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Equivocada atitude PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:22

Felícia participa de um evento patrocinado por instituição espírita. Concluído o trabalho, ela aproveita para se confraternizar com os conhecidos presentes. É quando ela encontra grande amiga.
– Abigail! Que alegria revê-la!
– Você não mudou nada, Felícia! O tempo para você não passa.
– Não é por falta de trabalho, Abigail. Busco fazer a hora e não deixar acontecer, como disse o Geraldo Vandré.
– Você está certa! O ditado popular que diz: “quem espera sempre alcança”, não especifica, porém, o que se alcança quando se decide somente esperar, sem realizar.
Felícia, aí, se lembra de outra companheira espírita, que conviveu com ambas por algum tempo.
– E a Selma, Abigail, você tem notícias dela?
– Soube que ela saiu do centro que trabalhava.
– E já está em outra casa espírita?
– Sim! E, a meu ver, agindo mal, pois anda fazendo críticas ácidas ao pessoal do antigo centro.
– Isso não é saudável!
– Em tempos idos, Felícia, foi o pessoal de lá quem a acolheu, ajudando-a a superar dificuldades sérias.
– Acho antiética essa postura, Abigail, entendido que ninguém está preso, até mesmo por gratidão, a nenhuma casa espírita.
– Aqueles que estão dando ouvidos a ela e divulgando o que ela diz, não estão sendo capazes de compreender que o mesmo poderá acontecer com eles, no futuro.
– Também penso assim, Abigail!
Nesse instante, chega junto delas Argemiro, promotor do evento.
– Como vão as queridas irmãs?
– Muito bem, graças a Deus! – responde Abigail, que é seguida pela companheira.
– Eu também estou bem, Argemiro.
– Gostaram do evento?
– Gostei muito! Foram discutidos assuntos importantes e com a sobriedade necessária. E isso representa maturidade de nossa coletividade espírita – observa Abigail.
– E você, Felícia, o que achou?
– Aproveitei muito! Gosto desses eventos culturais, em que há interação com os presentes. O resultado é sempre positivo.
As demais pessoas conversando, tornavam o ambiente inquieto. Argemiro, porém, para surpresa das duas, como se estivesse sob inspiração espiritual, dirige-se à Felícia.
– Felícia! Você não está bem de saúde.
– Por favor, Argemiro, não me assuste. Por que você diz isso?
E Argemiro, fazendo-se crer intuído mediunicamente, revela:
– Eu sinto isso! Estou sob amparo espiritual. Tome o remédio chamado Dilcora e ficará boa.
– Mas, companheiro, eu não estou sentindo nada. Até que, ultimamente, tenho estado muito bem de saúde. Não vejo motivo para tomar remédio.
– Escuta o que estou dizendo, Felícia!
Chamado por outros amigos, Argemiro vai atendê-los. Quando as duas se veem novamente a sós, Felícia exclama:
– Só me faltava essa, Abigail! Vim aqui buscar lã e saio tosquiada.
– Que situação infeliz criou o Argemiro, Felícia! Botou o maior grilo na sua cabeça.
– Ele não poderia ter feito isso, até mesmo pela responsabilidade que tem no movimento espírita.
– Esqueça do que lhe falou o Argemiro, Felícia.
No outro dia, Felícia, ainda preocupada, procura orientação junto à médium sério de sua casa espírita.
– Juvenal, querido amigo! Preciso de sua ajuda.
– O que está acontecendo, Felícia? Parece-me realmente preocupada.
Felícia conta o ocorrido, e argumenta:
– Eu não estou sentindo nada, Juvenal. Não vejo motivo para tomar o remédio que o Argemiro indicou.
– Então, não tome, Felícia.
– Mas, e se eu, sem saber, estiver realmente doente?
– Se julgar conveniente, vá ao médico, minha irmã.
– Vou alegar o quê, Juvenal?
– Diga que deseja fazer um check-up.
Juvenal, então, dada a insegurança de Felícia, decide analisar melhor o assunto, junto com ela.
– Considerando o que tenho aprendido na doutrina, como também minha experiência como médium espírita, quero crer, Felícia, que o assunto não foi bem conduzido.
– Explique-se melhor, Juvenal.
– Primeiro, o ambiente, a meu ver, não era adequado para tratamento mediúnico, nem mesmo em se tratando de receituário.
– Você tem razão.
– O ambiente, Felícia, conforme seu relato, estava mais para o social que para a manifestação dos espíritos, mesmo no processo intuitivo.
– Certamente!
– Acho que você deveria esquecer isso ou ir ao médico, para tirar qualquer tipo de preocupação.
– Pensando bem, com o pessoal conversando os assuntos mais variados, havendo até um certo barulho próprio desses momentos, não podia haver clima para captação de instrução espiritual coerente.
– Às vezes, Felícia, alguns companheiros gostam de aparecer como médiuns, tomando atitudes infantis, mas que comprometem a doutrina.
– E, nesse caso, o Argemiro me assustou!
– Sem dúvida alguma, minha irmã.
– Será essa a finalidade da mediunidade, Juvenal?
– A assistência mediúnico-espírita, a meu ver, em especial no caso de doença, dada a responsabilidade e pertinência, deve ser prestada no centro espírita, em ambiente adequado à prática mediúnica.
– Sua reflexão é justa, Juvenal!
– Pensemos bem, Felícia. Você acha que os espíritos superiores se comprometeriam com esse tipo de atitude, que, ao invés de consolar, criam preocupações desnecessárias nos corações alheios?
– Claro que não, amigo!
– Pelo menos é o que aprendemos na doutrina!
– Sabe de uma coisa, Juvenal?!
– Fala, Felícia.
– Não tomarei remédio algum.
– A decisão é sua, amiga.
– Realmente, cheguei à conclusão que o Argemiro foi imprudente no que fez. Entre a Doutrina e o Argemiro, fico com a doutrina.
– É o mais sensato! O que não impede de você ir ao médico, para um check-up, como já lhe disse.
O tempo passou e a saúde de Felícia se manteve estável. Por essas e outras é que Kardec, em O Livro dos Médiuns, chama-nos a atenção para a condição dos espíritas exaltados, que, sem critério de avaliação doutrinária sério e lógico, comprometem a divulgação da Doutrina Espírita. O codificador chega a dizer que esses adeptos prejudicam muito mais a difusão do Espiritismo que os próprios adversários.

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