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Em busca de um grupo perfeito PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 15:11

Sílvio, o presidente do Centro Espírita Seareiros do Bem, é chamado por Iraci, da recepção, para conversar com um senhor que estava freqüentando a casa espírita há pouco tempo.

- Sílvio, vou trazer-lhe um senhor que precisa muito conversar com você!

- Mas, o que tem ele, Iraci?

- Está muito revoltado com a religião que professava.

- E daí, Iraci?!

- Ele só fala nisso. Já é a terceira vez que lhe dou atenção, no trabalho da recepção, e o assunto é o mesmo.

- Como é o nome dele?

- Ele se chama Ítalo. Acho que ele quer compensar a mágoa que traz consigo, exaltando demais o Espiritismo e os espíritas, sem conhecê-los devidamente.

- E isso não é bom!

- Eu também acho. Por isso, Sílvio, quero que converse com ele.

- Traga o homem. Vamos ouvi-lo.

Logo depois, Iraci apresentava um ao outro.

- Sílvio esse é o senhor Ítalo. Seo Ítalo, esse é o Sílvio, o presidente do nosso Centro.

- Prazer em conhecê-lo, Ítalo.

- O prazer é todo meu, seo Sílvio.

- Ora, Ítalo, chame-me de Sílvio, por favor.

- Desculpe-me, mas não posso. Faz parte da minha criação!

- Mas, então, posso chamá-lo de Ítalo?

- Como queira o senhor. Afinal, é o presidente do Centro!

- Não é essa a questão, meu amigo. A presidência do Centro é somente uma condição transitória. E que resulta em muita responsabilidade.

E Sílvio propõe:

- Vamos ao que nos interessa mais de perto, Ítalo. Freqüenta a nossa casa há pouco tempo, não?!

- Isso mesmo. Soube do Espiritismo há questão de um ano, mais ou menos, através de um amigo, o Hélio. Foi ele quem me indicou esse centro.

- O Hélio é espírita praticante?

- É um exemplo de virtude, por isso aceitei sua indicação. Tenho-o em grande conta. É um exemplo pra mim.

- E está se sentindo bem em nossa casa espírita, Ítalo?

- Muito bem. Muito melhor do que me sentia no templo religioso que freqüentava.

- E quanto à Doutrina Espírita, está apreciando seus princípios?

- Bom! Estou no início, seo Sílvio. Concordo com algumas coisas. Outras, no entanto, preciso analisar melhor para ver se são do meu agrado.

- A Doutrina Espírita é clara em seus princípios, meu irmão. E, nesse caso, ou os aceitamos ou não os aceitamos. Não há meio-termo.

E, aí, Ítalo toca na sua ferida.

- Me desentendi na casa religiosa a que pertencia e trago comigo muita mágoa do pessoal de lá. Me enganaram o tempo todo.

- Mas, Ítalo, como entender uma nova proposta filosófico-moral com o coração ainda cheio de mágoa?!

- Não posso esquecer o que aqueles infelizes me fizeram!

- Mas, foi tão grave assim?!

- Me fizeram crer que eram pessoas de bem e, no fundo, não eram. Eram picaretas mesmo.

- E, decepcionado com os homens, o amigo se desligou da proposta religiosa que abraçava?

- Foi isso mesmo que aconteceu!

- Pelo que estou entendendo, você se desentendeu com os homens do templo religioso, mas ainda é possível que traga consigo convicções inerentes aos princípios da religião que, por largo tempo, o agasalhara.

- Isso é fato!

- E aqui conosco, como se sente?

- Aqui é tudo diferente. Dizem que a Doutrina é consoladora e vejo que os seus adeptos são pessoas de bem.

- Mas, como você mesmo disse, no início da conversa, está há muito pouco tempo entre nós e, por isso, conhece muito pouco tanto da Doutrina quanto dos espíritas.

- Vê-se logo, seo Sílvio, pela maneira de vocês se comportarem aqui no centro, que são pessoas de bom caráter e humildes.

- Mas, amigo Ítalo, percebo que você conhece muito pouco os homens. E, em seu próprio benefício, gostaria de esclarecer-lhe alguns pontos que considero importantes.

- E quais são?

- A primeira questão é referente ao que denominamos de movimento espírita.

- Nas palestras ouço muito essa expressão!

- Pois é, meu amigo, movimento espírita é o que os adeptos da Doutrina estão realizando em termos de estudo, divulgação e prática do Espiritismo.

