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No lar e no centro PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 13:29

Jorge e Isaura têm dois filhos, Renata e Mateus. A família participa da Casa Espírita Trabalhadores do Bem. Léo, cujo pai é o presidente do centro, aborda Renata, companheira da Mocidade.
– Ah, Renata! Como gostaria de ter um pai como o seu.
– Como assim, Léo?
– Seu pai deve ser o máximo em casa! Quando ele fala, na reunião da mocidade, todos os jovens comentam sobre sua forma tranquila e talentosa de ser.
– O pessoal vê o pai dessa forma, amigo?!
– Só escuto elogios, dos jovens, ao modo de ser do seu pai.
– Mas, Léo, meu pai é um homem como os outros. Também tem as suas falhas.
– Acho que ele deve ser aquele paizão, Renata! Compreensivo. Enérgico, mas muito afetuoso com os filhos, não é mesmo?
– Eu acho que você está extrapolando, Léo!
– Todos, no centro, admiram muito o “seo” Jorge, Renata. Trata todos com gentileza e afeto. Gostaria que meu pai fosse como o seu!
– Léo! Você está viajando demais, meu querido. Você tem um pai ótimo!
– Passe a morar lá em casa para conhecer melhor o pai, Renata!
– O mesmo digo pra você! Na intimidade, as coisas, às vezes, se passam de forma bem diferente daquela que a nossa imaginação é capaz de criar.
– Meu pai é muito exigente conosco em casa!
– E o é também na casa espírita, amigo!
– Acho que algumas pessoas, no centro, não gostam muito do modo dele agir.
– Pois eu passo a apreciá-lo mais ainda, depois dessa informação de que ele é exigente também com os de casa.
– Você acha isso um mérito, Renata?
– Pelo menos ele é coerente, amigo! Age no centro da mesma forma que em casa e vice-versa.
– Então, você aprova o modo de ele conduzir a casa espírita? Você não o acha disciplinador demais?!
– O centro, depois que ele assumiu a direção, passou a ter nova cara, Léo! Ele permite que todos manifestem seus pontos-de-vista, seus anseios e propósitos.
– Percebo, no centro, em alguns comentários que ouço uma ponta de insatisfação de algumas pessoas com o modo de agir um tanto disciplinador de meu pai.
– Se ele conduz sua tarefa com energia, não deixa, porém, de ser objetivo e benevolente, não só quando fala, mas também quando age. O trabalho da Mocidade, Léo, por exemplo, tomou novo rumo com seu sistema de ouvir os jovens e evangelizadores, para juntos tomarem decisões.
– É! O número de jovens tem aumentado gradativamente. Talvez esteja julgando muito severamente meu pai. Ele, em casa, também nada decide sem consultar e ouvir todos os interessados. O consenso tem sido a forma de encontrar caminhos de solução, lá em casa.
E os dois encerram o papo. Renata, no caminho de casa, continua pensando na conversa que tivera com Léo. Ao chegar a casa é recebida por Isaura.
– Prepare-se, filha! Seu pai está uma fera. Quer saber quem a autorizou a faltar ao centro na semana passada. Lá vem ele!
– Renata! Você está muito saidinha. Soube, no centro, que você não esteve presente à reunião da mocidade da semana passada. Quem autorizou você faltar à reunião?
– Primeiramente, boa noite, pai!
– Deixemos de mesuras! Eu quero é uma boa justificativa para sua ausência ao centro.
– No dia da reunião, comentei que precisava ficar em casa para estudar, pois teria prova de matemática no dia seguinte. Precisava repassar matéria nova, não muito bem assimilada.
– E aí você entendeu que eu havia concordado!
– Sim! Pelo visto, você nem prestou atenção no que falei, tão apressado que estava para ir à reunião de inauguração de um centro espírita, no centro da cidade.
– A Renata, Jorge, realmente falou sobre a necessidade de ficar em casa para estudar naquela noite. Não vejo nenhum mal nisso, considerando, inclusive, que ela é pontual nos seus compromissos com a casa espírita. E interessada no aprendizado da doutrina!
– E você, Isaura, ainda se coloca contra mim! Não tire minha autoridade junto a Renata.
– É melhor deixarmos essa conversa para outra hora. Você está muito alterado, Jorge. E sem necessidade alguma!
Nesse instante, chega a casa Mateus, que pressentindo o ambiente um tanto tenso, exclama:
– Parece que passou um terremoto por aqui!
– Passou sim, seu atrevido!
– Peraí, pai! Calma! Sou inocente. Não fiz nada. Tirei nota boa na prova.
– Embora você não tenha se interessado em saber, pai, tirei 9,5 em matemática – adianta Renata.
– Você é um crânio, maninha! Tô com você e não abro.
– Chega de brincadeira, Mateus! – assevera Jorge.
Isaura, interessada em modificar o ambiente, muda o rumo da conversa.
– Servirei o jantar logo. Fiz aquele peixe assado de que todos gostam. Está saborosíssimo!
– Não vou jantar! Perdi a fome. Vou para o quarto – decide Jorge.
Durante o jantar os filhos trocam idéias com a mãe, e Mateus fica sabendo do ocorrido.
– O papai tem cada uma! Se fosse comigo, ainda passava. Mas, com a Renata, que sempre é tão certinha!
– Ele precisa de nossa ajuda, meninos!
– Ele precisa é voltar para a evangelização infanto-juvenil. Na minha turma tem vaga!
– Que é isso, Mateus?! Mais respeito com seu pai!
– Estou tentando desanuviar o ambiente, mãe.
E Isaura desabafa com os filhos.
– Para mim está sendo muito difícil lidar com o Jorge. Já sugeri que ele procurasse um médico ou uma terapia psicológica. Ele não aceita! Acha que o Espiritismo basta. Sua irritação conosco, em casa, cresce dia-a-dia.
– Ouçam, só, uma coisa: hoje mesmo, o Léo, lá no centro, estava elogiando o papai. Disse-me que ele deveria ser um pai muito afetuoso, considerando a forma como trata o pessoal no centro.
– Seria ótimo, mana, se ele nos tratasse, aqui em casa, como trata o pessoal lá no centro.
– Ou, também, Mateus, como nos trata quando estamos lá no centro!
– A solução, então, Renata, é nós nos mudarmos para o centro. Ou trazermos o pessoal do centro para morar conosco.
Isaura e Renata, compreendendo a intenção de Mateus, riem.
– Só você mesmo, meu filho, para me fazer rir nesse momento. Sou muito grata a Deus pelos filhos que me deu!
– Fiquei numa situação muito difícil na conversa com o Léo. Não podia mentir, mas também não queria expor o papai, falando a verdade. Ele está precisando de ajuda. Vamos os três, lá no quarto, tentar mudar o clima.
Aí, a surpresa: a porta do quarto estava trancada, como trancado ainda se achava o coração de Jorge àquelas três almas que tinha como companheiras no próprio lar.

Boletim de Setembro/2009

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:19
 

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