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Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:18


Antônio vinha, há algum tempo, se sentindo mal, sem que fosse diagnosticada a causa do mal-estar que o acometia.
– Antônio! O que está acontecendo com você, marido?
– Isso é o que estou buscando saber, Gilda.
– Apesar de estar sob cuidados de bons médicos, acho-o muito abatido e desanimado.
– Fui muito bem examinado por eles.
– E são médicos da nossa confiança, meu bem.
– Fiz todos os exames indicados e não houve, até o momento, nenhum diagnóstico.
– E a medicação prescrita, querido, de nada tem valido.
– Estou tomando os remédios direitinho.
– Embora não seja espírita convicto, você já constatou os benefícios da terapia espírita, não só nas nossas crianças como em si próprio.
– Isso é verdade, querida. O centro espírita de que você participa já nos beneficiou bastante.
– Então, por que não se socorre do serviço de atendimento fraterno do centro?
– Tá certo! Irei lá na próxima semana.
Na semana seguinte, lá estava Antônio dialogando com Araci, participante da equipe de atendimento fraterno da casa.
– Como está, Antônio?
– Não muito bem, Araci.
– Está sob cuidados médicos?
– Sim! Já consultei vários médicos competentes e da confiança da família, sem que tivesse, até agora, um diagnóstico desse mal-estar que sinto.
– Gostaria que você pudesse vir às reuniões públicas, às quartas-feiras. Assistirá às palestras, tomará passe e água magnetizada.
– Tá certo! Já recebi muitos benefícios nessa casa. Se Deus quiser, voltarei a ser ajudado pelos pacientes e bondosos espíritos que aqui trabalham.
– Também, amigo, levarei o seu nome para a reunião de desobsessão, que ocorre às terças-feiras.
– Terei que vir também a essa reunião?
– Não! Mas, seria muito proveitoso que você se recolhesse, em casa, às terças-feiras, no horário de 20 às 21 horas, até que se possa ter uma definição do seu caso.
– Tudo bem, Araci! Estarei recolhido no horário previsto.
Antônio começa a participar das reuniões públicas. Na reunião de desobsessão, o doutrinador faz a devida evocação:
– Peço aos Benfeitores Espirituais que, se for possível e houver a devida autorização, possa ser trazido até nós, para acolhimento e ajuda, algum espírito que possa estar envolvendo o nosso irmão Antônio Seabra de Araújo Júnior, residente na Rua das Taperas, número 45, bairro do Tacará.
Logo a seguir, dona Irene, médium experiente, se vê envolvida por entidade necessitada.
– Não agüento mais! Oh, Deus, ajuda essa pobre criatura que foi mãe na Terra e que não consegue descanso, nem após a morte!
– Estamos aqui justamente para ajudá-la, minha irmã – assevera o doutrinador.
– Saiba, amigo, que meu filho pensa que me tornei santa após a morte. E não cansa de me arrastar para junto dele, através da oração, solicitando-me benefícios que sou incapaz de prodigalizar-lhe.
– Não só a senhora como seu filho serão ajudados. Confie, querida irmã!
– Ele dirige suas preces para o endereço errado. Ele deve pedir ajuda a quem possa ajudá-lo e não a mim, que também necessito de orações e ajuda do mais Alto.
– Eleve, também, minha irmã – continua o doutrinador – seu pensamento ao Alto, para que os Benfeitores aqui presentes possam fortalecê-la e colaborar na sua libertação.
– Tenho feito isso, amigo. Contudo, ainda muito fragilizada e sem as condições dos espíritos valorosos, acabo arrastada para junto dele, pela força de seu pensamento.
– Busque tranqüilizar-se e confiar, pois os amigos da espiritualidade colaborarão em seu benefício e de seu filho.
– Já estou sentindo-me um pouco mais tranqüila.
O doutrinador continuou o diálogo esclarecedor. Logo depois, o espírito, mais calmo, é levado pelos benfeitores a posto de socorro no mundo espiritual. No outro dia, Araci, que esteve presente à reunião de desobsessão, encontra Antônio na reunião pública e o convida a um atendimento fraterno.
– Antônio! Precisamos conversar.
– Pois não, Araci, conversemos, então.
– Você faz suas preces todos os dias?
– Sim! Apesar de ser somente simpatizante e beneficiário do Espiritismo, aprendi com minha família, que é católica, a orar todos os dias.
– E a quem você dirige suas preces, amigo?
– Dirijo-as a Deus e a Jesus, ora!
– Somente a eles?
– Não! Depois que mamãe faleceu, tenho dirigido minhas orações a ela pedindo-lhe ajuda.
– Pois, aí está, a meu ver, a razão de sua enfermidade, que a Medicina não consegue diagnosticar.
– Como assim, Araci?
– Você dirige suas preces para o endereço errado, meu amigo.
– Como pode me dizer isso, Araci?
– Foi sua mãe mesma quem o disse, ontem, na reunião de desobsessão.
– Ela apareceu na reunião?
– Sim! E mostrou-se sem condições de ajudá-lo, como você tem pensando.
– Mas ela é minha mãe e sempre pensei que me amasse.
– E ela o ama, Antônio!
– E por que, então, não quer me ajudar?
– Não é que ela não queira. Não pode ajudá-lo, pois ela mesma, meu amigo, conforme declarou, está necessitada de ajuda.
E Araci continua:
– Ela se diz arrastada para junto de você, por suas orações. E, por suas condições espirituais, não tem forças para libertar-se do arrastamento.
– Pelo que estou entendendo, devo estar perturbando minha mãe. Não é isto, Araci?
– Atraindo-a, indevidamente, para junto de você, certamente ela está sendo prejudicada, dadas suas atuais condições espirituais. E, de certa forma, você também fica prejudicado.
– Por que, nesse caso, sou prejudicado?
– Porque ela, junto de você, acaba passando-lhe as sensações de sofrimento e desconforto que sente. Ela, também, se diz cansada de tentar resistir ao arrastamento de sua mente forte.
– Dá para entender, então, o cansaço e o desânimo que venho sentindo e que os médicos não conseguem diagnosticar.
– Justamente! Ore a Deus por ela, ao invés de pedir-lhe ajuda. Nossos familiares, quando em boas condições no Mundo Espiritual, espontaneamente chegam até nós, para nos ajudar naquilo que lhes for permitido. Não precisamos invocá-los para tanto.
– Entendi, Araci! Jamais pensei em prejudicar minha mãe.
– Sabemos disso, Antônio. Somente se enganou ao endereçar seu pedido a ela, que também está necessitada de ajuda do Alto.
Seguindo as instruções de Araci, Antônio, em pouco tempo, já se sentia bem, tanto que fora liberado pelos médicos. Conforme nos ensina a questão 666 de O Livro dos Espíritos, “podemos orar aos bons Espíritos, como sendo os mensageiros de Deus e os executores de seus desígnios, mas o seu poder está na razão de sua superioridade e decorre sempre do Senhor de todas as coisas, sem cuja permissão nada se faz; eis porque as preces que lhes dirigimos só são eficazes se forem agradáveis a Deus.”

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