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O amor cobre a multidão dos pecados PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 15:09

Nair e Geraldo estavam casados há dez anos e se amavam muito. Ela, desejosa de ser mãe, não conseguia alcançar o seu objetivo.
– Já me tratei com ótimos médicos, Geraldo, mas não consigo engravidar!
– Meu bem, não é hora de desanimar!
– Está sendo uma grande prova pra mim. Sempre desejei ser mãe.
– Se permanecer a dificuldade, Nair, poderemos consultar um médico que trabalha com reprodução humana.
– Só mesmo como último recurso!
No dia seguinte, Geraldo fala do resultado do exame a que se submetera.
– Nair, pelo que entendi, nada tenho que impeça a sua gravidez.
E Geraldo insiste:
– Querida, vamos a um médico que realize fertilização “in vitro”!
– Apesar de achar interessante esse avanço da ciência, não me sinto à vontade, no meu caso, para utilizá-lo.
– Mas, por quê, Nair?
– Eu mesma não sei explicar. Sinto que não é o meu caso.
– O que faremos, então?
– Se você concordar, querido, poderemos nos integrar num trabalho de amparo à criança carente.
– Que idéia é essa, meu bem?!
– Estou cansada dessa busca para engravidar.
– Mas, afinal, o que esse trabalho significa para você?
– Quero me desligar, pelo menos por algum tempo, dessa ansiedade que tenho vivido para ser mãe. Isso não me está fazendo bem, Geraldo.
– Eu também acho, Nair!
– Por isso, acho que uma parada nessa busca poderá me fazer bem!
– Tudo bem, querida. Se isso lhe será benéfico, estaremos juntos no trabalho.
– Gostaria de cuidar de crianças carentes, novinhas – bebês mesmo!
– Poderemos, então, nos apresentar como voluntários numa creche para carentes.
Transcorridos cinco meses de trabalho numa creche para crianças carentes, Nair volta a conversar com o marido sobre a possibilidade de terem um filho.
– Geraldo! Pensei que esse trabalho na creche pudesse me sossegar a propósito do desejo de ter um filho.
– O que, realmente, a preocupa, meu bem?
– Você não fala, Geraldo, mas sei que é louco para ter um filho!
– Mas, estamos na busca dessa realização, meu bem.
– Porém, sem resultado. E, por isso, sinto-me muito insegura!
– Em que sentido, Nair?
– Penso que, se não lhe der um filho, você poderá deixar de me amar. E isso tem sido um tormento pra mim, Geraldo.
– Bobinha! Tá inventando coisa! Tá viajando demais!
– O certo é que isso me traz uma grande insegurança.
– Se é assim, Nair, por que não adotamos um bebê?
– Não é a mesma coisa!
– Quando você tiver nos braços um bebê sob seus cuidados exclusivos, certamente mudará de opinião. E quando ele te chamar de mãe, nem se fala!
– Taí! Esse assunto mexeu comigo.
– Poderemos até adotar um desses mais novinhos, que foram abandonados na creche há poucos dias.
E Nair, a essa altura empolgada, observa:
– Tem um que acho uma gracinha. Venho afeiçoando-me a ele. Outro dia, entristeceu-me o fato de ir para casa e ter que deixá-lo aqui.
– Ora, Nair, a solução já está em andamento! Basta você dizer sim.
– E, se é para o bem de todos e felicidade do nosso lar, eu digo sim.
Nair se mostrava entusiasmada. O casal, então, adotou legalmente o Renato.
– Adotar o Renato foi a melhor coisa que fizemos, Geraldo.
– Foi bom para nós três!
– Estou outra mulher. Mais segura, até porque você está totalmente integrado na condição de pai.
E o casal já discute a educação do Renato:
– Entendo, Nair, que o Renato deva ser criado sabendo que não é nosso filho biológico, mas sim do coração, o que, no fundo, parece-me muito mais importante.
– Justamente, querido! Deve ser frustrante saber da verdade pelos outros.
– Conheço um caso que a filha se revoltou com os pais, quando soube, através de uma carta anônima, que era adotada.
E Renato era criado com todo o carinho. Depois de o garoto completar cinco anos, surge uma novidade.
– Preciso ir ao médico, Geraldo. Não venho me sentindo muito bem.
– Quer que eu a acompanhe?
– Não há necessidade, querido.
Nair chega do médico e Geraldo a recebe.
– Senta, Geraldo!
– Para que, Nair? Não estou cansado.
– Senta, porque vou lhe dar uma notícia que é uma bomba.
– Fala logo, querida! Estou assustado.
– Estou grávida, maridão!
– O quê?
– Vamos ter um bebê, seu bobo!
– Não acredito!
– Pois foi o que o médico me afiançou! Farei os exames complementares na próxima semana!
– O Renato terá um irmão. Que bom!
– Ou uma irmã!
– Precisamos nos preparar, querida, para que sejamos capazes de não diferenciar um do outro, no tratamento.
– Os dois já são meus filhos, indistintamente!
Logo depois da auspiciosa notícia, Margarida, vizinha muito amiga de Nair, que é espírita, toca a campainha.
– Entre, Margarida! Hoje é dia de festa na casa.
– Sejamos educados, meu bem, busquemos saber primeiro o motivo da vinda da Margarida.
– Então, vamos lá: o que deseja a minha nobre e exultante amiga Margarida?
– O exultante é por sua conta, Nair!
– Que seja!
– Vim aqui trazer-lhe uma mensagem que foi psicografada no centro e que se destina ao casal.
– É mesmo?! Nunca tinha recebido uma mensagem dos Espíritos.
– Leia pra nós, Margarida – solicita Geraldo.
– É de um Espírito que se disse ligado a vocês pelos laços da eternidade. Assinou Amigo de Sempre. Diz ele:
“A vocês, meus amados amigos de sempre, meus votos de paz. O casal está vivenciando o ensinamento contido na primeira epístola de Pedro, em que o apóstolo do Cristo afirmou que “o amor cobre a multidão dos pecados”. A maternidade natural não lhes estava traçada para essa nova existência, devido a desacertos passados. No entanto, o amor que dedicaram aos filhos dos outros foi tão genuíno que acabou desfazendo os entraves existentes. E, assim, amigos queridos, preparem para receber em seu lar um espírito muito necessitado desse amor, que demonstraram serem capazes de doar.”
Nair e Geraldo estavam atônitos.
– Como pode isso, Margarida? Você já sabia? – questiona Geraldo.
– Sabia o quê, Geraldo?
– Ela não podia saber de nada, Geraldo. Eu soube do resultado hoje!
– Não estou entendendo! Quando li a mensagem imaginei que estivessem pretendendo adotar outra criança.
– Nada disso, minha amiga. Eu estou grávida!
E a alegria foi geral. Nove meses depois nascia Maria Célia, portadora da síndrome de Down, que passara a ter três amigos a lhe ampararem o caminho da redenção. Renato se mostrou um grande amigo do casal e um especial colaborador na educação de Maria Célia. É a Vida gerindo o progresso, através do amor.

Boletim de Dezembro/2008

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:16
 

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