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Conceito equivocado PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 14:30

Edgar e Helena, como de hábito, conversam com os filhos, Renan e Catarina. A filha conduz o assunto:

- Fui surpreendida com a notícia de que a Magali está grávida. E está pensando em provocar o abortamento.

- Foi ela própria quem lhe disse, filha?!

- Foi sim, mãe. Tentei fazê-la refletir melhor. Mas, não senti muita receptividade.

Renan entra no assunto:

- E o pai da criança, mana, o que diz?

- Pelo que entendi, o Roberto estaria disposto a assumir a paternidade.

E Edgar observa:

- Atitude correta a desse rapaz. Nesses casos, o comum é o homem se furtar à responsabilidade que lhe cabe, deixando, com a mulher, todo peso da conseqüência da gravidez.

- O Roberto foi muito envolvido no desentendimento da Magali com a família. Tanto que ele não freqüenta a casa dela. Isso tudo dificulta uma solução mais satisfatória para o caso.

Aí, Renan dá outro rumo à conversa:

- A questão do aborto é muito pouco discutida, atualmente, em nosso meio.

- Por falar nisso, filho, o Reginaldo, responsável por agendar expositores para o centro, disse-me que alguns companheiros não aceitam falar de aborto, e as justificativas são as mais variadas. Uns consideram o assunto muito complexo, outros dizem que receberam orientação para evitarem o tema.

- Não entendo isso, querida. Esse tipo de atitude mostra como ainda estamos mais preocupados em agradar aos homens que a Deus. E a responsabilidade da difusão da Doutrina Espírita, como é que fica?!

- Como se comprometer moralmente com a divulgação do Espiritismo, se não se dá importância aos seus princípios? - questiona Catarina.

- Entendo que os expositores podem e devem despertar consciências para a indignidade do ato do abortamento provocado, que representa infração à Lei de Deus - observa Helena.

- Como também, mãe, divulgando a doutrina, podem reabilitar pessoas que já se envolveram em atos desse gênero - acrescenta Catarina.

Renan, aí, intervém:

- Há companheiros expositores que gostam de transmitir um otimismo fantasioso, alegórico, que foge à realidade da vida e da doutrina. Esses, normalmente, fogem a assuntos como aborto.

- Mas, voltemos ao caso da Magali. Converse com ela novamente, filha. Não se esqueça, porém, de que a decisão estará, sem dúvida alguma, a cargo dela.

- Edgar tocou num ponto importante. Não podemos assumir decisão pelos outros. Cabe-nos tentar, pelos meios de que dispomos, alertar, esclarecer, conscientizar. Porém, a decisão é da competência da pessoa diretamente interessada - assevera Helena.

Afazeres diversos chamaram os que ali estavam e a conversa foi encerrada. Dias depois, o assunto volta a ser comentado:

- Pai! Emprestei à Magali um livro sobre aborto que encontrei na estante. Ele contém depoimentos de espíritos que foram suas vítimas. E Catarina prossegue:

- Após sua leitura, Magali decidiu não mais abortar. Conversou com os pais sobre a gravidez, o que ainda não havia feito. Está realmente decidida a assumir a maternidade.

- Ora! Ora! Que notícia boa! Eu ainda não tinha lido esse livro. Ganhei-o de um amigo, mas não tive tempo de avaliá-lo, filha. Renan, então, busca trocar idéias sobre a obra:

- Quando Catarina trouxe o livro de volta, preocupei-me em tomar conhecimento do seu conteúdo. Achei que o depoimento de determinado espírito contraria a lógica da doutrina.

- Como assim, mano!?

- O Espírito diz que tinha uma importante missão a realizar aqui, na Terra, fruto de programação no Espaço. E, ouçam bem: afirma ele que, no entanto, essa missão foi cortada pelo aborto, que o expulsou do corpo.

- E o que tem de errado, Renan?

- pergunta Catarina.

- Acho, mana, que os Espíritos Superiores são responsáveis. Não posso entender como poderiam permitir que um espírito, com importante missão a ser realizada na Terra, conforme relatado no livro, pudesse iniciar um processo reencarnatório através de alguém com possibilidades de abortá-lo.

- Percebo a incoerência da tese. Um Espírito, com grande missão na Terra, não poderia estar sujeito a um processo reencarnatório, com possibilidade de abortamento delituoso - diz Helena, que continua - do contrário, teremos que admitir que a programação dos Espíritos Superiores, considerando a importância da missão, foi falha, o que me parece estranho.

É quando Edgar lastima a atual situação do livro espírita, em especial o mediúnico.

- Lamentavelmente, muitos livros estão sendo editados sob o título de espíritas, porém, sem sofrerem a devida revisão doutrinária.

- Mas, de qualquer forma, pai, esse livro já tem o mérito de ter evitado um aborto.

- A publicação de livros espíritas, filha, está atendendo mais a vaidades e interesses financeiros, que a um projeto sério de divulgação do Espiritismo.

- Um conceito equivocado como o citado produzirá, certamente, conclusões apressadas e imprecisas por parte dos que pouco conhecem de Doutrina Espírita - fala Helena.

- E, muitas vezes, para justificar o equívoco, são criadas outras tantas teorias fantasiosas, fruto da ignorância da doutrina - complementa Renan.

- Por isso, filhos e querida esposa, a recomendação de Kardec é para avaliarmos tudo aquilo que vier dos espíritos. Não podemos aceitar nada, sem reflexão, sem avaliação.

- Uma boa revisão doutrinária teria detectado esse engano, marido. O pior é que este tipo de cochilo é um prato cheio para os adversários do Espiritismo.

- Certamente, Helena. No entanto, é imprescindível o entendimento de que esses equívocos são da coletividade espírita e não da doutrina, que já está consolidada nos seus aspectos filosófico, experimental e religioso.

O grupo familiar se dispersou, para atendimento de compromissos assumidos. No dia seguinte, Catarina surge com uma outra novidade:

- Estou muito feliz! Os pais de Magali se entenderam com o Roberto. E já se mostram felizes com a chegada do neto.

- Que bom, minha filha! - exclama Helena.

- E tem mais: o Roberto e a Magali vão morar num pequeno apartamento que seus pais possuem em bairro próximo. O casório virá logo em seguida.

Mais tarde, renascia na Terra, para alegria de todos, com o nome de Rodrigo, um Espírito que não era missionário, mas que conseguiu, com sua chegada, unir corações que se achavam distanciados uns dos outros.

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