Página Inicial / Crônicas Espíritas / Em se tratando do HIV
Em se tratando do HIV PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:16

Nadir e Irene perderam a mãe muito cedo. Praticamente foram criadas pelo pai. Após o falecimento deste, continuaram morando na mesma casa em que nasceram e foram criadas. Irene, em exame médico de rotina, e, após os devidos exames, é surpreendida com a notícia de que fora contaminada pelo vírus do HIV.

- Meu Deus! Não pode ser! Esse resultado está errado! Trocaram o meu exame.

- Calma, Irene. Falei com o médico que a atendeu: ele acha que você deve repetir o exame.

- Como pode ser isso, Nadir? Logo comigo?! Por que, meu Deus?!

- Amanhã, minha irmã, irei com você ao laboratório, para nova coleta de sangue.

O segundo resultado confirma o primeiro: HIV positivo.

- Que pesadelo, meu Deus! Estou aniquilada.

- A primeira coisa a fazer, Irene, é procurar um especialista que possa conduzir o seu tratamento. Atualmente os recursos nessa área são muitos.

- Estou arrasada, Nadir! Parece que o mundo desabou sobre mim. Tenho vontade de morrer. Não tenho ânimo para buscar tratamento.

- Mas precisa ter, Irene. Irei com você ao médico.

- Como fui pegar esse maldito vírus?! Não me conformo. Por que eu, meu Deus?!

- Não se deixe levar pela revolta e pelo desânimo, Irene. É hora de buscar forças em Deus, para vencer essa batalha. É mais um desafio que se apresenta para você.

- Nunca imaginei que pudesse contrair esse vírus!

- Esse é o tipo da situação que a gente julga que nunca chegará à nossa porta. Por isso, muitas vezes, nos descuidamos. Quando menos esperamos, eis a desagradável surpresa.

Acompanhada da irmã, Irene procura assistência médica especializada e inicia o devido tratamento. E Nadir, cuidadosa com a irmã, observa:

- Busque tomar a medicação na hora certa, Irene. A imprensa tem noticiado muitos casos em que, seguindo a prescrição médica adequada e mantendo um estado mental otimista, o quadro se estabiliza e as pessoas levam uma vida normal.

- Que vida normal, Nadir?! Como posso levar uma vida normal, se tenho um fantasma a me espreitar os dias e as noites?! Ainda vivo um pesadelo. Às vezes, penso que tudo isso é mentira, que não tenho nada. Logo depois, caio na real e me vem um desânimo atroz. Se não fosse a sua ajuda, não sei o que seria de mim, minha irmã.

- Você tem-se mostrado muito forte, Irene. Conforme sinalizou o médico na primeira consulta, seria interessante procurar um bom psicólogo para ajudá-la a organizar as idéias para melhor enfrentar essa nova situação.

- Deus precisa me ajudar, Nadir! Tenho rogado a Deus me dê forças para superar o desânimo e me manter forte diante da situação. O portador do vírus é estigmatizado socialmente. E isso é mais uma agravante dentre as muitas que envolvem a questão.

- Precisamos estar com os pés no chão, minha irmã. Devemos estar prontas para enfrentar a discriminação que ainda envolve o caso, fruto do preconceito. De tudo isso devemos também tirar lições que nos ensinem a viver melhor.

- Você, agora, Nadir, me lembrou papai. Sempre nos falava da necessidade de aprendermos com os reveses da existência terrena. O pai era um espírito forte.

- Era sim, Irene. Na infância, seguindo sua orientação espírita, freqüentamos a evangelização infantil e a mocidade. Mais tarde, interesses diferenciados nos distanciaram da casa espírita, mas os conceitos doutrinários espíritas permaneceram em nós.

- Diante dessa dolorosa experiência, venho refletindo sobre o que aprendi com a Doutrina e que não coloquei em prática. Reconheço que falhei.

- Já que você está tocando nesse assunto, poderíamos, caso lhe seja útil e confortável, aprofundar mais a questão. Estava à espera do momento certo para fazê-lo.

- Vamos conversar sim, Nadir!

- Várias vezes você se achou injustiçada por Deus e perguntava: por que eu?!

- Entendo onde você quer chegar. Fui irresponsável na prática do sexo.

