Página Inicial / Crônicas Espíritas / Em exame o Serviço Assistencial
Em exame o Serviço Assistencial PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:12

 

A pedido de Geraldo, diretor de assistência e promoção social, o comitê diretor do centro espírita se reúne extraordinariamente. Após as medidas de praxe e a prece de abertura, Geraldo dá início à reunião propriamente dita.

- Meus amigos! Solicitei essa reunião para que pudéssemos avaliar, em conjunto, o programa assistencial do nosso centro espírita.

Sônia, diretora de divulgação, se pronuncia:

- Aliás, Geraldo, eu e a Neuza temos conversado sobre essa questão.

- Certamente que a Neuza, na direção da evangelização infanto-juvenil, terá muito a nos oferecer nessa discussão.

E Neuza observa:

- A bem da verdade, esse tema vem sendo abordado por quase todos os membros do comitê diretor, em conversas reservadas.

- Isso mostra que estão todos antenados com as atividades da nossa casa espírita e com suas necessidades - assevera Geraldo.

Neste instante, Nelson, diretor de assuntos doutrinários e mediúnicos, se pronuncia:

- A idéia está no ar, clamando por nossa atitude, por isso, achei acertada a proposta do Geraldo de convocação dessa reunião.

Geraldo passa a fornecer elementos para a discussão:

- Fizemos um levantamento histórico do trabalho assistencial da casa. Os dados que colhemos nos colocaram em alerta, no sentido de avaliarmos a forma como vem sendo tratada essa questão no centro.

- Que dados são esses, Geraldo? - pergunta Sônia.

- Primeiramente, observamos que, em alguns casos, estamos prestando assistência à terceira geração de uma mesma família ...

Neuza se adianta:

- Sem que nada tenha mudado, não é mesmo, Geraldo?!

- É isso mesmo. Nada mudou. Os modelos de vida, de necessidades, se repetiram nas três gerações.

- Então, está na hora de mudarmos o nosso modelo assistencial! - conclui Nelson.

- Eis a razão dessa reunião, meus amigos. Queremos a contribuição de todos os companheiros do comitê diretor, a fim de buscarmos caminhos que qualifiquem o nosso serviço assistencial.

Neuza dá a sua opinião:

- Acho que estamos fazendo assistencialismo!

- O que não colabora, em nada, para o crescimento das pessoas.

- Muito ao contrário, Sônia - acrescenta Neuza.

Geraldo continua sua exposição:

- Vimos observando que, fornecendo a sacola mensal de alimentos, em certos casos, estamos estimulando a indolência, a ociosidade nas pessoas.

- Se a pessoa tem à sua disposição, sem qualquer tipo de esforço, o alimento e o vestuário, por que motivo vai se preocupar em trabalhar para conquistá-los? - questiona Nelson.

- E outro dado importante da pesquisa: conseguimos detectar várias famílias que recebem sacola aqui e em outros centros.

- Como também em outras casas religiosas, Geraldo.

- Isso mesmo, Neuza. Geraldo, então, lança a questão:

- Estamos realmente ajudando o crescimento dessas famílias, ou estamos alimentando a indolência, a ociosidade?

- Eis a questão! - exclama Nelson.

E Sônia também lança uma pergunta:

- O que seria caridade, nesse caso?

E ela continua perguntando:

- Seria ajudar o crescimento dessas pessoas ou colaborar para que se mantenham no estado de indolência?

- A meu ver, o que é feito atualmente no centro atende a essa segunda questão, ou seja, colabora para a manutenção do estado de total desinteresse das pessoas na luta pela vida - opina Neuza

- Há um outro dado que acho relevante!

- Geraldo, precisamos que nos fale de todos os dados levantados na pesquisa, para que tenhamos elementos que nos ajudem na avaliação.

- É esse o meu intento, Neuza. Colocarei vocês a par de todo o material coletado. Nelson, no instante, intervém:

- Mas, você ia falando sobre um outro dado, Geraldo. Continue, por favor.

- No ano passado, abrimos possibilidade para um curso de manicura.

- Excelente a medida! - exclama Neuza.

- Mas, somente apareceram duas candidatas. Tomara que concluam o curso!

E Sônia quer ajudar.

- Gostaria de contar-lhes um fato, para colaborar nessa nossa avaliação.

- Queremos ouvir de vocês tudo aquilo que possa colaborar para a busca de caminhos adequados às verdadeiras necessidades do pessoal.

- A filha de uma vizinha está fazendo as unhas de várias pessoas conhecidas, para custear a sua Faculdade.

- Quer dizer, não ficou esperando cair do céu, nem da casa espírita: correu atrás!

- Mas, Geraldo, o histórico de vida dessa moça não deve ser o mesmo daquelas assistidas pelo centro - argumenta Neuza.

- Aí está, no meu entendimento, o ponto nevrálgico da questão!

- Ponto nevrálgico em que sentido, Geraldo?

- Essas pessoas, Nelson, se acomodaram num estilo de vida e não desenvolveram os estímulos necessários à luta pela sobrevivência.

- Na minha infância conheci uma família que passou por sérias privações.

- E o que fizeram os seus componentes, Neuza?

