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Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:23

Márcia, dirigente do Departamento de Infância e Juventude, é procurada por Inês, responsável pelos trabalhos da Mocidade:

- Márcia! Estamos com um problema sério!

- Do que se trata, Inês?! É sobre drogas?!

- Não, desta vez não! É a Martinha que está grávida!

- O que?! Quantos anos tem a Martinha, Inês?!

- Dezesseis! Dezesseis anos tem a menina!

- E quem é o pai da criança?

- Um colega do colégio! - Os pais da Martinha já sabem?

- Que nada! Ela os teme! Ela quer justamente a nossa ajuda para levar o assunto ao conhecimento dos pais!

- Nesse caso, vamos enfrentar duas situações difíceis: uma junto aos pais dela e a outra junto ao presidente do centro!

- Por quê o presidente do centro, Márcia?!

- Ora, Inês! Você acha que ele, autoritário e insensível como é, vai aceitar isso facilmente?!

- Ninguém pode mudar o fato de a menina estar grávida, Márcia!

- Ao invés de procurar ajudar a menina, que, no momento, está necessitada, certamente ele vai se preocupar com a imagem do centro, com o seu prestígio! Como se o jovem de nossa casa espírita fosse diferente dos demais jovens!

- Que faremos, Márcia?!

- Vamos, primeiramente, conversar com a Martinha!

Minutos depois, Martinha entrava na sala de Márcia, acompanhada de Inês.

- Olá, Martinha! Como está se sentindo?

- Mal, Márcia, muito mal! Estou morrendo de medo de meus pais, principalmente do papai!

- Você já tem dezesseis anos, Martinha! Sabe dos compromissos de uma gravidez e, portanto, acho que o primeiro passo é você conversar com seus pais! Conta-lhes toda a verdade!

- Mas eu fico receosa da reação deles e, em especial, do papai!

- Mas é preciso que você fale com eles! São seus pais e, portanto, os mais responsáveis pela sua educação. E devem receber a notícia de você mesma!

- Márcia tem razão, Martinha! A conversa inicial deve ser com seus pais! Estaremos a postos para ajudá-la. Se quiser, podemos acompanhá-la, porém você é quem deverá dizer a seus pais sobre a gravidez!

- Precisamos assumir nossos equívocos, Martinha, sem o que nunca cresceremos!

- Muito bem! Falarei com eles! Orem por mim!

- Confie em Deus! Façamos uma prece juntas - propõe Márcia

Acompanhada de Inês e de Martinha, Márcia profere sentida prece a Maria de Nazaré rogando em benefício do bom êxito no entendimento da menina com os pais. Logo após, Márcia e Inês procuram o presidente do centro.

- "Seo" Hilário, precisamos falar-lhe. É assunto sério!

- Sentem-se, então! O que está acontecendo?!

- Estamos com uma jovem da nossa mocidade grávida!

- Mas, como pode?! Essa jovem não está sendo evan-gelizada aqui?! Como pode fazer uma besteira dessa?!

- Sim, ela está sendo evangelizada aqui! E por isso precisa do nosso maior apoio, agora!

- Afastem-na da mocidade! Será um mau exemplo para as demais! Aí interpela Inês:

- Mas, "seo" Hilário! E a caridade?! Se lhe faltar apoio, nesse momento, ela pode partir para o aborto e empurrada por nós espiritas, que deveríamos ajudá-la!

- E a nossa casa espírita, como fica?!

E Márcia responde:

- Ficaria em muita má situação diante de Jesus se abandonasse essa jovem, justamente nesse momento!

- Márcia e eu temos conduzido a mocidade com muita seriedade, "seo" Hilário! Vimos, ao longo do tempo, trazendo médicos e psicólogos espíritas, com bom trânsito na juventude, para esclarecer as mocinhas e os rapazinhos de nosso centro! É hora de testemunharmos o aprendizado espírita junto deles!

- E lhe garanto uma coisa, "seo" Hilário, os jovens da nossa casa, pelos sentimentos de fraternidade e caridade que temos procurado desenvolver entre eles, deverão ser os mais interessados em ajudar a companheira, quando souberem do caso!

- Vou pensar no assunto! Volto a falar com vocês!

No dia seguinte, Martinha procura Márcia e Inês. E Márcia, ansiosa, quer saber:

- Como foi a conversa com seus pais, Martinha?

- Nada fácil, Márcia! Papai inicialmente queria que eu abortasse. Já disse que isso eu não faço!

Inês, então pergunta:

- E sua mãe! ?!

- Está aqui no centro! Quer falar com vocês, à parte!

Minutos depois, dona Isaura, mãe de Martinha, numa sala reservada, com a presença somente de Márcia e Inês, desabafa:

- Não entendo como isso pode ter acontecido com minha filha?! Estava sendo evangelizada nessa casa!

E Márcia, com muito carinho, esclarece:

- Na evangelização do centro espírita, dona Isaura, as crianças e os jovens aprendem os conceitos morais propostos por Jesus, segundo a visão espírita. Mas, para que esse aprendizado dê frutos, é imprescindível a participação dos pais!

Inês complementa:

- A educação básica e primordial, as crianças têm em casa, minha irmã! Os pais devem ser seus mais importantes educadores!

- Nesses dois anos que a Martinha está conosco, dona Isaura, infelizmente, apesar dos vários e insistentes convites, não conseguimos nem a sua presença, nem de seu marido, às reuniões de pais que promovemos mensalmente! - observa Márcia.

- É! Vocês têm razão! Agora, preciso fazer alguma coisa para ajudar a minha filha! Mas, estou muito decepcionada! Jamais poderia esperar isso da Martinha!

E Inês propõe:

- Não pretendendo justificar a atitude da Martinha, seria muito bom que lembrássemos que nós três, agora adultas, fomos jovens também! E, como mulher, a senhora, dona Isaura, terá mais condições de superar essa decepção, para estar junto de sua filha! Ela precisa do seu apoio!

- Já consegui demover o pai dela sobre a questão do aborto!

E dona Isaura abre seu coração:

- Lembrei-lhe que, quando nos casamos, eu estava grávida de dois meses!

Após longa e proveitosa conversa, dona Isaura sai da reunião com as evangelizadoras mais calma. Logo depois, o presidente procura Márcia.

- Como está a situação da menina? Os pais vão tirá-la do centro?!

- Não, "seo" Hilário"! A mãe dela, após reconhecer que não acompanhou devidamente a participação da filha em nossa casa, agora está decidida a conhecer melhor o Espiritismo. E disse que fará tudo para trazer também o marido.

- E os outros jovens da nossa mocidade, Márcia, como ficarão com este mau exemplo?!

- Eles já estão muito bem, "seo" Hilário! Eu e Inês fize-mos uma reunião e discutimos o assunto com eles. Apesar de compreenderem que Martinha se deixou levar pelo entusiasmo e pelo apelo erótico, estão dando o maior apoio à amiga.

- Estão dando testemunho do aprendizado espírita, "seo" Hilário! - exclama Inês.

E "seo" Hilário, insatisfeito, arremata:

- É! Essa juventude está perdida!

Ao que Márcia objeta:

- Não está não, "seo" Hilário! Não nos devemos esque-cer de que precisamos ajudá-los, pois eles terão a difícil tarefa de conduzir a casa espírita, no futuro.

- E, se bem preparados, o farão muito bem! - adverte Inês.

Sem ter mais nada a dizer, "seo" Hilário pigarreou e tomou rumo em direção à sala de seu uso exclusivo, onde se habituara a encastelar-se, e onde certamente não seria incomodado.


Boletim de Maio/2002
Última atualização em Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:31
 

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