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O Espírita ante a atualidade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:11

Márcia, Fernando, Isabel e Leandro, vez por outra, se encontravam para conversar sobre temas espíritas. Decidiram trocar idéias sobre a página "Apelo Cristão", do Espírito André Luiz, contida no capítulo XV do livro "No Mundo Maior", editado pela Federação Espírita Brasileira e psicografado por Francisco Cândido Xavier.

Era a vez de Márcia coordenar o encontro.

- Meus amigos, a página de André Luiz trata de uma reunião a que vários religiosos, ainda encarnados, foram levados, à noite, em espírito, para ouvir a preleção do Instrutor Eusébio. De início, façamos um apanhado geral do texto. Comecemos pelo Fernando.

- Embora, Márcia, as palavras de Eusébio não tenham sido dirigidas especificamente aos espíritas, entendo que elas atendem às nossas necessidades atuais.

- E você, Leandro, o que achou?

- Impressionou-me também a atualidade das advertências de Eusébio, levantando questões que podemos aproveitar como alerta para a nossa comunidade.

- E você, Isabel?

- Estou com eles, Márcia! A fala de Eusébio tem material muito importante para nossa reflexão. Creio muito útil, para nós espíritas, avaliarmos, em conjunto, essa página de André Luiz.

- Concordo com vocês. Então, proponho que nos atenhamos àquilo que o Espírito disse e que nos interessa, de perto, como espíritas. Que acham?!

Com a concordância de todos, a avaliação tem início, na palavra de Leandro.

- Eusébio chama a atenção, companheiros, para as hostilidades francas em nome do Reino de Deus, que, por sua vez, significa amor universal e união eterna.

- E, Leandro, hostilizar está na moda. Muitas vezes, companheiros com extensa folha de serviço são colocados na berlinda, simplesmente por não concordarem com a imobilidade cultural, em nosso meio.

- É isso mesmo, Isabel. Quando alguém foge ao trivial piegas em voga, é olhado como verdadeiro herege. Como se a doutrina admitisse esse tipo de postura.

- E, muitas vezes, Fernando, as hostilidades surgem disfarçadas de uma falsa bondade, quando acompanhadas de alguns elogios e alguns tapinhas nas costas, na tentativa de camuflar o ciúme e a inveja do desempenho do outro - afirma Márcia.

E segue a discussão com Fernando realçando outro aspecto da fala do instrutor.

- Meus amigos, Eusébio questiona a redenção ao preço de simples palavras a que nenhum significado objetivo se empresta pelas atitudes. É quando o comportamento não está comprometido com o discurso, não é mesmo?!

- É isso mesmo, Fernando. Atitude muito comum no meio religioso e que devemos nos prevenir contra ela - concorda Márcia.

- Devemos estar atentos a essa dicotomia do comportamento. Por mais camuflada que se apresente, ela não deixa de traduzir o farisaísmo tão censurado por Jesus.

- E o Mestre, Isabel, que considerou os equívocos humanos de forma a mais caridosa, com tantos exemplos citados no Evangelho, não se esquivou de enfrentar com nitidez a hipocrisia, o farisaísmo, com qualificação bem definida de seus promotores: víboras, sepulcros caiados, etc! - considerou Fernando.

É Márcia quem, agora, chama a atenção para outra questão levantada pelo Espírito benfeitor.

- Há um momento interessante em que Eusébio fala que Jesus nunca foi pregador da desarmonia, jamais endossou a vaidade petulante dos que pelos lábios se declaram puros, mantendo o coração atascado no lodo miasmático do orgulho e do egoísmo fatais.

- Nesse sentido, companheiros, devemos nos precatar para não cair na condição de falsa santidade, de nos acharmos acima do bem e do mal. O resultado disso conhecemos bem - a fascinação!- realçou Fernando.

Isabel comenta: - Esse orgulho de que fala Eusébio tem também produzido muito autoritarismo, em nosso meio. Alguns se julgam donos da verdade. Acham até que a doutrina está limitada ao que sabem. Quando, muitas vezes, o que sabem é fruto de leitura apressada das obras doutrinárias. Márcia faz interessante intervenção.

- É...meus amigos! Como filhos do orgulho e do egoísmo, de que fala Eusébio, vimos assistindo, um tal apego ao poder, que, a nosso ver, vem comprometendo o desenvolvimento das instituições espíritas. Leandro, agora, destaca uma frase de Eusébio.

