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Evangelho no Lar PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:27

Guilherme e Elisa se preparam para o estudo do Evangelho, que se realiza todas as quintas-feiras, às 20 horas, no lar do casal. Elisa propõe:

- Guilherme, hoje você deve fazer a prece inicial.

Guilherme ia começar a orar, quando Elisa interrompe:

- Espera meu bem, esqueci-me da jarra com a água, para a magnetização!

Tudo em ordem, Guilherme inicia a prece.

- Abençoe, Jesus, essa nossa reunião de aprendiza-do e entendimento. Que nossos Benfeitores Espirituais possam nos ajudar na condução do estudo desta noite.

- Veja só que interessante, Guilherme! Há três semanas, que, ao abrir, ao acaso, uma página do Evangelho Segundo o Espiritismo, surge assunto relativo à fé. Acho que precisamos estar atentos a essa aparente "coincidência".

- E qual foi a página de hoje?

- A fé: mãe da esperança e da caridade - item 11 do capítulo XIX!

Após a leitura e os devidos comentários, passaram à apreciação de tema de O Livro dos Espíritos. Guilherme observa:

- Na ordem, o assunto de hoje é "Caridade e amor ao próximo". A questão 886 é muito interessante, Elisa! Os Espíritos Superiores, respondendo a Kardec quanto à verdadeira caridade, no entendimento de Jesus, assim a definiram: "Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas".

- Muitos de nós, querido, ainda condiciona a carida-de ao ato de doar coisas materiais.

- Nessa doação, segundo entendo, quando não existe benevolência, desinteresse pessoal, não há caridade. Poderá haver beneficência, sem, contudo, existir caridade!

- A resposta dos Espíritos, Guilherme, abrange indulgência para com as imperfeições dos outros e perdão das ofensas. A questão da caridade é, pois, muito mais ampla que aquilo que se convencionou chamar de caridade.

E seguia o estudo do Evangelho no lar do casal, quando Guilherme surge com um assunto, de certa forma, ex-temporâneo.

- Elisa, querida, venho me questionando muito a propósito da validade deste tipo de reunião!

- Mas, por que razão, Guilherme?

- Sinto-me desanimando, por não ver o resultado prático dessa reunião!

- Mas, querido! Temos aprendido muito nesse nosso estudo. Quantos estímulos nos foram oferecidos pelas lições aqui discutidas, quando estivemos em situações difíceis! Quantas orientações obtivemos nos temas por nós avaliados, que nos ajudaram a reestruturar o modo de pensar e de agir!

E Elisa, encerrando o assunto, propõe:

- Vamos solicitar aos nossos Benfeitores Espirituais que nos ajudem a refletir melhor sobre esse assunto. Não vamos tirar conclusões apressadas!

Surdo, porém, às advertências e aos bons estímulos, Guilherme começa a sentir vontade de terminar com a reunião, já a essa altura, é obvio, em sintonia com forças espirituais adversas, fruto de sua invigilância. Em seu escritório profissional, ele pensa:

- Não tenho mais nenhuma disposição para continu-ar realizando esse tipo de reunião! Logo mais, em casa, no transcurso do estudo, comunicarei a Elisa minha desistência. Se ela quiser continuar sozinha, tudo bem!

Inicia-se, então, o estudo daquela noite, que ficaria gravado indelevelmente na mente de Guilherme. Elisa faz a prece inicial.

- Jesus, Mestre Amigo, ampara o nosso estudo desta noite. Permita que os Bons Espíritos possam nos fortalecer e animar para as lutas da vida!

Assim que Elisa inicia a prece, Guilherme, de olhos fechados, sente que algo muda em seu interior. De repente, começa a perceber a chegada do espírito de uma mocinha, com feições de nordestina, conduzida por dois enfermeiros. Abatida, como se estivesse convalescendo de alguma enfermidade, ela, dirigindo-se a ele, falou:

- Meu nome é Maria Hermengarda, nascida no Crato, Ceará. Fui muito beneficiada com os estudos aqui realizados, onde os Amigos Espirituais encontraram condições de me ajudar e, por isso, peço-lhe que não termine com essa reunião, onde outros desencarnados necessitados, como eu, certamente receberão o alimento da alma, o esclarecimento e as vibrações confortadoras dos corações que aqui oram!

As cenas foram desaparecendo da visão de Guilhe-me e, ele, de retorno à consciência física, falou:

- Elisa, minha querida, estou emocionado! Tive uma das maiores lições de minha vida, que durou exatamente o tempo de sua prece. Estou realmente impressi-onado!

- O que aconteceu, Guilherme? Está passando mal?

- Não! Enquanto você fazia a prece, comecei a ver, com se estivesse assistindo a um filme, em cores, a che-gada de uma jovenzinha...

E Guilherme relata toda sua visão, após o que observa:

- Atentemos, Elisa, para a bondade dos Espíritos Benfeitores, que, além de suportarem as conseqüências de minha invigilância, ainda me oferecem esta grande oportunidade de despertar!

- Que bom, meu bem! Angustiava-me a possibilidade do término de nosso estudo, que tantos benefícios tem trazido para o nosso lar.

- Essa valeu, Elisa! Jamais poderia imaginar que, numa reunião tão simples como a nossa, onde simples-mente estudamos e oramos, pudessem os Bons Espíritos assistir a espíritos em dificuldade, sem nenhuma participação consciente da nossa parte.

- Meu querido, acho que os estudos que realizamos e as preces que proferimos podem até ser simples, mas são fruto do nosso interesse de aprender e evoluir. Nós ainda não entendemos a grande tarefa do Espiritismo e que se refere a nossa educação, ao nosso aprimoramento.

- Infelizmente, nós ainda preferimos aqueles fatos que nos impressionam os sentidos, mas não mudam nem sensibilizam o coração.

E o Evangelho no lar do casal continuou sua função especialmente esclarecedora, agora, porém, com muito mais consciência, por parte de Guilherme, da responsabilidade para com aquela reunião que parecia tão simples, no campo físico, mas capaz de sintonia com o mundo espiritual benfeitor, se realizada com amor e devotamento.

Boletim de Dezembro/2002

 

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