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Dívida e Obsessão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 14:41

Antônio era um dos seis filhos de Eduardo e Laura. Apresentava pronunciadas tendências para as fragilidades humanas. E isso preocupava, não só os pais, como também os irmãos.

– Laura, tenho procurado aconselhar o Antônio, mas percebo-o completamente alheio aos meus conselhos – comentava Eduardo.

– Já não sei mais o que fazer como mãe! Com 22 anos Antonio até hoje só tem procurado más companhias. Não vejo bom resultado nisso!

Antônio passara a beber e ficar embriagado a ponto de chegar a casa completamente alterado.

– Não quero que me chateiem! Não venham com sermões! Não estou a fim de ficar ouvindo ladainhas! – bradava o rapaz.

– E a mãe tentava conversar com ele:

– Mas, meu filho, por que beber? Esse seu comportamento me arrasa!

– Pára de reclamar mamãe! Bebi só um pouquinho hoje. Amanhã tudo estará bem, vocês vão ver! Vou para o meu quarto. Basta de falação!

Mais uma noite de expectativa, angústia e sofrimento para a família. Pela manhã, Jonas, o irmão mais novo de Antônio conversa com os pais.

– Papai, precisamos buscar tratamento para o Antônio!

– Já estamos vendo isto, Jonas – observa Eduardo.

– Indicaram-nos também o AA, que tem obtido grandes resultados nesses casos – comenta a mãe.

Aí entra na conversa Marina, uma das irmãs de Antônio.

– Vou procurar me esclarecer melhor sobre o AA e, se for o caso, eu mesmo o levarei lá.

E assim aconteceu. Antônio passou a freqüentar o AA. Transformara-se. Começou a namorar Rita, moça que conhecera através de parentes. Laura, certo dia, conversa com Rita:

– Rita, gostaria que você ficasse ciente de que o Antonio, filho que amamos muito, esteve, certa época, envolvido com a bebida, dando-nos grandes preocupações.

– Eu já sei de tudo, dona Laura. O "seo" Eduardo também já conversou comigo. Sou muito grata a vocês pela sinceridade. Não estarei casando enganada. O próprio Antônio me falou sobre o assunto. Estou disposta a unir-me a ele, apesar desse fato.

Após o casamento, Antônio, justificando a necessidade de maior convívio com a esposa, foi relaxando com a freqüência ao AA. Tempos depois, não mais comparecia às reuniões, apesar da insistência dos companheiros. Passado mais algum tempo, Antônio retornava à bebida.

– Antônio, meu bem! Não faça isso com você mesmo! A bebida é uma praga! Constituímos um lar! Pense nisso! – argumentava Rita.

– Não fique triste, Rita, vou dormir. Amanhã tudo será diferente, você vai ver!

– Infelizmente não foi assim. Antônio não parava mais nos empregos que os familiares lhe conseguiam. Passou a dar desfalques que os irmãos cobriam, considerando a idade avançada dos pais e para quem, o desgosto de ver o filho preso, poderia ser fatal. E Rita reagia estoicamente:

– Casei-me com ele consciente. Ninguém, nem ele mesmo, me enganou. Portanto, estarei sempre disposta a ajudá-lo.

E Jonas, que havia se tornado espírita, aproveitando momento oportuno, conversa com a cunhada:

– Eu e os outros irmãos, sempre procuramos ajudar o Antônio de várias maneiras, o que, aliás você vem assistindo. Ele não quer saber de voltar ao AA, que foi muito bom para ele, quando mais moço.

– Ele está muito resistente - observa Rita, que ainda diz: Tenho apegado-me às orações, como último recurso.

– Hoje levarei o nome de Antônio para uma reunião privativa da Casa Espírita em que trabalho. Vamos ver o que os Benfeitores Espirituais podem fazer para o ajudar!

E, na reunião de desobsessão, quando o nome de Antônio é pronunciado para irradiação, um médium é envolvido por um espírito em grande revolta:

– Por que me trazem aqui? Eu quero arrasar com aquele miserável, da mesma forma como ele arrasou comigo!

– Mas, meu irmão, você foi trazido aqui para que pudéssemos beneficiá-lo. A revolta o está infelicitando. É preciso refletir nisto – propõe o doutrinador.

– Se você tivesse passado o que eu passei não falaria assim! Morri num calabouço, meu caro, acusado por ele de ter roubado barras de ouro, que ele mesmo roubara. Morri naquele lugar infecto, completamente inocente – argumentou o Espírito.

– Você acha que essa perseguição está te trazendo felicidade?

– Ele não pode ficar impune. Aquela que vive com ele como se fosse boazinha, é uma víbora. Ela o ajudou na empreitada sinistra contra mim. Hão de pagar os dois. Através da sua fraqueza de caráter influenciarei para que beba cada vez mais e dê mais desfalques, para ser preso, como eu fui. Quero vê-lo atrás das grades, sofrendo e fazendo sofrer a megera de sua mulher.

E o doutrinador, usando de toda a argumentação afetivo-doutrinária, tentou demover aquele irmão do processo de vingança que promovia, sem grandes resultados, naquela primeira vez. Jonas, que ouvira todo o diálogo, começava a compreender as causas da problemática do irmão.

No dia imediato, procurou a cunhada, cauteloso no falar, considerando a complexidade do caso e as orientações da Doutrina Espírita:

– Rita! Conforme prometi, levei o nome do Antônio para o Centro. Ficou claro que existem influências espirituais sérias atuando nas dificuldades apresentadas pelo Antônio.

– Temos que fazer algum trabalho? – pergunta Rita.

– Nada disso, Rita.! São influências espirituais oriundas de encarnação passada.

– E o que teremos que fazer?

Neste instante, Antônio chega a casa Jonas, então, aproveita a oportunidade para falar sobre o assunto.

– Meu mano, levei seu nome a uma reunião do Centro Espírita que pertenço. Ficou evidenciado que o seu problema tem raízes no passado, em outra encarnação. Seria bom que vocês dois se dispusessem a freqüentar o Centro. Fará muito bem aos dois!

– Toda semana? – pergunta, contrariado, Antônio.

– Toda semana, meu irmão! Vocês aprenderão, como venho aprendendo, muitas coisas que explicam nossas tendências e dificuldades atuais. Entenderão que do nosso esforço individual depende também nossa libertação.

– Vamos, Antônio! Vamos lá! Já temos sofrido muito!

– Serão também beneficiados com o passe e a água magnetizada que lhes serão oferecidos.

Tenho comprovado excelentes resultados da terapia espírita.

E Jonas acrescenta:

– Tudo vai depender, é claro, dos esforços de cada um de vocês no sentido de colocarem em prática os ensinamentos de Jesus, revividos e explicados pelo Espiritismo.

Antônio e Rita começam, então, a freqüentar o grupo espírita. Os dois, assim, começam a se integrar no estudo e no trabalho da Casa Espírita. Tempos depois, por sua livre e espontânea vontade, Antônio volta ao convívio edificante dos companheiros do AA.

Boletim de Outubro/2000

 

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