Editorial


 

A Doutrina Espírita, segundo Allan Kardec, necessita de estudo sério, sequencial e regular para que possa ser bem entendida. Observa-se ainda, no nosso meio espírita, muita ignorância a propósito dos princípios da doutrina. Muitos conhecem obras mediúnicas merecedoras de crédito sem, contudo, conhecer as obras básicas do Espiritismo. Sem uma formação doutrinária estrutural e básica, como avaliar as obras mediúnicas? Quem ainda não se envolveu com a proposta experimental do codificador, exarada em suas obras, não desenvolveu os critérios de avaliação, capazes de identificar alguém com verdadeira consciência espírita. Com os conhecimentos hauridos na obra kardequiana, ou kardeciana, como querem alguns, e com o exercício desse aprendizado na sua vida de relação, o espírita se prepara para diferenciar o que é doutrina do que não é. A coerência doutrinária não pode mais ficar sendo confundida com a opinião de determinada pessoa, de determinado líder ou de um grupo, ou, até mesmo, de determinado espírito. Para se conhecer Doutrina Espírita é fundamental e imprescindível estudar a obra de Allan Kardec, e não somente lê-la. Allan Kardec, no Capítulo III, de O Livro dos Médiuns, item 35, nos sugere o estudo de suas obras na seguinte ordem: 1) O que é o Espiritismo: “esta brochura apresenta uma exposição sumária dos princípios da Doutrina Espírita, uma visão geral que permite abranger o conjunto num quadro restrito. Apresenta as principais perguntas ou objeções que as pessoas novatas costumam fazer.” - 2) O Livro dos Espíritos: “contém a doutrina completa, ditada pelos Espíritos, com toda a sua Filosofia e todas as suas consequências morais. Lendo-o, compreende-se que o Espiritismo tem um objetivo sério e não é um passatempo frívolo.” - 3) O Livro dos Médiuns: “destinado a orientar a prática das manifestações, proporcionando o conhecimento dos meios mais apropriados de nos comunicarmos com os Espíritos. É um guia para os médiuns e para os evocadores e o complemento de O Livro dos Espíritos.” - 4) a Revista Espírita, que Herculano Pires colocou na condição de laboratório espírita: “uma variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição das obras precedentes, e que representa de alguma maneira a sua aplicação.” Ainda não haviam sido publicadas: O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Pela importância de seu conteúdo, deve a Revista Espírita ser ainda melhor divulgada. Temos tentado difundi-la, não só através desse boletim, como, em especial, através do programa “Semeando Ideias”, levado ao ar às quartas-feiras, às 14 horas, e reprisado às 23 horas, pela Rádio Rio de Janeiro – 1400-AM.