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Evocação de espíritos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:28

No estudo sistemático das obras de Allan Kardec, o grupo coordenado por Roberto está estudando O Livro dos Médiuns. Após os devidos cumprimentos e a prece inicial, os trabalhos se desenvolvem.
– Queridos amigos, conforme combinado na reunião anterior, apreciaremos hoje o tema “Das evocações”, que corresponde ao capítulo XXV de O Livro dos Médiuns. Espero que todos tenham estudado o assunto.
– Ainda não tinha tido contato com esse capítulo, Roberto.
– O texto é muito interessante, Helena.
– Ao lê-lo, surpreendi-me muito, pois o que sabia até então sobre o assunto era resultado da opinião dos outros.
– Por isso, Helena, é muito proveitoso esse contato direto com as obras de Kardec.
– O codificador coloca o assunto de maneira clara e bem diversa daquela que é veiculada no nosso meio.
– Então, vamos ao tema. Primeiramente, o mestre de Lion esclarece que os espíritos podem comunicar-se espontaneamente ou atender ao nosso apelo, isto é, ser evocados.
Sérgio, então, comenta:
– Roberto! Kardec ainda reconhece como equivocada a idéia de que não devemos evocar nenhum espírito.
– E ele, Sérgio, – fala Helena – justifica essa posição dizendo que não chamar nenhum espírito em particular é abrir a porta a todos os que querem entrar.
– Certo! E achei interessante, Helena, quando o codificador diz que o apelo direto a determinado espírito estabelece um laço entre ele e nós: o chamamos por nossa vontade e assim opomos uma espécie de barreira aos espíritos intrusos.
– É dito, também, por Kardec – esclarece Roberto – que as duas maneiras de se buscar uma manifestação, ou seja, a espontânea e a por evocação, têm as suas vantagens e só haveria inconveniente na exclusão de uma delas.
– E, Roberto, ele enfatiza que quando se quer comunicar com um espírito determinado é absolutamente necessário evocá-lo.
– Correto, Sérgio!
Helena observa:
– O mestre de Lion muito bem esclarece que quando nos preocupamos com determinado espírito nós já o estamos evocando.
– Ou seja, Helena, a evocação não se faz somente por chamamentos verbais, mas também pelo pensamento.
– Isso mesmo! Ele ainda diz que o preocupar-se com determinado espírito é uma espécie de evocação.
– E tem mais, Helena, no item 274, o codificador diz que podemos evocar todos os espíritos, seja qual for o grau da escala a que pertençam.
– Mas, Sérgio, ele adverte que isso não quer dizer que os espíritos sempre queiram ou possam atender ao nosso apelo.
– Boa intervenção, Helena! – exclama Roberto. Independente da sua própria vontade ou de não terem permissão superior para se manifestarem, os espíritos podem estar impedidos de fazê-lo por motivos que nem sempre podemos conhecer.
– Ou melhor: podemos evocar qualquer espírito, o que não quer dizer, necessariamente, que ele se manifeste, pois isso depende de vários fatores – complementa Sérgio.
– É isso aí, Sérgio. O espírito evocado pode estar numa ocupação ou mesmo numa missão, impossibilitado de se manifestar – diz Helena.
– Outro fator impeditivo à manifestação é a condição do espírito, pois ele pode estar sem condições de fazê-lo.
Roberto, então, adverte:
– Amigos, não devemos esquecer a qualificação da equipe mediúnica.
– Taí um assunto importante! - exclama Helena.
– Há muitos anos lido com mediunidade – relata Roberto – e percebo que o mais importante não é se a manifestação é espontânea ou se é por evocação, mas sim as condições da equipe mediúnica.
– Aliás, Kardec nos aconselha a perguntar ao guia protetor dos trabalhos se a evocação é possível. No caso de não o ser, ele geralmente dá as razões do impedimento e então seria inútil insistir – lembra Sérgio.
– E o que vocês entenderam com relação aos espíritos maus? Podemos evocá-los?
– Sim, Roberto! Kardec diz que não há inconveniente quando se faz a evocação com um fim sério, instrutivo e tendo em vista a melhoria do espírito.
– E, observamos na Revista Espírita, Sérgio, várias curas de processos obsessivos realizadas por Kardec, através da evocação dos espíritos obsessores.
Nesse instante, Haroldo entra na discussão:
– Mas, companheiros, já ouvi de algumas lideranças espíritas que Kardec evocava espíritos porque ele tinha a missão de codificar o Espiritismo, o que não é nosso caso.
– Mas, Haroldo, não era só ele quem evocava – declara Helena.
– Isso mesmo, Helena! Li, na Revista Espírita, curas de obsessão feitas por grupos de Marmande, de Bordéus, de Lion e de vários centros espíritas do exterior, todas elas realizadas por meio da evocação dos obsessores.
– É, Sérgio! Isso mostra a inconsistência dessa objeção.
Eunice, até então calada, argumenta:
– Ora, meus amigos, vocês acham que Kardec seria um irresponsável?
– É claro que não, Eunice!
– Então, Roberto, diante da sua responsabilidade, ele jamais escreveria um capítulo inteiro, como o fez, com instruções sobre evocação, se nós não pudéssemos realizá-la.
– É lógica a conclusão, amiga.
