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No universo da caridade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 13:30

Jonas, presidente do Centro Espírita Renovação, participa de um encontro de dirigentes espíritas, ocasião em que tem oportunidade de rever velhos amigos. No intervalo dos trabalhos, é procurado por Leôncio, presidente do Grupo Espírita Esperança.

– Olá, Jonas!

– Oi, Leôncio! Que satisfação encontrá-lo, amigo.

- E o nosso Renovação, Jonas, como vai?

– Muito trabalho e poucos trabalhadores. Porém, estamos tentando dar conta do recado.

– Esse problema é comum às casas espíritas, companheiro.

– Há um assunto, Leôncio, sobre o qual gostaria de trocar idéias com você.

E Leôncio, curioso, indaga:

– Do que se trata, Jonas? Vamos direto ao assunto, pois o tempo de que dispomos é pouco.

- Estamos sob um terrível assédio de pessoas que buscam o nosso centro para pedir dinheiro. E, já comprovamos, em vários casos, tratar-se de golpe em cima da casa espírita.

– Esse negócio do espírita querer ser “bonzinho”, Jonas, é que dificulta a solução desse tipo de problema.

– Eu também acho. Mas o que fazer?!

– Raciocinemos juntos, Jonas: qual a função principal da casa espírita?

Jonas, prontamente, responde:

– Estudar, divulgar e praticar o Espiritismo. Incluindo, aí, é claro, a prática da caridade.

– O Espiritismo, Jonas, tem compromisso com a verdadeira caridade. A pretexto de fazer caridade, poderemos estar alimentando vícios e o comodismo de muita gente.

– Já fomos enganados várias vezes, Leôncio. Muitas vezes cedemos às pressões dos companheiros e damos dinheiro a pessoas que, depois, ficamos sabendo, nos enganaram.

- No Grupo Esperança não damos dinheiro a ninguém. Temos um trabalho assistencial voltado para a promoção do indivíduo e da família.

– E lá, no Esperança, não chegam pessoas pedindo dinheiro?

– Chegam sim. Mas, ultimamente, diminuiu muito o número dos que nos procuram nesse sentido.

– Quando acontece um caso, como vocês, do Esperança, resolvem?

– Avisamos, de pronto, Jonas, que não damos dinheiro e convidamos a pessoa para assistir às nossas reuniões públicas e conhecer a Doutrina Espírita.

– E o resultado?

– Não faltarão argumentações para nos demover do nosso propósito. E eles são muito sabidos. Procuram, antes, saber do nome do presidente. E chegam no centro chamando por ele, a mando de alguma figura importante do nosso meio.

– No nosso centro também, Leôncio. Eles mentem e, quando vamos descobrindo, na conversa, as mentiras, eles se revoltam. E, muitas vezes, saem do centro dizendo palavras de baixo calão.

– Chegam mansinhos, como cordeiros. Quando percebem que não atenderemos às suas intenções, passam a nos agredir com palavras duras. É sempre assim.

Nesse instante, se aproxima Helena, presidente do Centro Espírita Caridade.

– Quando vocês se juntam, o assunto dá samba!

– E esse dá samba rasgado, Helena. Que alegria revê-la, minha irmã! – fala Leôncio.

– E o centro, Helena?

– Dentro dos conformes, Jonas. Muita luta, muito trabalho, poucos trabalhadores. Mas a gente não desanima não.

– Isso mesmo! Dirigir uma casa espírita, na atualidade, é um desafio à nossa capacidade de servir ao progresso na divulgação e na prática do Espiritismo.

– De longe, percebi que a conversa devia ser interessante, pelo ânimo dos dois.

- Estou conversando com o Leôncio sobre as pessoas que, freqüentemente, estão pedindo dinheiro no centro.

– E, as mais das vezes, com falsas necessidades.

No nosso centro, não damos dinheiro – afirma Helena.

– Já falei com Jonas que, no nosso, também não damos.

– É claro, companheiros, que há casos que o nosso centro acompanha, com sindicância periódica, e determinadas ocasiões requerem que realizemos alguma despesa, porém, sempre com conhecimento de causa e comprovação da necessidade.

– Isso é outra coisa, Helena. É uma atitude de exceção e sensatez - observa Leôncio.

– Lá, no Renovação, vimos observando um fenômeno interessante: na semana seguinte à realização de um almoço beneficente ou de evento para arrecadação de recursos, aparecem várias pessoas pedindo dinheiro. E querem quantias altas!

– Eles buscam saber as realizações do centro, nesse sentido, para melhor agirem – acrescenta Leôncio.

- Essa questão foi avaliada em várias reuniões de diretoria do nosso Caridade, pois tivemos graves decepções! E Helena continua:

– Observamos que, quando a pessoa apresenta um pedido de dinheiro urgente, urgentíssimo, que tem que ser atendido naquele momento, normalmente, é golpe.

– Eu também já vinha pensando nisso. As pessoas chegam logo dizendo que precisam do dinheiro para aquele dia, para aquele momento - adita Jonas.

– Tentam colocar a gente contra a parede. Acho que, os que realmente precisam, jamais agem dessa maneira – avalia Leôncio.

– Há pouco tempo me telefonaram do Centro, estando eu em casa acompanhando o Fábio nos deveres escolares. Apareceu no centro um senhor procurando por dona Helena, a presidente do centro. Queria dinheiro para enterrar o corpo de seu filho, morto num acidente.

– Já aconteceu isso, também, no Renovação. O homem chorava que dava dó.

– Isso mesmo, Jonas. Esse também se derramou num pranto incontido, que comoveu a companheira que o atendeu.

- E daí, Helena? Como foi resolvido o problema?– quer saber Leôncio.

– Telefonei para o tesoureiro, que mora pertinho do centro. Acertamos que ele iria acompanhar o homem e providenciar o enterro, ao invés de, simplesmente, dar o dinheiro.

- Deu certo essa medida?!

– Que nada, Jonas! A pessoa que o atendeu, no centro, esclareceu que não damos dinheiro. Pediu, no entanto, que ele esperasse, pois estava indo um diretor da casa para acompanhá-lo na solução do problema.

– Já sei no que deu. Já vi esse filme – diz Leôncio, sorrindo.

- Pois é, meus amigos! Ele pediu licença para avisar aos parentes, dizendo que voltaria já. E nunca mais voltou.

Aí, Jonas também se lembra de um caso ocorrido há pouco tempo:

– Há poucos dias, chegou um rapaz com uma lista, dizendo que morava na mesma rua do centro e pedindo dinheiro para comprar medicamentos para seu filho que estava à morte.

– Eles tentam todos os meios para sensibilizar quem os atende – assevera Helena.

– Quando lhe propusemos arranjar os remédios através de médica nossa conhecida, ele só faltou me xingar. Alegou que precisava para aquele momento, pois o filho estava à morte. Por sorte nossa, a médica estava no centro e até se ofereceu a ir a sua casa, naquele instante, levando os remédios.

– E como acabou essa história, Jonas?

– Da mesma forma que a contada pela Helena. Ele pediu para dar uma saidinha, dizendo que voltaria já. E nunca mais voltou.

– Esses casos confirmam a tal urgência, urgentíssima, do dinheiro, que disfarça a verdadeira intenção do pedinte. E acaba confundindo e sensibilizando as pessoas pela dramatização de uma história triste, comovedora – finaliza Helena.

Chamados para o recomeço dos trabalhos, os três dirigentes se despedem levando, cada um, em suas mentes, material para novas reflexões sobre o assunto tratado. Será caridade deixar-se enganar?

Boletim de Janeir/2007

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:17
 

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