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Escrito por Jayme Lobato   
Ter, 15 de Fevereiro de 2011 13:10

O professor Rivail e sua esposa, Amélie Boudet, moravam, na época, na Rua dos Mártires n° 8, 2° andar, nos fundos da casa. Ele, certa noite, trabalhando em seu gabinete, começou a ouvir repetidas batidas no tabique que o separava do cômodo vizinho:

– Que barulho estranho esse!

O professor fica intrigado:

- Parece que estão batendo no tabique!!!...

E, aí, ele exclama:

- Não deve ser nada! Preciso continuar meu trabalho.

Como, porém, as batidas persistissem com mais força, mudando de lugar, Rivail examinou, minuciosamente, os dois lados do tabique. Nada encontrando que justificasse o barulho. E voltou a avaliar o caso:

- O interessante é que quando vou examinar, o barulho cessa, recomeçando logo que me ponho a trabalhar.

Cerca das 22 horas, chega à casa sua mulher, Amélie Gabrielle Boudet. Ela vai ao gabinete de Rivail e ouve o barulho.

– Que batidas são essas no tabique, meu caro marido?

– Não sei, Gabi! Já faz uma hora que as estou ouvindo. Curiosos com o acontecido, os dois, juntos, procuram a origem do barulho, sem obterem êxito.

– Já é meia-noite, Gabi, vamos dormir! No dia seguinte, 25 de março de 1856, o professor Rivail vai à sessão em casa do Sr. Baudin e conta o fato ocorrido em sua residência, na noite anterior. E, a propósito, vindo a se manifestar um Espírito benfeitor, Rivail se dirige a ele:

– Bondoso Espírito, naturalmente ouviste o fato que acabei de contar. Seria possível dizer-me a causa daquelas batidas, que se fizeram ouvir com tanta persistência, em minha residência?

– Era o teu Espírito Familiar – responde o benfeitor espiritual.

Nessa época não se fazia distinção entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos, confundindo todos sob a denominação geral de espíritos familiares.

E Rivail quer saber mais:

– Com que fim batia ele daquele jeito, com insistência?

– Queria comunicar-se contigo – assevera o espírito.

– Poderias dizer-me quem é ele e o que desejava de mim?

– Podes perguntar-lhe tu mesmo, porque ele está aqui.

Aí, o Professor Rivail roga:

– Espírito familiar, quem quer que sejas, agradeço-te por teres me visitado. Podes dizer-me quem sois?

E o protetor responde, com clareza e objetividade:

– Para ti eu me chamarei “A Verdade”, e todos os meses aqui estarei à tua disposição por um quarto de hora.

Rivail, visivelmente interessado, continua o diálogo:

– Ontem, ao dar aquelas batidas enquanto eu trabalhava, tinhas alguma coisa de particular a dizer-me?

– O que eu tinha a dizer-te refere-se ao trabalho que fazias. Desagradava-me o que escrevias e eu queria que parasses.

E Rivail, então, quer se profundar no assunto:

– Vossa desaprovação era quanto ao capítulo que eu estava escrevendo ou quanto à obra toda?

– Era quanto ao capítulo de ontem. Quero que tu mesmo julgues. Relê esta noite o que escreveste. Verás teus erros e os corrigirás.

– Eu mesmo não estava muito satisfeito com aquele capítulo e já o refiz hoje. Ficou melhor?

– Está melhor, mas ainda não está bom. Lê da terceira à trigésima linha, e encontrarás um erro grave.

– Mas eu rasguei o que havia escrito ontem!

– Não importa. O fato de teres rasgado não impede que o erro subsista. Relê e verás.

– O nome de “Verdade”, que tomaste, é uma alusão à verdade que procuro?

– Talvez. Pelo menos é um guia que te protegerá e te ajudará.

O professor Rivail ainda quer saber mais um pouco:

– Posso evocar-te em minha casa?

– Sim, podes, para eu assistir-te em pensamento.

– Poderias vir mais de uma vez por mês?

– Sim, poderia. Mas, até nova ordem, não prometo senão uma vez por mês.

– Animastes algum personagem conhecido na Terra?

– Disse que para ti eu era “A Verdade”. Este para ti significa discrição. Não irás saber mais nada, por enquanto.

No dia 9 de abril, do mesmo ano de 1856, na casa do Sr. Baudin, volta Rivail a conversar com o Espírito “A Verdade”:

– Criticaste o trabalho que eu estava fazendo naquele dia e tinhas razão. Reli-o e descobri, na trigésima linha, um erro contra o qual protestastes com aquelas batidas. Aquilo me fez descobrir outras falhas e refazer meu trabalho. Estás agora mais satisfeito?

– Acho-o melhor, mas peço-te que esperes mais tempo para publicá-lo.

– Que queres dizer com publicá-lo? Certamente que eu ainda não tive a intenção de fazê-lo, se é que o publicarei algum dia.

– Quero dizer: mostrá-lo a estranhos. Arranja um pretexto para recusá-lo aos que te pedirem para vê-lo. Assim, terás tempo para melhorá-lo. Faço-te esta recomendação para evitar a crítica. Zelo por teu amor-próprio.

– Disseste-me que serias para mim um Guia que me ajudaria e protegeria. Compreendo esta proteção e sua finalidade dentro de certa ordem de coisas. Poderias dizer-me se esta proteção se estende também às coisas materiais da vida?

– Aqui, na Terra, a vida material tem muita importância. Não te ajudar a viver seria não te amar.

E Rivail, mais tarde, já na condição de Allan Kardec, vem a declarar:

– A proteção desse Espírito, de cuja superioridade eu estava longe de suspeitar, nunca me faltou. Sua solicitude e a dos bons Espíritos sob suas ordens fizeram-se sentir em todas as circunstâncias de minha vida, tanto levando-me a vencer dificuldades materiais, como facilitando-me a realização de minhas obras e preservando-me dos efeitos da malevolência de antagonistas, sempre reduzidos à impotência. Se as tribulações inerentes à missão que eu tinha a cumprir não me puderam ser poupadas, foram sempre atenuadas e grandemente compensadas por bem agradáveis satisfações morais.

Nota: adaptação de Jayme Lobato de texto contido no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec, edição LAKE.

Boletim de Outubro/2005

 

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