- Muito bem. Está entendido.

- Mas, meu querido, os adeptos do Espiritismo, e que formam o movimento espírita, são pessoas comuns, não são santos, não são perfeitos.

- Vejo-as como pessoas de bem

! - Quanto a isso, tudo bem. Mas, não queremos que o amigo se iluda mais uma vez.

- Como assim?!

- Nós, os espíritas, somos seres falíveis, como todos os das outras crenças religiosas.

- O senhor está brincando comigo, seo Sílvio?!

- Não estou brincando não, meu amigo. Tenho receio de que você se decepcione mais uma vez com os religiosos, por falta de entendimento da situação.

- Não o estou entendendo, seo Sílvio!

E Sílvio, pacientemente, procura melhor esclarecer Ítalo.

- O amigo se decepcionou com a filosofia desenvolvida pela sua antiga religião ou com os seus profitentes?

- Lógico que foi com os homens de lá, que pareciam ser pessoas de bem e não eram.

- Mas a filosofia desenvolvida pela crença é boa?

- Sim, muito boa!

- Aí está toda a questão, meu amigo.

- Ainda não o entendi, seo Sílvio!

- O amigo não está aceitando o Espiritismo por estar consciente de sua proposta filosófico-moral.

E Sílvio ainda fala:

- E você, Ítalo, tem uma visão de nós, espíritas, que pode não corresponder à realidade.

- Os espíritas não são pessoas de bem?!

- Estamos buscando nos melhorar sempre. Mas, é possível que ainda não correspondamos, na realidade, às suas expectativas quanto ao homem religioso.

Sílvio, então, enfatiza:

- Nós, espíritas, não somos perfeitos. Cada um de nós tem suas dificuldades que, logicamente, buscamos, através do estudo e da vivência da Doutrina, nos libertar. Mas, ainda trazemos conosco certas mazelas ainda não corrigidas.

- O senhor diz isso porque é uma pessoa humilde.

- Não é nada disso, amigo. Não sou humilde, como pensa.

- Conheço os verdadeiros humildes, seo Sílvio.

- Entenda bem o meu propósito: estou-lhe avisando para que não venha, logo logo, a se decepcionar também com os espíritas. Não somos seres especiais. Somos normais, meu amigo.

- Que outro ponto quer me esclarecer, seo Sílvio?

- É quanto aos princípios da Doutrina Espírita.

- Esses princípios eu os decorarei com o tempo, não se preocupe.

- Preocupo-me sim, Ítalo. Os princípios espíritas não devem ser decorados. Eles precisam ser entendidos para que possam ser praticados conscientemente.

- Mas, isso é uma questão de tempo. O senhor verá!

- Tem freqüentado somente as reuniões públicas, Ítalo?

- Sim. Tomo passe e água benta!

- Pois é, amigo! Acho que o companheiro deveria ingressar no estudo sistemático da Doutrina para que melhor possa avaliar sua opção pelo Espiritismo

. - Minha opção já está feita, seo Sílvio. Agora, sou espírita!

- Vamos com calma, amigo!

Nesse instante, Gilmar, o vice-presidente da casa, chega junto dos dois, para falar com Sílvio.

- Boa tarde, Sílvio.Boa tarde, senhor.

- Boa tarde, amigo.

- Boa tarde, meu senhor!

- Sei que você está preocupado com a minha situação, Sílvio, por isso vim até aqui somente para tranqüilizá-lo. O divórcio foi sacramentado.

- Muita força daqui pra frente, meu amigo. Conte com os amigos da nossa casa espírita.

- Obrigado, Sílvio. Vou indo!

E Ítalo, agitado e constrangido, pergunta:

- Mas, seo Sílvio, o vice-presidente do centro se divorciou da mulher?

- Sim, Ítalo. Foi um caso muito complexo e penoso, que não cabe detalhes.

Sílvio percebe que todo o entusiasmo, até então demonstrado por Ítalo, se esvai e o homem parece nervoso.

- O amigo está se sentido bem? Mudou de ânimo, parece-me agitado.

- Não é nada, não. Vou indo!

Sílvio, então, pensa alto:

- Por minha experiência, esse não volta mais aqui!

E não voltou mesmo. Ítalo talvez estivesse buscando o inviável: um grupo religioso perfeito, administrado, se possível, diretamente por Jesus. Mas, perfeição na Terra não existe, a não ser fantasias dela em propostas doentias e equivocadas.

Boletim de Novembro/2004

 

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