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As agruras de um médium espírita PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Qui, 10 de Fevereiro de 2011 15:44

Através das faculdades mediúnicas de Ferreira, os benfeitores espirituais levavam conforto e alívio a muitos enfermos. Em sua casa, conversava ele com a esposa, Marilda, companheira dedicada e também laboriosa trabalhadora do centro espírita:

– Marilda, ando muito esgotado!

– Não é pra menos, Ferreira. O trabalho tem sido intenso.

– O que me cansa, querida, não é trabalho. E você bem sabe disso! O que me entristece e desgasta é a incompreensão das pessoas.

Neste instante, toca o telefone. Marilda atende e passa o aparelho ao marido.

– Alô!

– Ferreira! Quem está falando aqui é a Margarida. Estive no seu centro espírita na semana passada. Gostei muito de lá.

– Muito bem! Mas, o centro espírita não é meu, minha irmã. Ele tem até um nome bem sugestivo: “Em Busca da Redenção”. Mas, afinal, o que deseja de mim?

- É que estou com muita dor de cabeça e resolvi, então, lhe pedir para me dar um passe.

– Se não lhe for aborrecido, gostaria de saber primeiro: como conseguiu o número do meu telefone?

– Como não estou bem, insisti com pessoa sua amiga, que acabou me passando o número!

– Ah! Muito bem! Quanto à sua dor de cabeça, me diga, por favor, se já buscou assistência médica necessária, para inclusive pesquisar sua causa?

– Eu sei a causa, Ferreira! É de origem digestiva. Comi coisas pesadas no almoço.

– Perdoe-me, mas a irmã precisa é de ir ao médico. Se for o caso, procure até mesmo a emergência de um hospital.

Margarida, contrafeita com as palavras de Ferreira, questiona:

– Mas, o senhor não é um médium espírita? Não faz a caridade?

– Faço muito esforço, minha irmã, na busca de ser um médium comprometido com a doutrina espírita. Porém, nem sempre me saio tão bem quanto pretendo!

– Acho que não está se saindo bem mesmo! Pois, como médium espírita, seria seu dever me assistir nesse momento de sofrimento.

E Ferreira argumenta:

– Mas, querida irmã, seu caso é para médico e não para médium! Por outro lado, a assistência mediúnico-espírita em domicílio, só quando o enfermo está impossibilitado de ir à casa espírita. O que, pelo relato que fez, não é o seu caso.

– Pelo visto você não quer mesmo me ajudar, não é mesmo?!

– Já a estou ajudando, minha irmã! Estou-lhe indicando o caminho certo: a busca de médico, que é o que o seu caso exige.

Margarida, inconformada com a atitude de Ferreira, protesta:

– Você é muito orgulhoso e petulante. Fique com seus guias só para você, charlatão!

E Margarida, bruscamente, desliga o telefone.

Ferreira, entristecido, volta a conversar com a esposa:

– Acabo de ser maltratado, Marilda, por indicar o médico a uma pessoa que está com dor de cabeça, por ter comido, como ela mesma disse, comidas pesadas.

– A ignorância, o comodismo e a maldade, meu querido, ainda fazem parte do cardápio humano. São tão indigestos quanto as chamadas comidas pesadas!

Dias depois, Ferreira, com febre alta, fica acamado. Após a saída do médico, que lhe fora prestar assistência, batem à sua porta. Marilda atende:

– Pois não, meu irmão! O que deseja?

– Meu nome é Pedro! Estou muito necessitado dos préstimos mediúnicos do Ferreira.

– Querido irmão, o Ferreira só presta assistência mediúnica no centro espírita!

– Eu fui ao centro e me disseram que ele não iria lá, hoje. Então, descobri o seu endereço e resolvi vir à sua casa. Estou necessitado de ajuda!

– O irmão poderia ter-se valido do atendimento fraterno do nosso centro!

– Lá, no centro, me disseram isso. Mas, um amigo me segredou que o Ferreira é que é bom. Por isso, quero ser atendido por ele.

– Infelizmente, meu irmão, ele não poderá satisfazê-lo, pois está doente, com febre alta. O médico saiu daqui há pouco. Há suspeita de pneumonia. O doutor Inácio recomendou repouso absoluto!

– Mas!!! Nem umas palavrinhas posso trocar com ele? Ao que Marilda, já um tanto irritada, responde:

- Não, não poderá não! Ele conseguiu conciliar o sono há pouco. Não dormiu nada a noite inteira, com dores nas costas e febre alta.

– Será que, amanhã, ele já poderá me atender?

– Meu amigo, ele só voltará ao trabalho, no centro, depois de equilibrada sua saúde.

E Marilda, a essa altura aborrecida com a indevida insistência do moço, pergunta:

- Que coisa tão séria é essa, que o aflige e que não lhe permite ter um pouco de caridade com o Ferreira? Ele, neste instante, precisa muito de ajuda. Ele está doente!!!

– Tive um desentendimento em casa. Minha mulher, pela quarta vez, ameaça ir embora.

Marilda respira fundo. Então, com firmeza, assevera:

– Meu querido, passo eu agora a responder pelo Ferreira! Sou sua mulher e, pelo visto, se não cuidar dele, você e outros como você, o destruirão, já que não sabem respeitar o sofrimento de quem só tem procurado ajudar o próximo. O egoísmo de vocês é impressionante!

E Marilda finaliza o diálogo:

– Se o irmão acha que seu problema é tão grave assim, volte ao centro; certamente lá a ajuda de que precisa lhe será prestada. Passe bem! Tenho que dar assistência ao meu marido. Também, ainda tenho o almoço para fazer e os filhos para cuidar.

Ferreira se restabelece e volta ao centro. Escuta voz masculina a chamá-lo:

– Ferreira! Ferreira!!! O médium volta-se para atender ao chamado.

É Pedro. Marilda adverte o marido:

– É aquele insistente que foi lá em casa. Só quer ser atendido por você!

– Olá, Ferreira! Já está bom? Espero que esteja firme. Preciso muito falar com você. Estou com um problema que só você poderá equacionar.

– Meu irmão, aqui, na nossa casa espírita, o procedimento não é esse. Entendo que possa estar com problema sério. Por isso mesmo, vou encaminhá-lo ao atendimento fraterno de nosso centro. Os companheiros encarregados desse trabalho estão capacitados para ajudá-lo.

– Por que isso?! Não quer me atender, Ferreira!? Ficou orgulhoso, cara?! Só atende os bacanas?! A vaidade subiu-lhe à cabeça! Pobre coitado! Vou procurar médium mais humilde, em outro centro.

E Pedro saiu dali inconformado, à procura de algum médium incauto, que lhe atendesse aos caprichos e com exclusividade!

Boletim de Março/2005
Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:03
 

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