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A questão da política PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Qui, 10 de Fevereiro de 2011 15:27

O casal, Geraldo e Adélia, e seus filhos, Eni e Eduardo, conversavam, enquanto aguardavam a chegada de Fátima, amiga da família e companheira de centro espírita, que havia sido convidada para o lanche de domingo à tarde. O filho se dirige ao pai:

- Pai! Venho pensando muito na responsabilidade do voto!

- É importante que conversemos sobre isto, Eduardo! A conscientização dessa responsabilidade é necessária, a fim de que pos-samos melhor escolher nossos candidatos!

Eni, então, participa:

- Acho que o caráter do candidato - sua postura ético-moral - é o que deve ser levado em conta, na atual situação do país!

- Será somente isso, mana?!

- No meu entendimento sim, Eduardo!

Adélia, aí, intervém:

- Tenho pensado muito nisso, Eni! Pelo que assistimos atualmente, o valor ético-moral do candidato deve ser uma das condições indispensáveis para definir nossa escolha! Porém, não a única!

- É!!! Pensando bem, vocês têm razão! Uma pessoa pode ter conquistas ético-morais, no entanto, pode não possuir discernimento político para ocupar um cargo público!

- O que você chama de discernimento político, mana?!

- Ora, Eduardo, é a condição de saber, politicamente falando, se conduzir no sentido de propor leis, conceber projetos, avaliar prioridades visando o progresso do país e o bem-estar do povo.

- Em termos de política, existe ainda a questão ideológica, que precisa ser levada em conta! - observa Geraldo, que ainda fala:

- Há pessoas que seriam incapazes de desviar um centavo do dinheiro público! Porém, em termos ideológicos, serão capazes de desenvolver sistemas violentamente re-pressores, arbitrários e extremistas!

Adélia aproveita o gancho e demonstra sua insatisfação:

- Não entendo como se pode ter um país feliz, se não se busca ter uma economia voltada para a felicidade de seu povo.

- É... querida Adélia! Uma economia que privilegia o capital, em detrimento do social, estigmatiza um povo. Cria instrumentos de marginalização e exclusão dos mais simples.

Eni, cuidadosa, observa:

- O ruim é que, na maioria das vezes, conversa sobre política sempre acaba em briga, em discussão!

- Porque mexe, minha filha, com nossas paixões, ainda não domesticadas! - exclama Geraldo.

- Não acontece a mesma coisa com algumas pessoas em relação ao futebol e à religião, mana?!

- Isso mesmo! Há pessoas que acham que seu clube é o melhor - tem que ganhar sempre. Outras, que só a sua religião salva. Essas, realmente, não saberão adotar uma ideologia política sem extremismos.

- Nunca saberão ter respeito à opinião e à idéia do semelhante! - conclui Adélia.

Geraldo acrescenta:

- Conforme propõe a Doutrina Espírita, é a questão do orgulho e do egoísmo atravancando o progresso!

E ele continua:

- Devemos desenvolver o senso crítico para que façamos escolhas pertinentes, em termos de ideologia política e de candidato! Uma ideologia pode ser muito interessante, porém alguém que a defenda pode não de-monstrar os valores ético-morais necessários, para bem conduzi-la.

- Há um binômio inseparável nesse caso: ideologia e ética - fala Adélia.

- Sinto-me confortado, Adélia, por termos, juntos, em família, conquistado essa disposição de discutir idéias sem imposição de conceitos e atitudes.

Nisso, batem à porta. Adélia abre, é Fátima! Após os devidos cumprimentos, Eni alerta:

- Estamos falando sobre política, Fátima!

- Fala baixo, Eni! Esse assunto tornou-se proibitivo em nosso meio! É pecado espírita falar em política! Cheguei numa boa hora! O assunto é quente! O que diz o garotão da casa?

- Justo que não se fale sobre política parti-dária em instituições espíritas! Porém, estamos em casa! Afinal, pelo menos aqui, temos direito à liberdade de expressão, não!?

Eni mostra seu descontentamento:

- A par de uma filosofia racional como a espírita, constato diariamente que conseguimos herdar do tradicionalismo religioso a pior parte: a pretensão de dominar pelo medo, pelo temor e até pela ignorância.

- Desenvolvendo esse raciocínio, mana, acho que devemos discutir todos os assuntos que podem fazer o homem mais feliz aqui na Terra.

- Afinal, não estamos aqui para progredir e colaborar com o processo de regeneração da Humanidade!? - interroga Eni.

E Eduardo é contundente:

- Talvez alguns pensem que a Terra passará à condição de planeta de regeneração por algum decreto espírita!

Geraldo assume a palavra, na intenção de justificar a impetuosidade dos jovens diante da companheira:

- Esses jovens, às vezes, extrapolam! Não repare, Fátima!

- Faço um reparo sim - à sua atitude, Geraldo! Conheço seus filhos há muito tempo! E acho que eles estão mais que certos! Não estão ex-trapolando, não! Eles raciocinam, refletem, não se deixam conduzir para o matadouro seus ideais, seus anseios de esclarecimento e progresso! Defende-os!

E a mãe dos jovens se pronuncia:

- Isso é certo! Quantas vezes nos calamos, a pretexto de uma falsa fraternidade, deixando assim que o mal cresça e contamine terceiros! E, em algumas ocasiões, com tremendas frustrações para nós mesmos, por não termos tido a devida atitude!

- Observemos uma coisa, meus amigos: nós criticamos muito os políticos, alegando que eles fazem politicagem e não política! Não é assim?!

- Isso é um fato, Fátima! Não podemos negar isso!

- Porém, Adélia, conheço atitudes em nosso meio que não se distanciam muito das adotadas por aqueles que fazem politicagem. Quando se trata de poder, o homem é o mesmo, esteja ele na política, na religião, ou em qualquer outra atividade que o projete e o diferencie!

Eduardo complementa o raciocínio da mãe:

- O poder já mudou muitas cabeças que julgávamos equilibradas! As pessoas passam a não assumir posição, com medo de perder prestígio e poder!

- Um vento mais forte, qualquer dia desses, vai derrubar muita gente que está encima do muro! - graceja Eni.

Geraldo, encerrando o assunto, convoca todos:

- É hora do lanche! Vamos para a mesa, pessoal!

E Eni, vendo a mãe se aproximar com uma bela pizza, exclama:

- Até aqui em nossa casa, a discussão acaba em pizza! Essa não, dona Adélia!

Fátima conclui:

- Só que aqui, Eni, nós temos a nacionalíssima pizza de banana com canela e açúcar, produzida pela inequívoca brasilidade da nossa Adélia!

E todos riram gostosamente!

 

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