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Entre a Terra e o Céu PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:19

Tiago e sua irmã Maria Alice fizeram amizade com Zito, como era chamado um rapaz que vendia balas nas ruas próximas ao colégio onde estudavam. Teresa e Nestor, pais dos garotos, ao saberem do fato, buscam logo conversar com os filhos.
– Filhos, vocês nem sabem quem é esse rapaz! – exclama Teresa.
– Afinal, como vocês o conheceram? – pergunta Nestor.
– Na vinda do colégio, certo dia, ele se dirigiu a mim, o que preocupou Maria Alice. Não foi isso, mana?
– Naquele instante, fiquei com muito medo, sim.
– Por que o medo, filha?
– Percebi, mãe, que ele trazia algo na mão direita. Pensei que fosse uma arma.
– E o que ele trazia na mão?
Quem responde é Tiago.
– Era o meu chaveiro eletrônico, mãe! Aquele que eu ganhei da tia Zilda.
Aí, Teresa se mostra nervosa.
– Mas, como o chaveiro foi parar na mão do rapaz?!
– Calma, mãe! Nada de estresse.
– Ah! Essa não, Maria Alice. Como não ficar nervosa, com o mundo violento que aí está?
– Ouçamos, primeiramente, nossos filhos, Teresa.
– Tá bem, Nestor! Você está certo. Falem, pois.
– Eu já havia dado por perdido o chaveiro. Por mais que procurasse, não consegui encontrá-lo.
– Tiago chegou a brigar comigo, mãe.
– Por que, filha?
– Ele afirmava que eu tinha apanhado o tal chaveiro, que, aliás, não é do meu gosto. É muito brega.
– Brega porque não é seu!
Nestor, então, intervém.
– Chega de lero-lero! Vamos ao caso.
– Após se chegar a mim, o Zito disse-me que viu o chaveiro cair no chão, quando subi no ônibus, no dia anterior. E guardou para me entregar.
– Viram que atitude bonita do rapaz? O Zito é um cara legal. ? afirma Maria Alice.
– Ele não pediu nada a vocês? Não tentou passar nada para vocês? ? interpela Teresa.
– Que tipo de assunto ele conversa com vocês? ? Nestor também quer informações seguras sobre o relacionamento do rapaz com os filhos.
– Ele nunca me pediu nada! ? declara Tiago.
– Nem a mim! ? afirma Maria Alice.
– Eu é que, algumas vezes, guardo o meu lanche para dar a ele na saída do colégio.
– E você fica sem lanchar no colégio, Tiago?
– Mãe! Temos bastante comida aqui em casa. No entanto, percebo que ele passa fome.
– O Zito não é mau elemento, não, gente! Perdeu os pais muito cedo. Foi criado por uma tia que, até hoje, se aproveita dele ? esclarece Maria Alice, ao que acrescenta Tiago:
– Diz que a tia é a única pessoa que ele tem na vida. Por isso, ele ainda vive com ela.
– Mas, Tiago, o que, afinal, faz ele mais? Somente vende balas?
– Sim, pai, ele somente vende balas nas ruas e leva todo o resultado para a tia, não é isso, Maria Alice?
– É isso mesmo. Ela controla todo o dinheiro da venda das balas. Ele não fica com nada.
– O Zito me parece doente pai. É magrinho... ? adita Tiago.
– Quando a gente conversa com ele, sente que tem bom coração. Nunca me faltou com o respeito nem me disse uma gracinha.
Nestor e Teresa são, então, surpreendidos por um pedido de Tiago.
– Gostaria, neste Natal, de comprar uma bermuda e uma camiseta para ele.
– Podemos dar das que você não usa mais, filho.
– Ah, mãe! Gostaria de dar uma roupa nova pra ele. Além do mais, minha roupa ficaria muito larga nele. Como já disse, ele é magrinho.
– Acho que deveríamos dar também pra ele um par de tênis – assevera Maria Alice.
Nestor, percebendo a alegria genuína brotar dos corações dos filhos, faz sua proposta.
– Que tal comprarmos o presente do Zito no final da semana?
– Tudo bem, pai.
– Só quero ver, Tiago, a cara do Zito quando receber a roupa e o tênis.
– Mas, como vamos comprar se não sabemos o tamanho que ele veste, nem o número que calça?
– Do tênis, eu sei, mãe, é 39. E a roupa só pode ser do tamanho “p”.
– Já temos alguma informação. Se houver divergência no tamanho, a gente troca.
O presente é comprado. Logo na segunda-feira, Tiago e Maria Alice levam a roupa e o tênis para Zito. Cuidadosos e preocupados, os pais dos estudantes seguem, de longe, seus filhos, à saída do colégio, e não vêem o encontro deles com o rapazinho. Os pais se apressam em chegar à casa e, logo após, os filhos chegam desolados, com os embrulhos nas mãos.
– Não encontraram o rapaz? Por que trouxeram de volta o presente?
– Procuramos o Zito e não o encontramos, mãe. Fomos até à loja onde ele costuma beber água. Lá tivemos uma triste notícia. Conta você, Tiago.
– O Zito morreu! O moço da loja nos disse que ele era muito doente. Sofria do coração. E morreu justamente no fim desta semana.
– Me dói não ter feito nada por ele! ? lamenta Maria Alice e Tiago a segue:
– Poxa! Por essa eu não esperava. Tô arrasado!
Passaram-se dois meses. Certa manhã, Tiago acorda numa alegria incontida. Chama pelos pais e pela irmã, que chegam à beira de sua cama.
– Acordei muito feliz, hoje!
– O que houve, filho?
– Tive um sonho muito bacana com o Zito, pai.
– Então conta, mano. Conta logo!
– Estava eu sentado num banco, em um jardim cheio de flores. Encontrava-me à espera de alguém, quando me apareceu o Zito.
– E daí, Tiago?! ? indaga Maria Alice, aflita por notícias do amigo.
– Mas, ele não era aquele cara franzino e maltrapilho que conhecemos, não.
– E como estava ele?
– Sorridente e feliz, Maria Alice. Agradeceu as orações que temos feito por ele.
– E falou mais alguma coisa, mano?
– Pediu para você ficar tranquila, pois tínhamos alegrado muito o seu coração aqui na Terra, lhe dando afeto e respeito.
– Que bom!
– Chegou a dizer que, quando estava em nossa companhia, sentia-se amado.
– E tem mais alguma coisa?
– Pediu, também, mana, que orássemos pelas crianças abandonadas. E o que mais me impressionou: solicitou que rogásse-mos a Jesus, em nossas preces, pelo despertamento daqueles que fazem as guerras, que promovem a ignorância, a miséria e a fome no mundo.
– Eu sabia! Eu sabia que ele era um espírito bom. Eu sabia!
E os quatro, influenciados pela atmosfera ambiente, se abraçam e deixam cair as lágrimas, que falam das verdadeiras alegrias do coração. É o Natal, com Jesus!

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