- Em várias ocasiões, tentei chamar-lhe a atenção para a vida desregrada que estava levando, mas você não me dava ouvidos. Saía em diferentes companhias, em curtos espaços de tempo.

- Reconheço que estava alucinada.

- Se já reconhece, isso é bom! Porém, nada adiante chorar em cima do leite derramado, como diz a sabedoria popular. É hora de enfrentar esse desafio com ânimo forte. Aprendamos com a lição

! - Gostaria de voltar a freqüentar o centro

! - Iremos as duas. Também preciso voltar ao ambiente da casa espírita, envolver-me na sua atmosfera. Há muito que sinto falta das palestras que assistia e dos estudos que realizava.

- Nessas horas, Nadir, é que passamos a avaliar a importância do centro espírita. Como dizia o pai, ele é uma escola, um hospital e uma casa de oração. Preciso dos três, nesse momento.

- Voltando à questão da discriminação, minha irmã, devemos ter muito cuidado para não comentarmos o assunto indiscriminadamente, mesmo no centro espírita.

- Já havia pensado nisso, Nadir.

- Não sejamos tão inocentes, Irene, a ponto de achar que, por ser uma casa espírita, todos vão reagir adequadamente, diante do caso

. - Buscarei, em primeiro lugar, o seo Eugênio. Sempre tive muita confiança nele. É daqueles que vivencia a doutrina.

- Boa idéia! Seo Eugênio é a pessoa mais indicada para o caso. E as duas retornam ao centro espírita. São recebidas com enorme carinho pelos companheiros que as conheceram. Irene encontra o antigo trabalhador, com quem trava proveitoso diálogo. E a conversa entre os dois tem curso.

- Tenha bom ânimo, minha irmã. Fez muito bem em buscar a casa espírita. Confiemos na cooperação dos trabalhadores de Jesus.

- Tenho orado muito, seo Eugênio. Mas, em algumas ocasiões, sinto-me frágil, desalentada.

- É compreensível, Irene. Cofiemos no amparo de Jesus, através dos Bons Espíritos, pois Ele asseverou que viera para os doentes, que somos todos nós, aqui na Terra. Os sãos, disse-nos Ele, não precisam de médicos.

- Tenciono voltar a freqüentar esta casa, para continuar o estudo da doutrina. A convicção espírita nos consola e nos dá forças para enfrentar os reveses.

- Será uma alegria, para nós, tê-la conosco. Contudo, gostaria de prevenir-lhe quanto à necessidade de evitar comentários sobre o caso. Há ainda, no nosso meio, muitos companheiros inseguros a propósito desse assunto e que, por isso, poderão reagir de forma indevida diante do fato.

- Eu e Nadir já havíamos comentado sobre essa questão. Estou consciente da necessidade de evitar falar do assunto, a não ser com quem possa realmente me ajudar.

- No seu caso, o passe e a água magnetizada também serão muito úteis. Além disso, Irene, sendo possível, estando bem, busque participar da assistência aos mais carentes. Isso lhe fará muito bem.

- Assim que mais fortalecida, tratarei disso com o pessoal do serviço assistencial.

- Poderá também se valer da grande experiência do pessoal da Casa Maria de Magdala, uma instituição espírita envolvida com o assunto, situada em Niterói. Poderão ajudá-la muito. Tenho aqui o endereço; se quiser, pode anotar ...

- Pode dizer, seo Eugênio.

- Estrada Washington Luiz, 1956 - fundos, no bairro do Sapê, em Niterói.

- Tem telefone? Se tiver, gostaria de anotar também.

- Tem sim! É 2616-3365. Confira, 2616-3365.

- Sou-lhe muito grata, seo Eugênio.

E Irene, ajudada pela irmã, pela Medicina e pela casa espírita, retornou à vida normal. Seu pai, no mundo espiritual, agradecia a Deus as novas disposições da filha.


Boletim de Abril/2005
 

Reflexões Espiritistas

 
 

Pesquisar no Site

Educação Espírita

Educação Espírita Para a Família

CONHEÇA O NOSSO TRABALHO

SEMEANDO IDÉIAS

 
Leia aqui 
 
 

Movimento Espírita

 

Grupo Espírita Redenção - Andaraí - Rio de Janeiro, Powered by Joomla!