Página Inicial / Crônicas Espíritas / A iniciação do Professor Rivail
A iniciação do Professor Rivail PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Qui, 10 de Fevereiro de 2011 15:26

Foi em 1854 que Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Rivail, ouviu falar pela primeira vez em mesas girantes. Encontrando-se um dia com o Sr. Fortier, magnetizador, seu antigo conhecido, surge o assunto.

- Sabeis, Rivail, que se acaba de descobrir no magnetismo uma singular propriedade?

- O que você sabe sobre isso, Fortier?!

- Há indícios de que não são somente as pessoas que se magnetizam, mas também as mesas, que giram e andam à nossa vontade.

- Isso não me parece rigorosamente impossível, Fortier.

- Claro que não é, meu caro amigo!

- O fluido magnético, espécie de eletricidade, pode muito bem atuar sobre os corpos inertes e fazê-los mover. - E o fazem, Rivail.

- As notícias dadas pelos jornais sobre experiências feitas em Nantes, Marselha e outras cidades, Fortier, não permitem duvidar da realidade do fenômeno.

- O fenômeno é autêntico, amigo! Tempos depois, Rivail torna a encontrar Fortier.

- Tenho notícias novas sobre aquele assunto que conversamos, na última vez que nos vimos, Rivail. - Sobre as mesas girantes?

- Isso mesmo!

- Então, fale-me dessas novidades, Fortier!

- Pois saiba, Rivail, que, mais extraordinário do que fazer uma mesa girar e andar é fazê-la falar e isso vem acontecendo. Ou seja, perguntam e ela responde.

- Ora, amigo Fortier, esse é outro assunto! Só acreditarei nisso se vir, ou se me provarem que a mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula. E Rivail arremata:

- Até então, permita-me que considere isso uma história fabulosa.

- Mas, Rivail, o fenômeno acontece!

- Compreendo a possibilidade do movimento por uma força mecânica, mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, parece-me absurdo atribuir inteligência a uma coisa material.

- Pois saiba, caro amigo, que o fenômeno é real! - Pois saiba também, amigo Fortier, que me coloco na posição dos incrédulos dos nossos dias, que negam, porque não podem compreender os fatos. - Saiba, Rivail, que esses fenômenos ocorrem na presen-ça de pessoas acima de toda suspeição e dignas da maior confiança.

- Por isso não duvido do efeito puramente material. Mas a idéia de uma mesa falante não pode entrar no meu cérebro, amigo.

- A mesa responde a perguntas, através de um código combinado com os presentes.

- Como assim?!

- Uma pancada com um dos pés é uma letra, duas já representa outra letra. E, dessa forma, vão-se obtendo as respostas às perguntas formuladas, mesmo àquelas feitas mentalmente.

- E aparecem respostas às perguntas que as pessoas fazem somente em pensamento?!

- É isso mesmo! - Preciso ver de perto, pois não consigo entender uma mesa que reaja inteligentemente.

- Chegará o dia, amigo Rivail. Podes crer que chegará. No início do ano seguinte, 1855, Rivail encontra Carlotti, seu amigo há 25 anos, que, com o entusiasmo que despertam as idéias novas, fala-lhe dos fenômenos, contando coisas surpreendentes.

- Rivail, grande amigo, são os espíritos que falam através das mesas

! - Mas, o Fortier, quando me falou sobre o assunto, não tratou de espíritos.

- São os espíritos, Rivail! São os espíritos que respondem às perguntas. Trata-se da comunicação com o mundo espiritual, meu amigo.

- Está confiante nessa hipótese, Carlotti?!

- Estou convicto, amigo. Os fenômenos me convenceram.

- De certa forma, amigo, com suas revelações, aumentaram as minha dúvidas.

- É uma realidade, Rivail. Tenho certeza que um dia serás dos nossos.

- Não digo que não. Veremos mais tarde. Os dois se despedem.

Algum tempo depois, no mês de maio, deste mesmo ano de 1855, Rivail vai à casa da Sra Roger, sonâmbula, em companhia de Fortier. Ali encontra o Sr. Pâtier e a Sra Plainemaison, que lhe falam dos fenômenos, mas em outro tom. Em certo momento, o Sr Pâtier faz um convite a Rivail:

- Caro professor Rivail, para se certificar dos fenômenos de que estamos tratando, quero convidá-lo a assistir às experiências que levamos a cabo na casa da Sra. Plainemaison. A senhora Plainemaison complementa:

- Teremos o máximo prazer em recebê-lo nas reuniões, professor Rivail. Elas se realizam em minha residência, à Rua Batelière nº 18. - Já está aceito o convite. Quando se reunirão?

- Na próxima terça-feira, às 20 horas - responde o Sr. Pâtier

. - Lá estarei, nesse horário. No horário aprazado a reunião se inicia na casa da Sra. Plainemaison. Ali, pela primeira vez, Rivail testemunha o fenômeno das mesas girantes, como também alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica em uma ardósia, com o auxílio de uma cesta.

Ao final, alguns participantes se entretém numa boa conversa. E Pâtier se dirige a Rivail:

- Qual foi sua impressão, professor Rivail?

