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A fraternidade no Centro Espírita PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Seg, 31 de Janeiro de 2011 13:51

Célia e Renato, integrantes do Centro Espírita Trabalhadores do Bem, se encontram no portão de entrada da instituição.

- Olá, Renato! Tudo bem com você?

- Tudo em ordem, Célia.

- E a família?

- Vai bem, graças a Deus.

E os dois penetram nas instalações da casa espírita.

- Você soube, Renato, da cirurgia de emergência a que o Lúcio foi submetido?

- Não, não soube não. O que ele teve?

- A Teresa, da Caravana Socorrista, foi quem me deu a notícia. Ele foi operado, às pressas, de apêndice supurado.

- A Caravana o assistiu, Célia?

- O dirigente, ao ficar sabendo do ocorrido, mobilizou o pessoal da Caravana, que prestou assistência espiritual a ele, no próprio hospital.

- Isso é muito bom, minha irmã.

- É resultado da proposta que vem sendo desenvolvida no centro. Dá-se, atualmente, muita importância à questão da solidariedade entre os componentes da casa.

- E ele já está bem, Célia?

- Está sim! Deverá ter alta nos próximos dias.

- Farei uma visita a ele, talvez ainda no hospital.

- Logo que soube do ocorrido, telefonei para o hospital e falei com a esposa dele.

- Essa atenção, com os companheiros doentes ou que passem por dificuldades, está muito presente no projeto da nova direção do centro.

- Essa postura, a meu ver, Renato, representa o início da proposta de união dos espíritas.

- Taí, Célia, não tinha pensado nisso. É, efetivamente, na base que se exercita a verdadeira união, antes mesmo de pensá-la em termos de movimento espírita organizado.

- No nosso meio, Renato, se confunde muito união de poderes com união dos espíritas.

- Certíssimo! Enquanto não trabalharmos a união dos espíritas na base - na casa espírita - não haverá verdadeira união em termos de movimento espírita organizado.

- E nem unificação, meu irmão. Unificam-se poderes e se fala em unificação do movimento espírita. Sem se preocupar com o que possa estar acontecendo na base.

- Aí está a condição autocrata do nosso movimento.

- Você quer dizer, Renato, que não existe democracia, no meio?

- Vejo-a em raríssimas ocasiões. E Renato volta à questão da unificação:

- Entendo, Célia, que a verdadeira unificação tem relação com os princípios doutrinários e não, necessariamente, com a união dos espíritas, que deve antecedê-la, no conceito de Bezerra de Menezes.

E Renato enfatiza:

- O importante é que a nossa casa espírita trabalhe intensamente essa questão da solidariedade, da união entre os seus trabalhadores.

- Sem dúvida alguma, esse trabalho, na base, é essencial para que se possa visualizar um futuro movimento espírita realmente solidário.

Nesse instante, se aproxima Helena.

- Olá pessoal, tudo bem?

- Tudo bem, Helena! - respondeu Célia.

- E com você, Renato?

- Comigo vai tudo bem, graças a Deus, Helena!

- Acabei de ler a lista de aniversariantes do mês, afixada no quadro de avisos.

- Alguém aniversariando nos próximos dias?

- Sim, a Isaura. Amanhã!

- Foi bom a Helena ter tocado nesse assunto, pois havia me esquecido do aniversário da Isaura - observou Renato.

- Ligarei pra ela amanhã - esclareceu Helena.

E Célia se pronuncia:

- Farei o possível para abraçá-la pessoalmente. Se, de todo impossível, a cumprimentarei também pelo telefone.

Nesse instante, Luís se aproxima dos três.

- Oi, pessoal, mais de dois é conspiração. Estão conspirando contra quem?

Helena se adianta:

- Fique tranqüilo, Luís. Estamos tratando da solidariedade na nossa casa.

- Pois saiba, Luís, que estamos justamente conspirando contra a desunião dos espíritas - assevera Renato.

E Luís enfatiza:

- Dessa conspiração eu também participo.

- Precisamos trabalhar pela união dos espíritas, independentemente dos encontros e promoções do movimento espírita organizado.

- Eu e Renato, antes de vocês chegarem, conversávamos justamente sobre essa questão.

- Acho que precisamos discutir melhor esse assunto. Desenvolveu-se, no nosso meio, uma cultura insólita a esse respeito.

- Em que sentido, Luís?

- Falo, Renato, em especial, dos espíritas mais idosos e que, por doença ou por outras dificuldades, não podem mais freqüentar as instituições que eles próprios ajudaram a construir.

- Ficam esquecidos pelos companheiros!

- Isso mesmo, Helena. Fiquei sabendo de um caso que me entristeceu muito.

