Página Inicial / Crônicas Espíritas / Discernimento e burocracia
Discernimento e burocracia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 14:38

O Grupo Espírita Trabalhadores do Bem possui equipe de recepção. É dia de Marilda estar em serviço. Surge à porta um senhor e ela se adianta:

- Boa noite, meu irmão!

- Boa noite, senhora!

- Acho que é a primeira vez que o amigo vem ao nosso centro, não?

- Não é não! Já estive aqui numa reunião à tarde! Estou procurando conhecer os trabalhos da casa!

- Já lhe foram mostradas as dependências do centro?

- Já, sim! Aliás, tenho sido muito bem recebido aqui neste centro!

- Cumprimos com o nosso dever!

- Vou até à livraria! Quero a nova obra do Hermínio Miranda, Os Cátaros e a Heresia Católica, que soube já ter chegado!

- Fique à vontade, meu irmão!

Surge, então, uma senhora que Marilda ainda não tinha visto na casa.

- Boa noite, minha irmã!

- Boa noite!

- É a primeira vez que vem ao nosso centro? Não me lembro de tê-la visto aqui!

- É a primeira vez, sim!

- Como é o seu nome?

- Helena! Estou passando por momentos de grande sofrimento!

E as lágrimas rolam pelas faces de Helena.

- Preciso conversar com alguém! Estou muito angustiada!

- Lamento dizer-lhe, mas o horário do atendimento fraterno já expirou, Helena! Volte amanhã! Na reunião da tarde também faz-se atendimento fraterno. Mas observe o horário, minha irmã!

Renato, diretor do serviço assistencial do Trabalhadores do Bem, passava pelo local, no momento, e ouviu o final do diálogo entre Marilda e Helena. Após se desincumbir de tarefa importante, ele procura Marilda.

- Marilda, onde está a senhora que estava conversando com você há pouco? Pareceu-me estar chorando!

- Vieram-lhe as lágrimas! Disse-me estar angustiada! Não pude encaminhá-la ao atendimento fraterno, porque o horário já estava findo!

- Onde está a tal senhora, Marilda?! Procuremo-la!

- Deve estar no salão, Renato! O nome dela é Helena!

Renato sai à procura de Helena e, logo após, está de volta:

- Não achei a senhora, Marilda! Procurei-a em todas as dependências do centro!

- Deve ter ido embora!

- Mas, isto não pode acontecer numa casa espírita, minha irmã!

- O que não pode acontecer, seo Renato! Cometi algum erro?! Falhei na minha tarefa?!

- Qualquer pessoa que procure a nossa casa espírita e que sabemos angustiada e aflita, não pode sair daqui sem ser devidamente ouvida e consolada, Marilda!

- Mas ela voltará amanhã!

- Amanhã poderá ser tarde, minha irmã!

- Mas o horário do atendimento fraterno já tinha terminado, seo Renato!

- A dor e o sofrimento não vêm com hora marcada, Marilda! E hoje, temos aqui vários atendentes que poderiam ter conversado com ela! Eu mesmo poderia tê-lo feito, se a tivesse encontrado!

- Mas o senhor não é do atendimento fraterno, seo Renato!

- Numa emergência, Marilda, não entendo porque eu não possa conversar com uma pessoa necessitada, que busque a nossa casa!

- Recebi ordem do seo Gilberto para respeitar o horário do atendimento fraterno! Estou cumprindo ordem!

- Querida Marilda, o Gilberto não dá ordem! Ele promove reuniões periódicas para avaliação do trabalho de recepção, em que procura conscientizar os trabalhadores da responsabilidade de se receber bem e adequadamente aquele que vem a nossa casa!

- É isso mesmo! E ele nos dá ordem para não encaminharmos ninguém para o atendimento fraterno, fora do horário!

- Ficarei constrangido se confirmar que o Gilberto dá esse tipo de ordem! E os casos de urgência e que, atualmente, são muitos, como conduzi-los?!

- Chamarei a Lívia, que também faz parte do trabalho, para que ela confirme o que estou dizendo!

Lívia, chamada por Marilda, se acerca dos dois:

- O que está havendo! Está nervosa , Marilda?!

- Tô, sim! Estou levando uma tremenda bronca do seo Renato!

