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A bela exposição espírita PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jayme Lobato   
Qui, 27 de Janeiro de 2011 15:05

Evaristo e sua mulher, Isaura, conversavam em casa, após terem chegado de reunião espírita a que semanalmente freqüentavam.

- Evaristo, saí do Centro hoje pensando no efeito da palestra sobre os que ali estavam.

- Ora essa Isaura! Você é muito exigente!

- Sou sim! Não engulo alimento algum sem mastigar bem. Em termos de Espiritismo, procuro refletir muito bem naquilo que escuto. Não vou à reunião somente para fazer presença. Quero aprender!

- Vamos lá, minha querida, fale sobre o que achou.

- O companheiro se preocupou muito em demonstrar conhecimento teórico. Falou bem... falou muito... Mas sua fala não atingiu os corações presentes à reunião.

- Agora mesmo é que não te entendo! Sei que você não aprecia as exposições piegas, com um cunho de religiosismo e sem nenhuma religiosidade.

- Certamente que não me satisfaz aqueles apelos ao sentimentalismo que ainda observamos freqüentemente, ao nosso meio.

Isaura reflete por alguns instantes e continua:

- Meu querido Evaristo, você observou o desinteresse do pessoal presente à reunião?

Evaristo, então, rememorando com mais cuidado o ocorrido na reunião, comenta:

- É... supreendi algumas pessoas completamente alheias ao que estava sendo dito. Distraídas mesmo!

- Muitas só não dormiram porque ele falava muito alto. Em alguns momentos cheguei a pensar que, da rua, estivessem ouvindo.

- Ouviram mesmo, Isaura! Num determinado momento, escutei , como vindo lá de fora, um assobio de alguém que, possivelmente, estava querendo fazer gozação. Ou protestar contra aquilo que não estava disposto a ouvir.

- A maioria das pessoas presentes, não entendeu o que foi dito. O vocabulário utilizado estava muito além da compreensão daqueles irmãos, por isso o alheamento deles.

Isaura volta a fazer considerações quanto ao vocabulário utilizado pelo orador.

- Não é que eu ache que ele devia ter descido o nível da palestra em termos de vocabulário. Porém, nada adianta falar bonito, falar difícil, se a palavra não gera entendimento e reflexão naqueles que escutam.

- Você está certa! O orador, o palestrante e o expositor espírita têm que ter sensibilidade para passar ao público o que sabe, a nível do entendimento dos que os ouvem.

Dada a oportunidade, Isaura volta a comentar:

- Quando se está falando para uma platéia seleta, em termos de estudo e pesquisa espíritas, até compreendo que o vocabulário possa ser mais elaborado. Mas em reuniões públicas na Casa Espírita, penso que há necessidade de maior simplicidade no falar.

- Pensando bem, o falar difícil, sem preocupação com aquele que está ouvindo, pode até mesmo afastar as pessoas mais simples da Casa Espírita. Seria a elitização do Espiritismo.

- Aliás, Kardec em "Obras Póstumas", no Projeto 1868, fala da necessidade de popularização da Doutrina Espírita.

- O que não quer dizer vulgarização!

- Justamente!... Cabe, portanto, aos espíritas, levarem a Doutrina ao povo. E, assim, Evaristo, julgo que, os responsáveis pela divulgação espírita, principalmente em reuniões públicas, devem usar de uma forma de falar que possa fazer a doutrina entendida facilmente, por todos.

Diante do prolongamento do diálogo, que o fez refletir mais, Evaristo acrescenta:

- No caso de hoje, não há dúvida que o companheiro se preocupou muito em falar difícil, demonstrar cultura para impressionar os presentes.

- Impressionou tanto, ou melhor, assustou tanto, que muitos nem se preocuparam em prestar atenção no que dizia, com receio até mesmo de entender errado o assunto.

- Alguém que tivesse acesso a ele deveria alertá-lo. Não só com relação a forma por demais erudita de falar, como também da altura elevada de sua voz, que causa muito desconforto para quem ouve.

E..., Isaura, mais experiente, asseveras:

- Aí está outra questão complicada, Evaristo!

- Como assim, Isaura?

- Primeiramente, é saber como falar, para não magoar o outro, o que não é muito fácil.

- E o quê mais?

- Como o expositor receberia o alerta? Aí, meu querido Evaristo, certamente, estaríamos diante de uma caixa de surpresas!

- Mas, querida, se um amigo, uma pessoa mais chegada, lhe falar é mais provável o êxito, não?

- Já vi muita amizades abaladas, quando alguém, com boa intenção, tentou alertar um amigo sobre algo no seu comportamento que não ia muito bem.

- É! Você tem razão, Isaura. Diz o ditado popular que "de boa intenção o inferno está cheio".

- Esses lances mexem muito com o nosso orgulho. A humildade verdadeira ainda é um talento em discussão, porém muito pouco percebido nas atitudes.

- E, afinal, Evaristo, apanhando o livro sobre a mesa, abre-o, ao acaso, e fala:

- Olha aqui, Isaura! Abri na página certa! Escuta só o que diz Kardec no capítulo intitulado "O egoismo e o orgulho", do livro "Obras Póstumas": "A causa do orgulho está no homem acreditar em sua superioridade individual, e isso é devido à influência da concentração de seu pensamento nas coisas terrenas. O homem que nada vê atrás de si, diante de si ou acima de si, é levado pelo sentimento depersonalidade que o impede de dominar o orgulho."

Publicado no Boletim de Junho de 2000

Última atualização em Qui, 12 de Maio de 2011 15:04
 

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