- Achei muito apropriado quando o instrutor propõe o seguinte: "Aguardar o Céu, menosprezando a Terra, é obra de insensatez".

- Aí está, Leandro, um golpe fatal na carolice piegas de nosso meio. A cultura humana, os valores conquistados pelos homens não podem ser desconhecidos pelos espíritas - assevera Fernando.

- E observem, amigos, que em O Livro dos Médiuns, capítulo III, Kardec contraria certas posturas monolíticas, quando afirma que o Espiritismo se relaciona com todos os problemas da Humanidade.

- É isso mesmo, Márcia! Se estamos na Terra é porque precisamos vivenciar aqui as dificuldades próprias aos homens, para o nosso crescimento espiritual. Isolar-se no formalismo religioso, a pretexto de espiritualização, não é proposta espírita - fala Isabel e, imediatamente, Fernando complementa:

- Lembremos Kardec que, na Revista Espírita de dezembro de 1868, afirma que o isolamento social, como o isolamento religioso, conduz ao egoísmo. Isabel aproveita o ensejo e lembra um aspecto grave da fala de Eusébio.

- O Instrutor, caros amigos, me colocou em estado de alerta e me fez refletir muito quando afirmou: "Sombras perturbadoras vagueiam em torno de vossos passos e de vossas instituições, em ronda sinistra".

- Essa observação me faz lembrar a imobilidade de algumas instituições, que mais parecem estar sob domínio espiritual paralisante! - exclama Leandro.

- Ora, Leandro! Sabemos que há falanges de espíritos interessadas na paralisação da comunidade espírita, para sustar o desenvolvimento e propagação da doutrina - confirma Márcia.

- Há também, e de forma ostensiva, espíritos que vêm se esforçando no sentido de fomentar nossas fraquezas, para que venhamos comprometer a doutrina. Precisamos estar vigilantes! - adverte Isabel.

- A doutrina em si mesma não será comprometida, Isabel, pois sabemos diferenciar a doutrina do movimento espírita.

- Ora, Márcia! Nós sabemos fazer essa diferença. Mas isso não acontece aí fora. Qualquer equívoco de espírita é vinculado à doutrina, infelizmente. E, em especial, por parte daqueles habituais adversários do Espiritismo. Leandro, então, enfatiza:

- E não nos esqueçamos, companheiros, de que uma das áreas em que ainda somos frágeis é a do sexo. Os diversos movimentos religiosos apresentaram e apresentam dificuldades nessa questão.

- E, nós espíritas, não estamos isentos dela! Há espíritos voltados exclusivamente para fomentar o desequilíbrio de nosso comportamento sexual, somente com a intenção de prejudicar o desenvolvimento do Espiritismo - esclarece Isabel.

- Acho justa a observação de Isabel. Precisamos estar atentos e vigilantes. A oração sincera, com fervor e confiança, nos torna mais fortes contra as tentações do mal, conforme está proposto na questão 660 de O Livro dos Espíritos - afirma Fernando.

E Márcia encaminha a finalização do encontro com uma sugestão:

- Atendamos, meus queridos amigos, à recomendação do Instrutor Eusébio, quando, quase no final da página diz: "A Crosta da Terra é atualmente um campo de batalha mais áspera, mais dolorosa... Despertai a consciência adormecida e afeiçoai-vos à Lei Divina, olvidando o cativeiro multissecular da ilusão".

- Não podemos sair desse encontro com uma postura alienada, achando que tudo está bem. Que tudo está maravilhoso. A consciência de cada um de nós deverá falar mais alto - propõe Leandro.

- A página do Instrutor Eusébio nos mostra a gravidade do momento e a necessidade urgente de reflexões sérias, no sentido de nos precavermos contra as insinuações do mal - lembra Fernando.

- Não devemos nos entregar ao desânimo. Que as advertências do benfeitor espiritual possam ter servido para nos colocar atentos e alertas. Confiemos e busquemos nos tornar dignos do trabalho na seara espírita - considera Isabel.

E os quatro amigos se despediram. Saíram dali pensativos, preocupados e mais conscientes de suas responsabilidades, considerando a gravidade do momento por que passa a Humanidade.

Boletim de Janeiro/2005

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:16
 

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