Sérgio volta a se pronunciar:
– O maior problema que vejo, na questão da manifestação mediúnica, é que poucos conhecem a Ciência Espírita, contida em O Livro dos Médiuns.
– O Sérgio tem razão, pessoal – assevera Roberto – pois, realmente seria inconveniente trabalhar com evocação somente com os conhecimentos extraídos de obras mediúnicas romanceadas, que tratam de mediunidade.
– Aliás, Roberto, julgo que seria inconveniente, até mesmo para os que lidam somente com manifestação espontânea, basear seus trabalhos exclusivamente em obras mediúnicas romanceadas.
– A meu ver, Sérgio, essas obras podem trazer bons esclarecimentos, mas a base para um bom trabalho mediúnico está na Ciência Espírita – declara Eunice.
Helena, aí, levanta um assunto pertinente:
– Infelizmente, amigos, tenho ouvido falar em práticas mediúnicas as mais bizarras!
– E, Helena, – fala Eunice – na maioria desses casos, pode conferir, o pessoal envolvido com mediunidade não conhece o conteúdo de O Livro dos Médiuns. O trabalho é realizado somente em cima de instruções de espíritos.
Marilda aproveita o momento e expõe a sua dúvida:
– E como fica aquele chavão, muito comum no nosso meio, de que o telefone só toca de lá pra cá?
– Marilda! Acho que essa questão é mal entendida – alerta Roberto.
– Como assim, Roberto?
– Se afirmarmos que o telefone só toca de lá pra cá, estaremos nos colocando contrários a Kardec e à Ciência Espírita. Mas se dissermos que o telefone toca de lá pra cá, tudo bem, pois isso acontece.
– Lembremos que Emmanuel recomendou a Chico que abandonasse os seus ensinamentos se esses contrariassem Jesus ou Kardec – acrescenta Marilda.
– Mas, pessoal, é preciso que entendamos o caso do Chico, à luz da sua missão.
– Em que termos, Roberto? – pergunta Helena.
– Além da missão referente à literatura mediúnico-espírita, Helena, o Chico trazia, devido à sua excelente condição mediúnica, a tarefa de receber mensagens dos espíritos com inequívoca identificação, para consolo dos familiares encarnados.
– Até aí, tudo bem, Roberto!
– Mas, compreenda que alguns espíritos não estão em condições de se comunicar, dado seus estados de dificuldade, como bem esclarece Kardec no estudo que realizamos. Se o fizessem, ao invés de consolarem, trariam mais sofrimentos aos familiares.
– Dá para entender, Roberto! – afiança Marilda.
– Daí, o Chico dizer que o telefone toca de lá pra cá, pois ele não podia determinar uma manifestação que poderia ser inconveniente.
Sérgio colabora para o entendimento da questão:
– Além disso, Roberto, como ensina o codificador, o preocupar-se com um espírito é um modo de evocá-lo.
– E, assim sendo – diz Marilda – os familiares que procuravam o Chico, em busca de uma mensagem, já estavam evocando mentalmente o espírito amado.
– Isto é, havia evocação sim, pelo pensamento – confirma Helena.
– O que não quer dizer – explica Roberto – que o espírito evocado pudesse ou devesse se comunicar. Ele só o faria se houvesse condições e autorização superior para tanto.
Alegra-se, assim, Helena com os ensinamentos ali examinados.
– Amigos! Quantos esclarecimentos, para uma prática mediúnica sadia, encontramos na Ciência Espírita!
– O estudo da condição experimental da obra kardequiana, Helena, sem dúvida alguma, qualifica a prática da mediunidade – diz Sérgio.
Roberto, nesse instante, expõe sua preocupação:
– Mas, infelizmente, vemos, na atualidade, a prática da mediunidade engessada por instruções restritivas rígidas, que desfiguram a naturalidade da manifestação, com resultados desfavoráveis para o próprio Espiritismo.
– É o misticismo, Roberto, que tomou conta do nosso meio – opina Eunice.
– Há um outro problema, Eunice – observa Marilda. Conheço pessoas que falam e escrevem sobre mediunidade, sem nunca terem participado de trabalhos mediúnicos.
– São os teóricos da mediunidade, que copiam o que outros dizem, sem a experiência necessária no trato com a prática mediúnica – esclarece Helena.
– Amigos, antes de encerrarmos o estudo da noite, gostaria de dizer-lhes, com base em anos de experiência, que, para uma prática mediúnica saudável, devemos conhecer, no mínimo, o conteúdo de O Livro dos Espíritos, de O Livro dos Médiuns e de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
– Roberto, há outras obras experimentais muito importantes, tais como “No Invisível”, de Léon Denis, e as de autoria de Hermínio Miranda, que muito contribuem para a qualificação da prática mediúnica.
– Certíssimo, Sérgio! Mas, agora, encerremos a reunião. Se o desejarem, continuaremos na próxima semana o estudo do assunto.
E, assim, aquele grupo espírita continuou o estudo das obras indispensáveis a uma prática mediúnica condizente com a Doutrina Espírita, apresentando bons resultados e colaborando na construção de um movimento espírita compromissado com a lucidez do Espiritismo.

Boletim de julhol/2008

Última atualização em Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:31
 

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