- Mas, Marilda, eu não estou dando bronca em você, minha irmã! Estamos conversando sobre um trabalho da nossa casa que, a meu ver, não atendeu aos propósitos do Espiritismo! Afinal, esta é uma casa espírita e, por isso, deve cumprir com sua finalidade!

- E eu?! O que tenho com isso?! - pergunta Lívia.

- O seo Gilberto, Lívia, não deu ordem para cumprirmos fielmente o horário do atendimento fraterno?

- Na última reunião dos componentes da recepção, discutiu-se sobre esse assunto, sim!

- Então, o assunto foi discutido, Lívia?

- Foi sim! E todos tiveram oportunidade de falar!

- E o que ficou decidido?

E Lívia esclarece:

- Cabe, antes, um esclarecimento, Renato! O assunto surgiu devido ao pedido do dirigente do atendimento fraterno para que procurássemos encaminhar as pessoas necessitadas, logo que aqui chegassem, para que os atendentes pudessem bem aproveitar o tempo proposto para o serviço!

E a moça continua:

- Em certos dias, estava havendo demora nesse encaminhamento, o que gerava acúmulo de pessoas ao final do horário, dificultando o bom atendimento. Nesses dias, os atendentes de plantão ficavam sem ter o que fazer, por longo tempo, na parte inicial do horário proposto. Estas foram as razões do pedido do Gilberto!

Marilda aproveita e assevera:

- E, por isso, o seo Gilberto determinou que cumpríssemos o horário! Não foi Lívia?

- Até certo ponto sim!

- Mas, por que até certo ponto, Lívia?!

- Porque, conforme já discutimos diversas vezes nas reuniões de avaliação, seo Renato, há casos e casos!

- Essa é a grande questão!

- Decidimos também, numa reunião anterior, que os casos de emergência deverão ser tratados à parte. Se necessário, deverão ser levados ao Gilberto!

- Eu devo, então, ter entendido errado, Lívia!

- Mas, por que? O que aconteceu?

- Passando por aqui, ouvi um diálogo da Marilda com uma pessoa que se dizia angustiada e até chorava! Marilda recomendou que ela viesse amanhã, pois o horário do atendimento fraterno havia se encerrado!

- Nesses casos, deve-se procurar o seo Gilberto! E se ele não estiver na casa, qualquer outro diretor poderá atender à emergência!

- Então, se confirma aquilo que temos discutido no comitê diretor, com a participação do Gilberto: ninguém, que esteja aflito, deve sair de nossa casa, sem que tenha tido possibilidade de receber o devido conforto!

- É essa a idéia proposta em nossas diversas reuniões! Marilda, desconsolada, reclama:

- É! Eu não dou mesmo para esse trabalho! Ainda por cima levo bronca e sou desacreditada!

- Deixa de exagero, Marilda!

- Lívia tem razão, Marilda! Não exagere! Não estamos discutindo a sua pessoa. Estamos tratando da forma de condução de uma tarefa da nossa casa espírita.Tarefa essa que deve ter bom desempenho, para que atendamos aos propósitos do Espiritismo!

- Eu sou bem mandada, seo Renato! Faço o que me mandam fazer!

- Mas, minha irmã, para cumprimos uma tarefa na casa espírita, há necessidade de termos consciência da sua finalidade e importância!

- E isso tem sido muito falado nas nossas reuniões de avaliação do trabalho de recepção. Talvez, Marilda, você não tenha se adaptado ao serviço!

- E, se for o caso, a nossa casa tem várias outras opções de trabalho, em que você poderá ser muito útil, Marilda! Precisamos de todos! Cada um fazendo aquilo que melhor atenda às suas necessidades!

E Marilda saiu dali um tanto inquieta, imaginando-se sem o poder que aquele trabalho lhe conferira e a que se habituara, dando-lhe, no seu entendimento, um certo prestígio. Mas, a direção do atendimento fraterno, após transparente e fraterna conversa com Marilda, convenceu-a a transferir sua colaboração para o serviço assistencial, tarefa em que se saiu bem.

Boletim de Junho/2003

 

Reflexões Espiritistas

 
 

Pesquisar no Site

Educação Espírita

Educação Espírita Para a Família

CONHEÇA O NOSSO TRABALHO

SEMEANDO IDÉIAS

 
Leia aqui 
 
 

Movimento Espírita

 

Grupo Espírita Redenção - Andaraí - Rio de Janeiro, Powered by Joomla!