- Partiram para a luta em busca do que fazer. E Neuza continua:

- Um fato me comoveu muito e ficou gravado pra sempre na minha memória.

- Mexeu com a nossa curiosidade, Neuza!

- O filho mais novo do casal, Sônia, um garoto de aproximada-mente 14 anos, teve a iniciativa de construir uma caixa de engraxate e saiu pela cidade trabalhando.

- E parou de estudar? - Não, Nelson! Nenhum deles deixou de estudar. O resultado financeiro obtido com a caixinha de engraxate dava para comprar material escolar para os que ainda estudavam.

- Essa historia realmente nos provoca a reflexão.

- Mas, a história ainda não acabou, meu caro Geraldo.

- Então continue, Neuza, precisamos de muitos subsídios para melhor avaliar o nosso trabalho.

- Além do garoto que citei, os adultos dessa família saíram em busca de algum trabalho. De algo para fazer, que pudesse colaborar na sua subsistência.

- Correram atrás, como diz o povo!

- Isso mesmo, Sônia. Só que, nesse ínterim, o chefe da família adoeceu.

- A situação, aí, ficou mais difícil ainda - comentou Nelson.

- O mais estranho, meus amigos, é que foram pedir auxílio numa casa espírita e lá disseram que não poderiam ajudá-los, porque na família todos trabalhavam e tinham boa moradia!

Geraldo, então, tenta sintetizar:

- Quer dizer, ajuda-se a quem não faz nada, nem quer se esforçar para fazê-lo e não se ajuda a família que, sendo operosa, passa, em determinado instante, por dura provação!

- Acho que tornamos burocratizado, automatizado, o trabalho assistencial na casa espírita.

- Sem nenhuma flexibilidade, Nelson!

- E essa prática já está acontecendo em outras atividades do centro espírita, por isso acho que a avaliação das tarefas é imprescindível, para que não se imobilize a instituição - opina Neuza.

- Voltemos a pesquisa, Geraldo!

- Pois não, Nelson! No ano passado também, na entrevista que se faz periodicamente, uma menina de apenas 14 anos, já com um filho no colo, perguntada sobre o que mais desejava para o seu futuro, respondeu que era arranjar um marido para sustentar a si mesma e a seu filho.

- Assistiu esse modelo em casa e o repete!

- É! Você pode estar certa Neuza, pois ela é filha de mãe solteira, que a teve ainda muito nova.

- Essa é a cultura desenvolvida no meio em que ela vive e que, de certa forma, é alimentada por nós - avalia Sônia.

- Há um outro caso, na entrevista, que me chamou atenção. Respondendo a mesma pergunta, uma menina, com 15 anos, respondeu que seu maior desejo era ter 20 filhos!

Nelson faz uma pergunta, de certa forma óbvia, para os presentes:

- E como iria sustentá-los?

- Da mesma forma que ela e outros foram sustentados - esclarece Sônia.

- Não sei se perceberam a gravidade da situação?!

- Claro que percebi, Geraldo - fala Neuza.

- Essa questão não é tão simples quanto se pensa. Há muitas variantes que precisamos avaliar - propõe Nelson.

- Penso que deveríamos buscar uma forma de trabalhar a auto-estima e a cidadania junto a essas pessoas - sugere Sônia.

- E não ficar falando somente de religião - acrescenta Neuza.

Nelson concorda:

- Acho também que não podemos nos contentar em somente dar sacola de alimentos, vestuário e ensinar evangelho.

- Certo, Nelson! Precisamos ajudar essas pessoas, porém com real interesse no seu progresso

. - E não colaborando para que se mantenham na ociosidade, na miséria, para que tenhamos algo para fazer, que é somente alimentá-las.

- Fica parecendo, Nelson, que nos interessa o quadro de miséria para que possamos praticar a caridade.

- É verdade, Sônia!

E Geraldo lança uma idéia:

- Julgo que, além da proposição doutrinária, precisamos solicitar colaboração de pessoas com formação na área da educação, da psicologia e da sociologia.

Sônia concorda:

- Boa idéia, Geraldo!

- Não somos polivalentes - acrescenta Nelson.

- Essa pretensão de polivalência no nosso meio, vem produzindo muitas atitudes equivocadas.

- E, Neuza, muitos acham que somente boa vontade basta. Não basta não! Há necessidade de capacitação.

E, dado o adiantado da hora, Geraldo encerra a reunião:

- Bem, meus amigos! Por hoje, basta. Voltaremos a nos reunir brevemente e espero que vocês possam trazer novos subsídios para a nossa discussão.

A discussão do tema ainda está em curso na casa espírita, com algumas medidas já adotadas priorizando as necessidades do grupo familiar, e não só da pessoa isoladamente.

Boletim de Agosto/2004

 

Reflexões Espiritistas

 
 

Pesquisar no Site

Educação Espírita

Educação Espírita Para a Família

CONHEÇA O NOSSO TRABALHO

SEMEANDO IDÉIAS

 
Leia aqui 
 
 

Movimento Espírita

 

Grupo Espírita Redenção - Andaraí - Rio de Janeiro, Powered by Joomla!