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Meu guia espiritual (2) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 13:14

Hyppolite Léon Denizard Rivail, na noite de 24 de março de 1856, trabalhando em seu gabinete, ouviu repetidas batidas na divisória que o separava do cômodo vizinho.
– Ora! Que batidas são essas?
E Hippolyte pensa alto:
– Certamente é algo passageiro, ocasional, fortuito.
Com a persistência das batidas, Hyppolite passou a examinar sua procedência.
– Por mais que procure não encontro nada que justifique essas batidas. Muito estranho tudo isso.
Sua esposa Amélie Boudet, Gabi como a chamava, chega às 22 horas.
– Gabi, há algo estranho acontecendo com essa divisória!
– E o que está acontecendo, Hyppolite?
– Ouves algum barulho, Gabi?
– Sim, ouço batidas na divisória.
– É isso mesmo!
– E que batidas são essas Hyppolite?
– Não sei, Gabi. Já faz uma hora que as estou ouvindo, sem conseguir descobrir-lhes a causa.
À meia-noite as batidas ainda se faziam ouvir.
– Hyppolite! Já está tarde, vamos dormir.
– Vamos sim, Gabi. Nem com a sua ajuda consegui descobrir a origem dessas estranhas batidas.
No dia seguinte, 25 de março de 1856, em sessão na casa do Sr. Baudin, Hyppolite comenta com os presentes o fato ocorrido na noite anterior em sua casa. Logo a seguir, ele tem a possibilidade de conversar sobre o assunto com um Espírito Benfeitor, através da mediunidade da Srta. Baudin.
– Naturalmente, Bom Espírito, ouvistes o fato que acabei de narrar.
– Sim! Ouvi todo o seu relato.
– Poderíeis dizer-me a causa daquelas batidas que se fizeram ouvir, com tanta persistência, em minha casa?
– Era o teu Espírito familiar.
– Com que fim batia ele daquele jeito?
– Queria comunicar-se contigo.
– Poderíeis dizer-me quem é ele e o que desejava de mim?
– Podes perguntar-lhe tu mesmo, porque ele está aqui.
Então, Hippolyte passa a travar interessante diálogo com o seu Espírito familiar.
– Espírito familiar, quem quer que sejais, agradeço-vos por terdes ido visitar-me.
– Foi uma visita de trabalho!
– Podeis dizer-me quem sois?
– Para ti eu me chamarei a Verdade. E todos os meses aqui estarei à tua disposição por um quarto de hora.
– Ontem, dando aquelas batidas enquanto eu trabalhava, tínheis alguma coisa de particular a me dizer?
– O que eu tinha a dizer-te refere-se ao trabalho que fazias. Desagradava-me o que escrevias e eu queria que parasses.
O que Hyppolite, na ocasião, escrevia era relativo aos estudos que estava fazendo sobre os Espíritos e suas manifestações, que comporiam mais tarde O Livro dos Espíritos. E o diálogo prossegue.
– Vossa desaprovação era quanto ao capítulo que eu estava escrevendo ou quanto à obra toda?
– Era quanto ao capítulo em que trabalhavas ontem. Quero que tu mesmo julgues. Relê esta noite o que escreveste. Verás os teus erros e os corrigirás.
– Eu mesmo não estava muito satisfeito com aquele capítulo e já o refiz hoje. Ficou melhor?
– Está melhor, mas ainda não está bom. Lê da terceira à trigésima linha e encontrarás um erro grave.
– Mas eu rasguei o que havia escrito ontem.
– Não importa. O fato de teres rasgado não impede que o erro persista. Relê e verás.
E Hippolyte procura saber mais sobre o Espírito.
– O nome de Verdade, que tomaste, é uma alusão à verdade que procuro?
– Talvez! Pelo menos é um guia que te protegerá e te ajudará.
– Posso evocar-vos em minha casa?
– Sim, para eu assistir-te em pensamento. Quanto a respostas escritas em tua casa, levarás muito tempo para obtê-las.
– Poderíeis vir mais de uma vez por mês?
– Sim, mas até nova ordem, não prometo senão uma vez por mês.
– Animastes algum personagem conhecido na Terra?
– Disse que para ti eu sou A Verdade. Este “para ti” significa discrição. Não irás saber mais nada.
No dia 9 de abril de 1856, novamente na casa do Sr. Baudin e através da médium Srta. Baudin, volta Hippolyte a dialogar com o Espírito “A Verdade”.
– Criticastes o trabalho que eu estava fazendo naquele dia e tínheis razão.
– Descobristes o erro?
– Reli o trabalho e descobri, na trigésima linha, um erro, contra o qual protestastes com aquelas batidas.
– Foi somente esse o erro encontrado?
– Não! Descobri outras falhas e refiz o trabalho. Estais agora mais satisfeito?
– Acho-o melhor, mas peço-te que esperes um mês para publicá-lo.
– Que quereis dizer com publicá-lo?
– Organizar os escritos, mandar imprimi-los e divulgá-los.
– Certamente que eu ainda não tive a intenção de fazê-lo, se é que os publicarei algum dia.
– Não mostres o trabalho a estranhos. Arranja um pretexto para recusá-lo aos que to pedirem. E terás tempo para melhorá-lo.
– Atenderei a vossa instrução.
– Faço-te esta recomendação para evitar a crítica. Zelo pelo teu amor-próprio.
Hyppolite, mais tarde, já na condição de codificador do Espiritismo, e então usando o pseudônimo de Allan Kardec, fez a seguinte avaliação:
– A proteção desse Espírito, de cuja superioridade eu estava longe de suspeitar, nunca me faltou. Sua solicitude e a dos bons Espíritos sob suas ordens fizeram-me sentir em todas as circunstâncias de minha vida, tanto levando-me a vencer dificuldades materiais como facilitando-me a realização de minhas obras e preservando-me dos efeitos da malevolência de antagonistas.
E Hippolyte, assim, concluiu:
– Se as tribulações inerentes à missão que eu tinha a cumprir não me puderam ser poupadas, foram sempre atenuadas e grandemente compensadas por bem agradáveis satisfações morais.

(Adaptação de Jayme Lobato, de texto contido no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec)

Boletim de Outubro/2008

 

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