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A caridade e o preconceito PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Qui, 27 de Janeiro de 2011 15:08

Marilza, no sábado à tarde, visitava sua prima, Maria Clara, que era casada com Tinoco e tinha dois filhos menores.

- Fico muito satisfeita quando venho aqui, visitá-los. Sinto-me muito bem na casa de vocês. É pena que desta vez não verei as crianças!

- entusiasmada, fala Marilza. Ao que responde Maria Clara:

- Os meninos chegarão do passeio no início da noite! Será um prazer tê-la conosco até a chegada deles!

E Tinoco acrescenta:

- Fica conosco, Marilza, até à noite. Levaremos você em casa.

Marilza se justifica:

- Não poderei demorar tanto. Aproveitei para dar uma chegada até aqui, enquanto o Lauro foi com o Edgarzinho assistir o futebol.

- Nesse instante, Maria Clara começa a se sentir mal. Tinoco a segura nos braços e a leva para o quarto, enquanto Marilza, atônita, se põe a orar na sala:

- Jesus ajude minha prima! Meus Bons Espíritos, em nome de Jesus, amparem a Maria Clara! Eu vos peço, em nome da caridade, envolvam-na em vibrações de paz!

Nisto, vindo do quarto, Tinoco entra na sala e se dirige a Marilza:

- Marilza! O preto velho, protetor da Maria Clara, quer falar como você. Aquela tontura que minha mulher sentiu, nada mais era que o envolvimento de seu Espírito protetor.

- Perdoa-me, Tinoco, mas não vou lá falar com ele, não!

- responde Marilza enfática.

- Mas, por que Marilza? Só porque sua prima trabalha na Umbanda você acha que seus protetores não são Espíritos bons?

Aí Marilza argumenta:

- Estive sempre envolvida com o Espiritismo. O estudo da obra de Allan Kardec e a prática espírita, conforme preconiza o codificador me bastam!

Tinoco, coça a cabeça, e fala:

- Mas... ninguém quer transformá-la em umbandista! Ele somente a está chamando e diz que tem algo importante para lhe dizer.

Hesitante, Marilza expõe seus temores:

- Tenho receio de me envolver com vibrações desconhecidas. O modo de trabalho nos terreiros de Umbanda não me agradam! Fico receosa.

Tinoco, então, questiona:

- No entanto, Marilza, se você que tanto estuda a mediunidade, que participa dos trabalhos propostos por sua Casa Espírita, não tem segurança num momento desse: quem terá?

Ele, respira fundo, e ainda assevera contundente:

- Isso é preconceito! Vocês espíritas se acham melhores que nós umbandistas!

- Não é nada disso, Tinoco! exclama a visitante.

-- É sim, Marilza! Você mesmo, quando chegou, disse que gosta de vir aqui, que se sente bem em nossa casa. Você acha que, se trabalhássemos com Espíritos maus, Espíritos inferiores, você poderia se sentir bem em nossa casa? Você mesma pode responder, pois nesse campo tem muito mais conhecimento e experiência que nós!

Diante da argumentação de Tinoco, ela, contrafeita, decide:

- Tá bem. Vamos lá!

Ela adentra o quarto, acompanhada de Tinoco, e encontra sua prima sentada na cama, envolvida por seu protetor espiritual, o qual se dirigindo a ela, fala, no linguajar próprio:

- Vem cá minha fia! Vem cá com Pai Benedito! Não tenha medo! Num tenha medo de preto velho.

Marilza , trêmula, chega mais perto do Espírito manifestado através de sua prima.

- Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! - saúda o Espírito.

Aí, responde Tinoco:

- Louvado seja, Pai Benedito!

E o Espírito se dirige diretamente a Marilza:

- Minha fia, preto velho só qué ajudá! Presta muita atenção no que velho vai dizer: busca levá seu marido ao dotor da Terra. Precisa examinar o pulmão do lado esquerdo. Leva logo, ainda tem tempo de tudo ficá bem. Mas leva logo, fia. Que Nosso Senhor Jesus Cristo abençoe todos vocês meus fios.

E Maria Clara sai do transe, um pouco fatigada, até um pouco sem graça, pois resistira muito ao envolvimento do Espírito, por saber que a prima não simpatizava muito com aquele tipo de manifestação. Dado o constrangimento surgido, Marilza, logo após, se despede:

- Até qualquer dia! Abrace os meninos por mim. Tinoco responde:

- Até qualquer dia, volte sempre, Marilza!

- Vá com Deus, prima! - fala Maria Clara.

No dia seguinte, por via das dúvidas, Marilza, conseguiu convencer seu marido a ir ao médico. Estava terminando o jantar, quando Lauro lhe telefona:

- Meu bem, a coisa está complicada!

- O que está complicado, Lauro?

- Minha saúde, querida. O Dr. Inácio diagnosticou tuberculose a se pronunciar no pulmão esquerdo. Farei outros exames amanhã.

Marilza fica desnorteada. O preto velho acertara. Dois dias depois, após voltar ao médico, Lauro conversa com ela:

- Minha querida, o Dr. Inácio me alertou no sentido de seguir rigorosamente o tratamento prescrito. Disse-me, também, que tê-lo procurado ainda no início da doença, facilitou tudo.

- Agora, Lauro, vou lhe contar como foi que fui avisada sobre sua doença.

E ela narra todo o acontecido na casa da prima. E conclui:

- Recebi uma grande lição, marido. Procurarei ver com mais boa vontade o trabalho que outros irmãos sérios fazem, na área do mediunismo.

- Estamos sempre aprendendo, querida! - exclamou Lauro.

E, naquela mesma noite, em reunião privativa, no Centro Espírita que trabalhavam, Lauro e Marilza ouviram o Benfeitor Espiritual, através da psicofonia, concluir sua orientação:

"Finalmente, meus queridos irmãos, não devemos esquecer que, em termos de fé, onde exista o bem pelo bem, Jesus ali está também! Que o Mestre continue abençoando todos os que trabalham na seara do bem, lenindo as dores, aliviando os sofrimentos, pacificando os corações! Afinal, somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai!"

Publicado no Boletim Agosto de 2000

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 14:57
 

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