E Luís prossegue:

- O companheiro tinha realizações de peso no movimento espírita. Mas, bastou ficar doente e impossibilitado de estar presente às instituições, foi esquecido.

- Ninguém o visita, Luís?

- Foram poucos, Célia, os que, vez por outra, chegavam à sua casa.

E Renato propõe:

- Podemos ir à casa dele, Luís, para o conhecer. Até para contar sua historia no boletim do centro.

- Chegaríamos muito atrasados! Ele desencarnou no final do ano passado.

- Lamentável essa! - exclama Helena.

- Se é assim, precisamos fazer alguma coisa para mudar essa insólita cultura que se desenvolveu na nossa coletividade.

- E, para tanto, Célia, precisamos trabalhar para que a solidariedade se faça presente na nossa casa espírita - comenta Renato.

- Que não seja somente um discurso bonito.

- Justamente, Luís! A nossa relação com os companheiros do centro precisa ser efetivamente fraterna, solidária e transparente.

- Se já temos consciência dessa necessidade, Helena, sejamos nós os promotores dessa proposta.

- E, para desenvolvê-la, não precisamos de nenhuma sanção institucional - declara Luís. Renato concorda:

- Claro que não! É a própria doutrina que nos indica essa atitude.

Aí, Célia direciona o assunto:

- Certamente, Renato, que para você e para a Helena, que são dirigentes de trabalhos no centro, cabe maior responsabilidade nessa questão

. - Sem dúvida alguma, Célia - concordou Renato.

- Certamente, Célia, que, como dirigentes, devemos incentivar a fraternidade e a solidariedade nos grupos de trabalho sob nossa responsabilidade - completou Helena.

Célia, então, explica a sua observação:

- Pois saibam que fiz parte de uma casa em que o próprio dirigente promovia atritos entre os que participavam do trabalho.

E Helena ficou curiosa:

- Que tipo de atrito, Célia?

- Quando conversava com alguém do grupo de trabalho fazia sempre observações inconseqüentes sobre outros companheiros.

- Isso é muito ruim - frisou Renato.

- É habitual ocorrer com dirigentes inseguros - afirma Luís.

- Esse era o caso do dirigente a que me referi. Sua insegurança, em termos de conhecimento doutrinário, é muito grande.

- E a insegurança acaba contaminando o grupo!

- E a maledicência também, Luís, já que é fomentada pelo próprio dirigente.

- E atente para o fato, Renato, de que ao dirigente cabe justamente a tarefa de harmonização do grupo.

Helena, então, opina:

- A meu ver, os dirigentes que assim agem assumem grande responsabilidade junto à equipe espiritual do centro, pois comprometem a harmonia do conjunto.

- E criam condições propícias à penetração de espíritos levianos no centro - complementa Renato.

- Foi justamente o que aconteceu na casa em que trabalhei. A prática do disse-me-disse contaminou a casa, por ter o apoio de dirigente importante do centro.

- É muito triste saber que isso tudo acontece numa casa espírita - assevera Luís.

- Fazer frente a uma situação dessa não é muito fácil - comenta Helena

- Não é não, Helena! - confirma Célia.

E Célia continua:

- Algumas pessoas tentaram chamar a atenção do presidente para o que estava acontecendo, mas ele não deu importância, alegando que a casa era bem protegida.

- E, aí, você saiu do centro, Célia? - pergunta Luís.

- Ainda tentei fazer alguma coisa, inclusive propus que se discutisse a situação do centro numa assembléia geral.

É a vez de Helena perguntar:

- Não foi aceita a sua proposta, Célia?

- Não! Não foi! E ainda disseram que eu estava querendo um cargo de dirigente. Assim, não tinha mais clima para eu continuar na casa.

- Precisamos trabalhar para que isso não venha ocorrer no nosso centro - fala Renato.

- Mas esse é um dever de todos os participantes do centro e não somente dos dirigentes - afirma Luís.

- Isso mesmo, Luís - concorda Helena.

E Renato adverte:

- Mas, para que a fraternidade, a solidariedade e a transparência aconteçam aqui é preciso que, em primeiro lugar, se estude com seriedade o Espiritismo nos seus três aspectos.

- E que insistamos na necessidade da transformação moral de cada um - acrescenta Luís.

- Não nos esquecendo que essa transformação deve começar por nós, antes de exigirmos dos outros - acrescenta Célia.

- Levarei esse assunto para ser discutido na reunião dos dirigentes da casa - decide Renato.

Os companheiros se despediram, procurando cada um seu grupo de trabalho. E a casa continuou seu progresso, pois permitia a discussão dos assuntos atinentes às dificuldades que, porventura, viessem a acontecer.

 

Boletim de Setembro/2004
Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:06
 

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