- Deparei-me aqui, hoje, caro Pâtier, com fatos incontestáveis! A Sra. Plainemaison intervém:

- E não viu tudo, caro professor. Ainda há muita coisa nesse campo a ser assistida e investigada.

- Porém, prezados amigos, ainda não me sinto em condições de firmar as minhas idéias sobre o assunto.

O sr. Pâiter observa:

- Foi o tempo e a freqüência a reuniões com pessoas sérias que nos levaram às convicções de que desfrutamos hoje.

- Testemunhei um fato que não pensava poder-se realizar!

- assevera o professor Rivail. E a senhora Plainemaison, convicta, afirma:

- Esses fatos merecem de nós o respeito e o estudo devidos!

- Não há dúvida, senhora! Percebo, por trás desses fatos, que muitos os têm como passatempo, algo de muito sério. O sr. Pâiter se alegra:

- É muito bom saber que um homem da sua envergadura moral e intelectual assim se expresse, professor.

- Entrevejo, no que me foi dado observar, a revelação de uma nova lei. E, podem crer, meus senhores, buscarei trabalhar para descobrir essa lei.

- Teremos prazer em recebê-lo em nossas futuras reuniões em minha casa, para que possa realizar sua intenção, caro professor. Em casa, o professor Rivail conversa com a esposa, Amélie Boudet, a quem chamava carinhosamente de Gabi.

- Gabi! Os fenômenos que assisti são incontestáveis.

- Já estás convencido deles, Rivail?

- Observei-os atentamente, não me distraindo de forma alguma, para que não houvesse possibilidade de fraude.

- Como o conheço bem, sei que não se deixaria levar pelo entusiasmo dos outros. A busca da verdade está sempre dirigindo seus passos e atitudes.

- Estou deveras interessado em descobrir a lei que rege os fenômenos que presenciei na residência da Sra. Plainemaison. Rivail ainda acrescenta:

- A presença do Sr. Pâtier na reunião foi um grande estímulo para que eu conduzisse minhas observações com acuidade, interesse e seriedade.

- Pelo que se sabe, ele é pessoa séria.

- Gabi! Ele é um funcionário público muito instruído, de caráter grave, frio e calmo. Sua linguagem comovida, isenta de entusiasmo, produziu-me viva impressão.

E Rivail assiste outras reuniões na casa da Sra. Plainemaison. Em uma delas, trava conhecimento com a família Baudin. E, a convite do chefe da família, passa a participar das reuniões semanais que se realizam em sua residência.

- Saiba, Rivail, que minhas duas filhas, Caroline, de 16 anos, e Julie, de 14, são médiuns que têm contribuído muito para o bom êxito de nossas reuniões.

- O fato de elas escreverem numa pedra, Baudin, com o auxílio de uma cesta singular, dá muita credibilidade ao fenômeno!

- É isso mesmo, professor! Esse método que exige o concurso de duas pessoas, exclui toda a possibilidade de participação das idéias do médium.

- As respostas obtidas, através desse método, denuncia, em toda a evidência, a interferência de uma inteligência estranha ao médium e ao meio. Rivail continua a freqüentar as sessões na residência da família Baudin.

- Nessas reuniões, em sua residência, Baudin, estou iniciando meus estudos sérios sobre esses fenômenos que vêm chamando a atenção na atualidade.

- Aliás, percebe-se que a sua característica marcante, Rivail, é a do pesquisador exigente.

- Correto, amigo. Tenho pautado meus estudos, não tanto pelas revelações dos espíritos, mas pela observação dos fatos.

- E ainda observamos que o Espírito Zéfiro, que assiste as nossas reuniões, tem-lhe muita simpatia.

- Na reunião passada, disse-nos Zéfiro que estivemos nas Gálias, como chefe druida, então com o nome de Allan Kardec. E, depois, a sós, o professor Rivail pensa:

- Compreendo que é grave a tarefa que estou empreen-dendo e entrevejo nesses fenômenos a chave do problema, tão obscuro e tão controvertido, do passado e do futuro da humanidade, cuja solução vivi sempre a procurar. É, enfim, uma revolução completa nas idéias e nas crenças do mundo. Cumpre-me, pois, proceder com circunspecção e não levianamente, ser positivo e não idealista para não me deixar levar por ilusões.

No ano seguinte, 1856, Rivail acompanha também as reuniões espíritas, sérias e ordeiras, da Rua Tiquetone, em casa do Sr. Roustan e Srta. Japhet, sonâmbula. E, finalmente, em 18 de abril de 1857, o professor Rivail , com o pseudônimo de Allan Kardec, inicia a divulgação da Doutrina Espírita com o lançamento de O Livro dos Espíritos.

(Com base em Obras Póstumas - Edição LAKE)

 

Boletim de Outubro/2009

 


 

Reflexões Espiritistas

 
 

Pesquisar no Site

Educação Espírita

Educação Espírita Para a Família

CONHEÇA O NOSSO TRABALHO

SEMEANDO IDÉIAS

 
Leia aqui 
 
 

Movimento Espírita

 

Grupo Espírita Redenção - Andaraí - Rio de Janeiro, Powered by Joomla!