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As consequências PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Qui, 10 de Fevereiro de 2011 15:45

Laura, espírita convicta, era casada com Renato. Tinham uma filha, Alice. Renato se mostrava frágil diante da luta humana e a mulher estava sempre pronta a ajudá-lo a superar as crises, que surgiam, de quando em quando.

– Há dias, Laura, que me sinto fraco. Chego a me achar uma pessoa completamente inútil.

– Mas, Renato, você tem superado, com louvor, esses momentos de instabilidade a que todos nós estamos sujeitos, na Terra.

– Diante de determinadas dificuldades, que outros superam sem maiores problemas, não consigo uma reação positiva, imediata. Sinto-me despreparado para enfrentar desafios, que acabam detonando em mim, automaticamente, um estado de desânimo.

– Você está se subestimando, querido. Já tem até consciência do que lhe ocorre. Isto reflete uma mudança.

E Renato fala de Alice:

- Eu amo nossa filha! Fico tão feliz em sabê-la longe dos vícios e das dificuldades que venho observando à porta de famílias amigas.

– Mas, marido, não podemos ver em Alice um anjo ou uma santa. É um espírito necessitado de orientação e disciplina, assim como nós.

– Deus colocou no nosso lar um espírito bom, Laura. Temos muito que aprender com Alice.

– Ora, Renato! Venho, há muito, tentando mostrar-lhe que não é bem assim.

- Nesse particular, Laura, acho que ganhamos na loteria.

– Nossa filha não é prêmio de loteria, meu querido. É um espírito que também traz, do passado, compromissos a serem saldados.

– Lá vem você com as teorias espíritas. Pare com isso, Laura! Nossa filha é uma boa menina.

– Também, acho! Só que não está isenta das dificuldades humanas, próprias dos que estagiam em nosso planeta.

Laura tivera informações espirituais confiáveis de que Renato se suicidara, em encarnação anterior e, por isso, necessitava de ajuda. Pela conjuntura familiar, pressentia seu envolvimento e de Alice no suicídio daquele que, nesta existência, está na condição de seu marido.

– Estou desanimado com os problemas que a nova chefia vem trazendo para a empresa e também para os funcionários. Minha vontade é pedir demissão.

– Que é isso, Renato! Você é um homem inteligente e capaz de dar a volta por cima. Tenha mais confiança em você mesmo. Logo, logo, tudo se acomodará. Tenha confiança!

– Sei não! Quando me levanto da cama, pela manhã, e me lembro que tenho que enfrentar o ambiente da empresa, tenho vontade de não voltar mais lá.

– Que é isso, marido?! Você é tão bem conceituado no trabalho. Essa onda passa. O tempo é instrumento de grandes transformações. Um pouco de paciência, Renato, e tudo se modificará.

– Que, às vezes, dá vontade de desistir, isso dá, Laura!

– Mas você não vai desistir não, Renato.

– O que fazer, então?!

– Você tem tido boa assistência médica, querido. O que poderia ajudá-lo mais seria o trabalho no bem. No centro, há muita gente carente necessitada do nosso trabalho voluntário. Quando quiser, poderá se integrar no serviço assistencial de que participo.

Laura se preocupava muito com a visão que Renato tinha de Alice. Vez por outra, ele se colocava como pai de um verdadeiro anjo e isso a assustava, pois conhecia melhor a filha. Certo dia, ela chama o marido para uma conversa mais séria.

– Renato, venho tentando mostrar a você que nossa filha é um ser humano, como qualquer outro, e com direito a ter suas dificuldades.

– Você vê nossa filha de forma muito negativa, Laura!

– De forma cuidadosa, querido! Preocupa-me a forma como você a vê, isso sim.

– Mas, o que está acontecendo?! Lá vem você com preocupações infundadas.

– Você precisa estar a par do que está ocorrendo, para que, juntos, possamos ajudá-la.

– Mas, afinal o que está acontecendo? Fala logo, Laura.

- Na vigilância que exerço sobre ela, a que você se recusa a me ajudar, acabei descobrindo que Alice está freqüentando uma turma envolvida com drogas.

– Não é possível! Ela não faria isso comigo!

– Antes de se preocupar com as conseqüências dos atos dela sobre você, acho que deveria estar mais preocupado com o mal que está causando a ela mesma.

E Renato, como de costume, se desorienta. Resolve chamar a filha para uma conversa. E fala ríspido:

– A Laura me falou que você, Alice, está freqüentando uma turma comprometida com drogas. O que você tem a me dizer, filha?

Laura intervém:

– Entenda, minha filha! Falei com o seu pai, pois estou sentindo-me sem condições de segurar essa barra sozinha. Juntos, os três, certamente examinaremos melhor o problema.

– Fala logo, Alice! É verdade o que sua mãe me disse?

– Mas, não é caso para ficar tão nervoso, papai! Não sou usuária de drogas.

– Minha filha! - exclama a mãe. Vamos ser verdadeiros, para que possamos encontrar caminhos de solução para o problema.

– Você não podia fazer isso comigo, Alice! Procurei lhe dar a melhor educação.

– Lembremos, Alice, os prejuízos que as drogas têm trazido para tantas pessoas, prejudicando-lhes até mesmo o convívio social. O seu uso, pelos malefícios à saúde física e psicológica, reduz o tempo de vida útil do encarnado, comprometendo-lhe o futuro espiritual, na condição de suicida indireto, filha.

– Tá bem! Assumo a condição de usuária.

– Vamos buscar ajuda médica, psicológica e espiritual, minha filha – fala a mãe.

Renato, então, se desespera. Sem fôlego para superar a crise que se apresentava, sai porta a fora. Sem rumo e sem ânimo algum para qualquer tipo de reação, deixa a mente livre a influências negativas que lhe sugerem o suicídio.

– Não agüento o peso da responsabilidade de viver! Quero morrer! – brada Renato.

E Laura, em casa, faz comovida e sincera prece a Deus. E ele, perambulando pelas ruas sem destino, sente-se impulsionado a entrar num determinado prédio. Lá dentro, parou, surpreso, para ouvir o orador que discorria sobre o suicídio e suas conseqüências. Era um centro espírita. Terminada a reunião, uma trabalhadora do atendimento fraterno se aproxima de Renato.

– Como é seu nome, meu irmão? – Renato!

– O meu é Zilda. Sinto-o triste. Em que posso ajudá-lo?

E ele lhe conta o ocorrido.

Ela, após consolá-lo, sugere que ele vá para casa, confiante em Deus. Renato chega à casa e narra o ocorrido para a esposa e para a filha.

– Como Deus é bom! Atendeu ao meu pedido! – assevera Laura.

– Quero conhecer essa filosofia que tanto lhe dá ânimo para a vida, Laura. Quero ir ao centro com você. Ajuda-me, mais uma vez.

Aí, a surpresa: – Vamos os três, então! Reconheço-me necessitada de ajuda profissional e espiritual – fala Alice.

Os três se abraçam, comovidos. A atmosfera espiritual ambiente se renova, prenunciando novos tempos para aqueles três espíritos comprometidos, entre si, com um passado de sérios e graves desacertos.

Boletim de Março/2007
Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:02
 

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