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Da invigilância PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 14:37

Hilário, sua mulher Flávia e seus dois filhos, Isabel e Mateus, são espíritas. A família reunida, após o almoço, conversa.
– Hilário, vamos, os quatro, ao cinema?
– Não, querida! Hoje não.
– Há bons filmes em cartaz, marido, alguns até com temas espíritas.
– Hoje a TV vai transmitir o jogo do meu Vascão! Não posso perder.
Mateus, aí, reforça o convite da mãe.
– Vamos ao cinema juntos, pai! O jogo é mais tarde. Eu também quero assistir a essa partida.
– Deixa ele, Mateus! Vai perder a companhia de três pessoas que o amam muito – reclama Isabel.
– Perdoem-me, mas hoje, realmente, não sinto nenhuma vontade de ir ao cinema.
A mulher e os filhos vão ao cinema. Hilário, influenciado por seu protetor espiritual, liga para Renato, seu grande amigo, que, além de ser espírita, é seu colega de trabalho.
– Alô! É Renato?!
– Olá, Hilário! Tudo bem?
– Mais ou menos! Preciso ter uma conversa séria com você.
– Estou pronto para ouvi-lo, amigo.
– Não é conversa pra telefone, amigo. Só pessoalmente!
– Então, amanhã, no trabalho, poderemos conversar.
– Preferiria que não fosse lá, nem na minha casa. Minha família foi ao cinema. Se pudesse ser hoje, seria ótimo.
Renato, após verificar os compromissos do dia, aceita a proposta de Hilário.
– Daqui a uns trinta minutos, amigo, espere-me na lanchonete em frente ao seu edifício. Levarei Leci na casa da mãe e, na volta, encontro com você lá.
– Combinado!
E os dois se encontram.
– Pelo visto, o assunto é sério mesmo!
– Muito sério, Renato.
– Do que se trata, cara?
– Estou amarradão na Margarida!
– O quê?!
– Estou gamado pela Margarida, aquela gata da Contabilidade.
– Não acredito!
– Ela está parada na minha, Renato.
– Você está brincando, Hilário. Só pode ser brincadeira, uma notícia dessa!
– Cheguei à conclusão que ela é a minha alma gêmea, Renato.
– Desde que você se casou, ouço-o dizer a mesma coisa da Flávia: mulher adorável, compreensiva, meiga, inteligente – sua alma gêmea.
– Por enquanto, cara, eu e Margarida estamos na fase da sedução, da conquista.
– Então, Hilário, você já está cometendo adultério!
– Que é isso, Renato?! Ainda não aconteceu nada.
– E não precisa ir às vias de fato para acontecer o adultério!
– Explique-se, Renato.
– Jesus disse que “aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério”.
E Renato acrescenta:
– E tem mais! Esse negócio de alma gêmea é blefe seu.
– Por que blefe?
– Você sabe muito bem que não existem almas gêmeas. Os espíritos superiores explicam, em O Livro dos Espíritos, que existem almas afins.
– Vá lá que sejam almas afins! O problema é que estou apaixonado pela Margarida.
– É muito fácil de resolver esse seu problema.
– Como?
– Se está apaixonado, é só desapaixonar e está resolvida a questão.
Renato prossegue:
– Ora, Hilário! Você está agindo muito mal. Tem uma mulher excelente e ótimos filhos. No entanto ...
Hilário, aí, repete o jargão:
– A carne é fraca, amigo!
– Sou bastante seu amigo para lhe dizer: não é a carne que é fraca, é o caráter!
Renato aproveita o impacto de suas palavras e continua:
– Você sabe muito bem, Hilário, que essas tentações chegam para nos testar. Tanto que a oração ensinada por Jesus propõe que peçamos ao Pai que não nos deixe cair em tentação.
– Mas essa tentação está sendo mais forte que eu, cara!
– Porque você assim permitiu que fosse.
– A Margarida já me antecipou que somente dará guarida aos meus desejos se eu me separar da Flávia.
– O que não deixa de ser sensato. E, pelo visto, você deve tê-la enganado, dizendo que vive mal com a esposa. Que não é compreendido por ela. E outras coisas do gênero...
– Como você sabe?
– Ora, Hilário! Esse discurso é mais velho que Matusalém.
Hilário, vendo-se desnudado pelo amigo, começa a refletir, e Renato ainda assevera:
– Que papelão, meu amigo! Além de estar traindo o compromisso assumido com a Flávia, utiliza-se do expediente mais sórdido para conquistar a Margarida – a mentira.
O protetor espiritual de Hilário aproveita o momento de reflexão de seu pupilo e o envolve mais intensamente, o que o leva a apresentar indícios de despertamento.
– Pensando bem, Renato, nem mais tenho feito minhas preces. Envolvi-me tanto nessa aventura que me distraí de compromissos importantes.
– Vá pra casa, cara! Reflita bastante. Ore com fervor, sinceridade e confiança. Certamente receberá a ajuda de que necessita.
Hilário se despede de Renato e, em casa, senta-se no sofá da sala. Contrito, ele ora. Aí, sua família chega do cinema e o envolve no carinho habitual.
– Perdeu um bom filme, pai – afirma Isabel.
– Saímos do cinema e fizemos aquele lanche! Sentimos sua falta, pai – declara Mateus.
– E o Vascão, marido?
– O Mateus está certo, o jogo vai começar daqui a pouco.
– Assistirei com você, querido!
E Hilário, como que inquieto, pensa no que vinha fazendo com aqueles que, afinal, o amam tanto e a quem ele também ama. No dia seguinte, pediu desculpas a Margarida pelo engano. E, aí, sem ter ideia do papel representado pelo seu protetor espiritual, pensou:
– Em que situação ia eu me metendo, fruto da minha invigilância. Fui salvo pelo gongo. Ou melhor, pelo Renato. Devo-lhe esta!

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