoco da vidente PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:16

Márcia busca o atendimento fraterno da casa espírita. É atendida por Cláudia:

– Como é seu nome, minha irmã?

– Márcia! Chamo-me Márcia.

– O meu é Cláudia! É solteira, Márcia?!

– Sim! Morava com minha mãe. Ela, porém, faleceu há três anos. De enfarto fulminante. Sinto muita falta dela!

– E é por isso que nos procura?

– Não! Estou assustada com uma revelação que me foi feita por uma médium.

– Que revelação foi essa que tanto a assustou?!

– Após a morte de mamãe, comecei a me sentir angustiada, aflita. Busquei assistência médica, sem resultado. Então, uma amiga aconselhou-me ir a um centro para passar pela vidência.

Márcia faz uma pausa e continua:

– A médium que me atendeu afirmou que estou sob domínio de espírito obsessor.

– O que mais lhe foi dito, Márcia?

– Que o espírito que me perseguia tinha sido meu marido em outra encarnação. Que eu o rejeitara, fugindo com outro.

– Isso tudo lhe foi dito na primeira vez que buscou ajuda no centro?

– Sim! Assim que cheguei no centro, e falei sobre o meu caso, levaram-me logo para passar pela vidência.

– Nada lhe foi proposto a título de ajuda?

– Foi sim! Estive presente a certo número de reuniões de desobsessão.

– E como você se sentiu nessas reuniões?

– Muito mal! O sofrimento de alguns espíritos e a revolta de outros, conforme pude entender, trouxeram-me grande desassossego. E eu me perguntava: qual deles me persegue?

– Pois é, Márcia! Esse é um dos motivos porque achamos que reunião de desobsessão deve ser privativa. A participação nessas sessões, além de recolhimento, exige dos seus integrantes conhecimento da Doutrina Espírita, para equilíbrio e bom resultado do trabalho.

– Eu, até então, somente tinha ido ao centro para tomar passes e assistir palestras. Nada mais! O que, aliás, sempre me fez muito bem. Só que, agora, nem consigo dormir direito.

– Márcia! Em seu benefício, tente se desligar da questão da obsessão que, conforme disseram, você é vítima. Levarei seu nome para a reunião mediúnica privativa de nossa casa. Também lhe será benéfica a presença semanal em uma de nossas reuniões públicas, para tomar passe, água magnetizada e assistir às exposições doutrinárias.

– Tudo bem! Vim aqui indicada por minha tia, que freqüenta esse centro há muito tempo.

Na reunião de desobsessão, privativa, ao ser pronunciado o nome da moça, um espírito em grande sofrimento se apresenta:

– Márcia, onde está você? É sua mãe que precisa da sua ajuda! Me socorre, minha filha! Não suporto mais esse sofrimento, essa angústia! Socorro! Preciso de um médico! Onde, Deus que não me ouve?!

E o doutrinador entra em ação:

– Estamos aqui justamente para auxiliá-la!

– Quem está falando?!

Ajuda-me, por favor! Sofri um enfarto!

– Repito: estamos aqui justamente para ajudá-la. Procure se acalmar, minha irmã.

– Como ficar calma, se ninguém me atende?! Nem minha filha se sensibiliza com meu sofrimento. Estou mal e sem assistência médica. Todos desapareceram: minha filha, os médicos, os enfermeiros. Todos desapareceram!

As vibrações harmonizadas da equipe de trabalho, em que cada componente rogava ao Pai em benefício daquela irmã em aflição, foi produzindo no espírito uma influência balsamizante, que ela prontamente assinalara:

– Oh, Deus! Sinto-me mais confortada. Preciso dessa ajuda.

– Minha irmã, estamos aqui com esse objetivo, ou seja, ajudá-la. Mas, para que possamos fazê-lo, precisamos da sua colaboração.

– Diga-me o que fazer. Por favor! Preciso de um médico!

– Se a irmã está se sentido mais confortada, como disse, é sinal que a ajuda que lhe está sendo prestada é benéfica e concreta. E, assim, poderá melhorar ainda.

Vamos fazer uma oração juntos? Está disposta?

– Já rezei demais. Deus se esqueceu de mim!

– Tanto não se esqueceu que estamos aqui para ajudála! Oremos juntos, minha irmã.

– Tá bem! Vá lá!

E o doutrinador faz sentida prece, cujas irradiações, acompanhadas das vibrações dos espíritos presentes, exerceu benéfica influência sobre a irmã aflita, que, ao término, exclama:

– Estou muito melhor! E já enxergo com nitidez a equipe médica que surge com vários enfermeiros.

– A irmã será assistida por essa equipe e dela receberá muitos esclarecimentos!

– Graças a Deus! Graças a Deus!

E a mãe de Márcia foi conduzida, na erraticidade, à região própria para o atendimento às suas necessidades. Dada sua situação, foi trazida, pelos benfeitores espirituais, várias outras vezes para diálogo fraterno com o companheiro encarnado, até, afinal, compreender sua condição de desencarnada, em recuperação. Na sua última visita, observou:

– Estou em franca recuperação. E progrido no entendimento das leias da Vida. Se possível, dêem notícias minhas à minha filha.

– Ela saberá do seu bom ânimo e desejo de progresso. Fique tranqüila!

Dias depois, procurada por Cláudia, Márcia assevera:

– Estou ótima, Cláudia! No dia seguinte ao que você levou o meu nome para a tal reunião privativa, já acordei sem qualquer vestígio de angústia.

– Saiba, Márcia, que sua mãe compareceu a nossa reunião privativa.

– E o que disse!? Ela está bem?

– Pediu-nos que dissesse a você que está bem e em busca do entendimento maior das Leis da Vida.

– Que bom! Nós nos dávamos muito bem. Com a morte dela, me senti muito sozinha.

– Pode ficar tranqüila. Sua mãe está bem.

– Que bom saber que ela está bem, já que, no momento, eu também me sinto curada da angústia que tanto me martirizava.

– Agora, querida, que você está bem, que tal conhecer melhor o Espiritismo?! Iniciaremos nova turma do Estudo Sistemático da Doutrina Espírita. Se quiser, poderá se inscrever na secretaria.

– Já me inscrevi, Cláudia! Quero, realmente, conhecer o Espiritismo, para não ficar somente como usufrutuária de seus benefícios. E também para saber identificar o que é correto do que não é!

As duas, se abraçam, se despedem, e Cláudia fica a pensar na revelação da vidente a respeito de um obsessor reencarnatório, quando Márcia sofria realmente o resultado da presença, junto de si, do espírito da mãe, que aflita, afligia a filha, sem querer, é óbvio. O que vira aquela vidente?! Quem o sabe!?


Boletim de Junho/2006
Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:14
 

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